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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Palestra: Elementos: Fogo


No último fim de semana, houve mais uma Tarde Esotérica do Espaço Viver Alternativo. E o tema da tarde foram elementos e seres mágickos.

Na palestra de Bruxaria Italiana, falei um pouco sobre o fogo e seus simbolismos. Dos diversos préstimos e do presente maravilhoso que o fogo é: fisica e espiritualmente.

Tudo começou com a história de como a humanidade, pelo amor de Prometeu ganhou o fogo. E como esse fogo transformou a vida de todas aquelas pessoas. E assim, seguimos em uma reflexão do que faz o fogo ser transformador e como determinados sacrifícios, como o de Prometeu, nos mudam e transmutam.

Em seguida, falamos sobre o fogo de Hefesto, o deus fogo, o deus chama e como o fogo pode ser nosso trabalho, o bater de nossas mãos efetivamente para transformarmos o que precisamos, o que desejamos. Como podemos fazer de matéria bruta, grandes e lindas obras de arte?

Por fim, o fogo de Héstia que aquece nossos lares e corações. E nisso, tudo que eu penso é como, para esquentar nossos lares, precisamos, primeiramente, aquecer as pessoas.

Foi uma tarde muito gostosa... e mês que vem tem mais. A próxima será dia 6 de junho, às 14hs. O tema será "Pensamento Mágicko". Todos mais que convidados!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Feitiço de família

Minha bisavó fazia quando minha avó era criança. E minha avó aprendeu. E sempre que tinha alguém doente em casa, eu já sabia exatamente. Quase gostava de estar doente só para participar daquele pequeno mistério. A panela era sempre a mesma. Usada só para isso. Sagrada na sua forma torta e rebatida, que já tinha muitos anos de idade, era dos presentes do casamento.
Minha avó morreu quando eu tinha oito anos de idade. Como é usual nessas coisas, as vezes se pula uma geração. Minha mãe nunca soube fazer.

Mas assim que eu tive autonomia em usar o fogão, aprendi. Desde então, assumi isso. Se fico doente, é sagrado. Agora, tenho um filho. Raro ficar doente, bezerro amamentado no peito até depois dos três anos de idade. Mas as vezes, como hoje, fica.

Enquanto separo ingredientes e procuro uma panela (ainda não tenho uma propícia só para isso...), explico a ele que nada é melhor quando se está doente. Que é um santo remédio e que vai ficar bem, só precisa esperar um pouco para tomar esse remédio. Meço as colheradas precisamente, porque não tenho ainda a habilidade de fazer, apenas de olhar, esses cálculos.

Uma xícara de leite
Duas colheres de sopa de maizena
Duas colheres de sopa de açucar
Duas colheres de sopa de chocolate

Misturar tudo que é pó. Depois, derramar o leite aos poucos para não empelotar. Se possível, por baunilha. Deixa um gosto bom e perfuma a cozinha. Para os mais velhos, se põe canela, se gostarem.

Minha bisavó fazia quando minha avó era pequena. E ficou essa magia simples de que, enquanto minha avó falava isso, eu imaginavaDona Inácia Judith, de avental, cozinhando mingau para as filhas e explicando que aquilo passava, que era um santo remédio. Eu, pequena, sentada em cima de almofadas para alcançar a mesa da cozinha, assistia impassível minha avó cozinhando no fogo baixo a maizena. Hoje, é meu filho quem fica me ouvindo, enquanto cozinho o mingau e conto história de sua bisavó, sua tataravó.

Magia antiga, poderosa. Amor transformado em papa doce e quente, com gosto de chocolate.






e aqui, outra história de como isso é significativo...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Prometália, Vestália, Festa do Fogo

Meio de inverno... o que mais queremos?

Fogo para manter aquecidas e protegidas. E o que é mais interessante? Homenagear o fogo em meio à nossa estiagem... Quem sabe ele se agrade e não nos seque completamente.

