A mulher anda pela cidade. Imersa em tecnologia e afazeres, quem olha de fora pode nem perceber o que se passa. Mas quando abre seu armário no trabalho, os deuses e os espíritos, do lugar e os que cuidam dela, estão ali, honrados, e ela deixa uns wafers em oferta aos espíritos.
Usa a internet para conhecer mais e ler sobre amigos distantes. E olhando os emails, faz um sinal para afastar o mal olhado quando encontra na caixa uma mensagem de alguém tóxico.
A mulher prepara sua comida e ri enquanto ouve uma piada, mas joga sal no fogo para ver a chama azul e alimentar o fogo, mesmo que ele venha de uma boca de gás. E quando o churrasco de família termina, aproveita as brasase joga um punhado de cevada que chiae solta um cheiro bom enquanto queima.
E com a mesma naturalidade de quem discute um lançamento blockbuster do cinema, ela aproveita a distração geral e veste sua corrente de ferro onde um pingente cheio de pimentas e chifres de vidro vermelho faz lembrar sua força, só para ter certeza de que os pensamentos alheios não vão atingi-la. E fala com o mesmo tom acadêmico dos rumos da educação e da história da bruxaria.
As vezes, a mulher suspeita um sorriso quando escuta pelas costas alguém comentando "ela também é uma bruxa".
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quinta-feira, 7 de abril de 2011
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Labirintos
Estamos labirínticas.

Desde que a Sarah Filhote de Lua descobriu como se desenha labirintos, nós três acabamos entrando nessa.
Hoje eu consegui, pela primeira vez, desenhar um labirinto em que dá para seguir direito até o meio e voltar. Os meus estavam sempre com becos sem saída. Depois vou postar a foto do meu desenho, feito a caneta esferográfica durante uma palestra sobre consumo na internet - tuuudo há ver, né?
A Pietra nos mostrou uma arte dela, feita com base em um modelo que a Thalia Took colocou em seu blog (a Thalia - olha eu íntima das pessoas! - também está numa fase cretense). Ai vai uma foto, para vocês conferirem:
Quem quiser pode baixar o modelo de labirinto clicando aqui!
Aguardem que, provavelmente, teremos mais sobre esse símbolo vindo aí!
sábado, 11 de outubro de 2008
Nosso Flickr!

Agora nós temos um Flickr!
Para quem não sabe, o Flickr é uma rede de compartilhamento de fotos e imagens. Nós criamos uma página para poder colocar mais fotos do que nos posts aqui do Blogger. Inauguramos com mais imagens do altar de bolso da nossa amiga Carol, do livro em que a Pietra tirou algumas superstições e dos nossos Banners de Invero e Primavera.
Quem tiver perfil lá, pode comentar à vontade.
Para visitar, é só clicar aqui! Se não funcionar, nosso endereço é este: http://www.flickr.com/photos/31308639@N02/
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Nanta Bag e altares portáteis
Eu não conheço nenhuma streghe que segue a tradição do Grimassi, então não posso afirmar se é verdade ou não que elas carregam isso. Mas eu e as meninas deste blog conhecemos uma strega que tem não um Nanta Bag, mas um "congá de bolso".
Congá é o termo que os umbandistas usam para altar, o ponto de força central do terreiro. A Carol, nossa amiga devota de Oxum e Iemanjá e companheira de estudos helênicos anda com um mini-altar na bolsa, como vocês podem conferir aí na foto. O artefato, segund ela, existe há uns treze anos. Ele fica no bolso do porta-moedas.
O saquinho da Carol serve para proteger e manter, sempre por perto, objetos sagrados e importantes. Não são, necessariamente, instrumentos mágicos para uma emergência. Mas na hora em que ela mostrou para nós, na mesa de um bar em São Paulo, tivemos a mesma reação: "olha, ela usa um Nanta Bag". E lá vamos nós explicar o que era o tal saco... rs
Eu não uso um saquinho assim, tão arrumadinho e com tantos objetos. Mas costumo andar com uma pulseira com olhos gregos (presente das minhas amigas), uma réplica de dente montada em pedra e meus vários anéis de prata. De vez em quando ainda coloco no pescoço um achado que a Carol fez numa casa de umbanda: uma pequena foice, símbolo do planeta Ceres e, por conseqüência, da minha deusa regente.
Mais algumas fotos no nosso Flickr!
Cada um tem seus objetos sagrados por perto de um jeito. Qual é o de vocês?
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Qual é o seu sabor?
Ultimamente numa lista de discussão do Yahoo sobre Stregheria - que se chama Traditional Stregheria - uma pessoa ia dar uma entrevista e queria saber de diferentes práticas de Bruxaria Italiana entre os praticantes. E a pergunta que ele usou me chamou muito a atenção: What is the flavor of your practice?
E, ai, as pessoas diziam nesta pergunta um pouco sobre como as suas filosofias de prática se davam, mais cristãs, mais pagãs, misturadas...
E eu achei isso muito interessante, pq as coisas acabam mesmo não sendo absolutas quando tratamos de Bruxaria Italiana - PRINCIPALMENTE no Brasil, que é sim um país que entende de misturas...
O sabor da minha prática é de azeite e azeitona... ou seja, o politeísmo grego (ou greco-romano, mas como eu gosto de chamar: helênico). Tem também um gosto de oregano... afinal de contas é a minha ancestralidade - uma parte do norte, outra, do sul. Minha prática tem sabor de vinho seco, dos ancestrais do norte que cuidavam de vinhas até a guerra estourar e eles virem para o Brasil. Tem ainda gosto de pão integral ou qualquer pão quente, pois a família de Roma quando aqui chegou, abriu uma padaria (padaria italiana!!!). Por fim, tem gosto de café, dos lavradores do interior que fizeram suas vidas... e graças a eles, aprendi sobre curas como ovos e panos brancos e como segurar tempestades.
Nossa. Dá até pra sentir o cheiro... e é coisa gostosa de Dioniso Baco! Evoé!
Para conhecer a lista Traditional Stregheria, clique aqui!
E, ai, as pessoas diziam nesta pergunta um pouco sobre como as suas filosofias de prática se davam, mais cristãs, mais pagãs, misturadas...
E eu achei isso muito interessante, pq as coisas acabam mesmo não sendo absolutas quando tratamos de Bruxaria Italiana - PRINCIPALMENTE no Brasil, que é sim um país que entende de misturas...
O sabor da minha prática é de azeite e azeitona... ou seja, o politeísmo grego (ou greco-romano, mas como eu gosto de chamar: helênico). Tem também um gosto de oregano... afinal de contas é a minha ancestralidade - uma parte do norte, outra, do sul. Minha prática tem sabor de vinho seco, dos ancestrais do norte que cuidavam de vinhas até a guerra estourar e eles virem para o Brasil. Tem ainda gosto de pão integral ou qualquer pão quente, pois a família de Roma quando aqui chegou, abriu uma padaria (padaria italiana!!!). Por fim, tem gosto de café, dos lavradores do interior que fizeram suas vidas... e graças a eles, aprendi sobre curas como ovos e panos brancos e como segurar tempestades.
Nossa. Dá até pra sentir o cheiro... e é coisa gostosa de Dioniso Baco! Evoé!
Para conhecer a lista Traditional Stregheria, clique aqui!
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Vassoura

