Mostrando postagens com marcador deuses. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador deuses. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de julho de 2010

Ísis e Deméter

Ísis e Hórus
Terminei a pouco a leitura de um artigo chamado "Isis and Demeter: Symbols of Divine Moterhood" (Ísis e Deméter: Símbolos de Maternidade Divina). Esse é um tema que me interessa bastante, tendo em vista que sou devota de Deméter e que a relação de sua figura com as imagens de outras deusas mães é sempre uma discussão bem vinda.

O que gostei no trabalho foi a iniciativa do autor de contradizer teorias anteriores que sustentam a semelhança entre as duas deusas e a hipótese de que os Mistérios de Eleusis (cultos secretos em honra à Deméter e à Perséfone, relacionados com imortalidade e renascimento) seriam simples adaptações dos mistérios de Ísis.

O autor, um acadêmico chamado Vincent Arieh Tobin, do American Research Center in Egypt (Centro de Pesquisa Americano no Egito), sustenta que as similaridades entre Ísis e Deméter são menores do que suas diferenças. Para ele, o ponto central da questão é que Ísis é uma deusa muito mais relacionada a questões políticas do Egito, como a posse do trono e a validação do poder do Faraó, do que Deméter. A deusa grega tem uma relação mais intensa com a natureza em si do que com a política, e parece ter sido menos influenciada por sistemas religiosos patriarcais do que Ísis teria sido. Além disso, ele defende que diversas divindades egípcias teriam relações com símbolos de maternidade - Nephtys, Hathor, Nut - enquanto que, dentro do pensamento mítico grego, Deméter é a deusa mãe por excelência.

O autor colocar que os gregos relacionaram ambas por seus mitos girarem em torno do tema da busca por um ente querido perdido e por serem "mães sozinhas" (single parent, no original). Mesmo aí, temos diferenças entre ambas. Ísis busca o corpo do marido morto, enquanto Deméter busca a filha viva; Ísis é a imagem da esposa devotada à memória e ao legado do marido, enquanto Deméter mesmo tendo tomado consortes, não se casa. Essa última referência, segundo Tobin, pode mostrar uma relação da deusa helênica com divindades ctônicas femininas da pré-história, que não tinham relação direta com nenhum consorte.

Deméter
Por fim, o pesquisador defende ainda que os mistérios de Ísis não são um atributo original dessa deusa, tendo sido aplicados a ela por gregos e romanos em períodos posteriores ao apogeu do Egito, sendo contemporâneos aos Mistérios de Eleusis. Logo, não seria possível que houvesse uma adaptação, nem que Deméter fosse um derivado direto, porém modifica, de Ísis. Ele afirma ainda, de passagem, que os cultos eleusinos derivam de mistérios Minóicos (cretenses), não egípcios.

Eu discordo de alguns pontos colocados pelo autor, como por exemplo de que Ísis é uma divindade mais complexa do que Deméter. Acho que ambas são complexas em seus próprios escopos. Mas em geral acredito que é um trabalho muito bom, que vale a pena ser lido. O único problema é que ele está em inglês e não existe tradução do material.

O PDF com o artigo pode ser baixado neste link.

Se alguém conhecer o autor e tiver mais informações dele (como biografia, áreas de interessa, universidade em que atua etc) eu agradeço, porque até agora não consegui encontrar muita coisa.

domingo, 16 de maio de 2010

Mais uma sobre alimento

Gaia, a primeira deusa da Terra.
A Dani Sales, minha amiga do blog Mulher Verde, me mandou um texto muito legal sobre a relação de Deméter com a alimentação. O artigo fala, ainda, de como a deusa relaciona-se com Gaia e da forma como ambas tem aspectos similares de divindades férteis e nutridoras.

O texto todo, da pesquisadora Harita Meenee, pode ser lido neste link (em inglês), mas aqui eu ressalto duas passagens que achei interessantes. Fiz uma tradução livre.

"Pode soar estranho hoje em dia, mas religião e comida já foram intimamente conectadas. Garantir provisões adequadas para a sobrevivênvia era uma das principais preocupações no alvorecer da humanidade. Desde que toda a comida vem da Terra, ela veio a ser considerada como uma generosa Deusa Mãe, que cuida de sua descendência, humana ou de outro tipo. Assim, ela necessita ser propiciada e agradecida, para continuar doando suas provisões. Precisamos apenas pensar um pouco para imaginar que os primeiros ritos e oferendas tinham essa intenção. (...)