Eu tenho uma impressão meio dúbia do inverno... pq eu detesto frio... me dói nos ossos. Mas assim eu quero e mt o aconchego do fogo e quero o braço amado dos meus Ancestrais perto de mim. E isso me acaricia e me deixa feliz... eu quero o calor do inverno. E isso se dá quando nos entregamos em nossa devoção aos Deuses, à família... às famílias...

E, no começo de agosto, quando ainda o inverno tem, mais ou menos, 45 dias, recebemos com todo amor o Fogo de Prometeu. Garantimos nossa sobrevivência pelo fogão, pela fogueira, pelo lararium... Garantimos que nossas famílias continuem sendo protegidas e crescendo.

Nos unimos em torno do rams de erva-doce em chamas e rezamos: Obrigada, Prometeu! Nós agradecemos o presente, pois nele vemos um pedacinho dos Deuses do Fogo!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Fogo que transforma


Mais um post da minha série sobre deuses do Fogo.

Hefesto é considerado um deus feio. Ninguém liga muito para ele. Os motivos dados são que ele é coxo e foi passado para trás pela linda Afrodite algumas vezes.

A maioria das pessoas o vê com os olhos da Beleza. Uma pena... Ele tem tanto para nos ensinar!

O que seria de nós sem trabalho? Não só porque precisamos pagar nossas contas no fim do mês, mas porque tudo que temos, que precisamos, que compramos e que usamos tem um trabalhador em um ou em vários lugares nos proporcionando isso. Hefesto é trabalho, é oficina, é manufatura. Ele forja os raios de Zeus, as armaduras de Ares e de Atenah. O que seria do guerreiro sem seu elmo de bronze?

Hefesto é fogo. É vulcão. Penso em seu correspondente romano, Vulcano, que destruiu Pompéia, mas mesmo assim conservou as casas e os corpos. Ele não destruiu, na verdade: transformou. Assim como transforma o ferro bruto em objetos úteis. Graças à sua força, podemos hoje conhecer um pouco mais da vida daquele povo. Acho tão significativo e tão bonito, o deus dos artesãos conversar para nós algo que ele mesmo destruiu.

Nessa época de fogo, junto ao calor morno e aconchegante de Vesta, vem o fogo quente e pulsante de Vulcano.

Para quem quiser ler os mitos de Hefesto, há material no Grecia Antiga.org e o eterno Theoi Project.

Imagem do
Art of The Empath

terça-feira, 29 de julho de 2008

Vesta dos nossos fogões

Nestes tempos em que pensamos no fogo que aqueceu o Inverno, que nos uniu e nos deu alimento, chega a hora de agradecer aquela que nos aconchega com seu calor: Héstia, também chamada de Vesta, a deusa do fogo e da lareira, a que zela pela manutenção das famílias e da ancestralidade.

Héstia é uma das filhas de Cronos e Rhea. Irmã mais velha dos outros e, consequentemente, primeira a ser engolida pelo pai e última a ser liberta pelo irmão Zeus. Depois que seu irmão caçula conquistou o poder, ela assumiu seu lugar entre os olimpianos.
Quando seu sobrinho Dionísio chega ao Olimpo e reclama seu lugar junto aos deuses, Héstia cede sua cadeira e seu posto e pede ao Tonante que sua morada seja, agora, a lareira das famílias. Assim, a deusa se muda para a casa das famílias, para o fogo doméstico, para cuidar mais de perto de seus domínios.

Essa é a segunda concessão que Zeus faz à Héstia. A primeira é quando ele permite que ela seja sempre virgem. Nada mais adequado para a deusa que cuida da família, já que nas sociedades gregas e romanas a mulher, quando casava, tornava-se parte da família do marido e passava a ser sacerdotisa de sua religião doméstica. Uma mulher virgem, sem marido, continua sendo parte da sua família e, assim, continua prezando por ela.

Héstia toma conta de sua divina família, dos filhos e netos de Cronos. E toma conta, também, do nosso fogão e do nosso fogo doméstico, que aquece a casa, que cuida do lar, que nos mantém juntos no Inverno.

Mais sobre Ela no Theoi Project e no A Muse-in-Grace-Gallery