Colocar uma vassoura com o cabo virado
para baixo, atrás da porta, faz visitas
indesejáveis irem embora logo.
A vassoura deve ser guardada na
posição vertical para evitar desgraças.
Crianças que montam em
vassouras serão infelizes.
Varrer a casa à noite expulsa tranqüilidade
e varrer o pé de uma pessoa faz com
que ela nunca se case.
Retirado do Guia dos Curiosos
sexta-feira, 22 de junho de 2007
Dio, Mano Cornuto e Heavy Metal

Ronnie James Dio é um headbanger, ou seja, literalmente, um cara que balança a cabeça. Na gíria, headbanger significa uma pessoas que gosta de Heavy Metal, um tipo de rock que surgiu na década de 1980 baseado em bandas como Led Zepellin e Black Sabbath, banda da qual Dio foi vocalista depois que Ozzy Ousborne largou para seguir sua carreira solo.
Além de headbanger, e de ser um dos principais vocalistas do metal, Dio foi o responsável por popularizar seu símbolo mais característico: o gesto de dois chifres, formado quando se levanta o dedo indicador e o dedo mindinho. Para muitos (fãs, inclusive), é o símbolo do demônio.
Mas segundo depoimento do vocalista no documentário "Metal: A Headbanger Journey" (literalmente, "Metal: A Jornada de um Headbanger"), ele aprendeu esse símbolo com suas avós italianas. "Elas usavam o tempo todo para afastar o mallocchio (olho gordo), ou para mandá-lo de volta", explica.
Esse símbolo é, na verdade, o Mano Cornuto, ou Mani Cornuti. Ele realmente representa chifres, mas não o do demônio. Os chifres são símbolos ancestrais de virilidade e de conexão com a Natureza, usados ao longo dos anos e para representar Baco, Pã, Fauno, o Deus Cornífero dos wiccanos e outros Deuses relacionados à vida selvagem ao instinto animal.
Ele também serviria para "espetar" o olho mal, fazendo com que perdesse sua força. É mais ou menos a mesma coisa da figa para os brasileiros.
Dio admite que não inventou o símbolo, mas acha que o aperfeiçoou. Como os fãs gostaram, foi adotado e hoje, em qualquer showzinho de banda de garagem, tem sempre um cara fazendo o Mano Cornuto.
Site oficial do documentário Metal: A Headbanger Journey
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