(...) O corpo de uma mulher e o corpo da Terra são similares na mente antiga: um dá à luz a crianças humanas, o outro às plantas. Os dois garantem a continuidade da vida. Na Grécia, em seus dias agrícolas, os produtos eram às vezes chamados de
gennimata, as coisas nascidas da terra. (...)".

Vale a pena ler o artigo todo, no qual a autora desenvolve essa relação com mais eloquência. Mas por esses trechos já é possível traçar um paralelo entre a importância do alimento e a importância de um culto à uma Deusa Mãe relacionada à terra.

Deméter como deusa do alimento e da colheita.
É interessante pensarmos nisso nos dias de hoje, porque a maioria de nós encontra alimentos industrializados no mercado, independentemente da época do ano. Mesmo quando não estamos na safra de um determinado vegetal, conseguimos encontrá-lo congelado ou até mesmo in natura. Com isso, perdemos a noção do caminho que o alimento percorre e, principalmente, da necessidade de colhê-lo ou estocá-lo direito. Compramos e jogamos fora a comida com uma enorme facilidade, que não existia nos tempos em que os primeiros cultos às deusas mães começaram a surgir.


Mesmo com a industrialização dos alimentos há, no começo da cadeia produtiva, uma semente que foi plantada em um pedaço de terra, ou uma árvore que está crescendo e dando frutos há anos, ou um cereal que foi colhido e virou ração para o gado ou o porco que compramos morto e congelado no açougue. Portanto, como pagãos e cultuadores do ciclo da natureza, penso que é importante termos essa consciência de que há, sim, uma terra fértil que alimenta a todos.


Não quero ser doutrinária e dizer que todos devemos prestar honras à Deméter, Gaia, Ceres, Rhea ou outra divindade da terra. Mas creio que é um assunto que pode estar na pauta do dia.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um pouco sobre Hécate

Dando continuidade à ótima idéia da Inês de falar sobre Demeter, e a Pi de falar sobre Apolo, me vi pensando sobre qual divindade deveria ser meu foco aqui. Acabei decidindo falar de Hécate, porque meu trabalho como streghe é feito sob os auspícios da Trívia.

Hécate é uma deusa muito incompreendida. Isso é definitivamente o maior lugar comum com que se pode começar um texto sobre ela, mas é verdadeiro. Aliás, muita gente que diz que ela é incompreendida também não entende muito bem quem é Hécate e principalmente (porque não tenho a pretensão de compreender os deuses), como ela se relaciona com os mortais.

Meu primeiro contato com Hécate foi no mínimo inusitado. Foi lendo o Manual do Escoteiro Mirim. Lá, eles em uma parte sobre simpatías, sorte, tradições, ensinavam a fazer a Ceia de Hécate, como devia ser preparada a comida e deixada numa encruzilhada para que os cães de rua lidassem com a oferenda, porque eles são os enviados de Hécate.

Bem coisa dela, estar em um lugar tão surreal como o Manual do Escoteiro Mirim.

Bom, com isso dá para perceber que essa relação é um "namoro antigo".  Mas só iria para frente muito tempo depois, quando encontrei uma chave antiga no meio de uma encruzilhada em Y, e passei a andar com a chave pendurada todo o tempo no pescoço. Estava passando por situações bastante complicadas, e foi graças a Hécate que fui capaz de sobreviver ao turbilhão em que me encontrava.

  A Trívia não é uma deusa sempre doce, gentil e agradável. Na verdade, é uma deusa exigente e rígida. Mas isso é característico de divindades que, como ela, criam uma relação tão próxima dos devotos, e que na medida com que é exigente, dá em troca todo o auxílio que se pode precisar.

A primeira coisa que preciso dizer sobre Hécate é que a visão de Hécate como uma anciã é uma percepção moderna que em nada se relaciona com o modo como os povos antigos a viam. Pelo contrário. Acho que o melor exemplo disso é este vaso grego de cerca de 500 antes do tempo comum:

Hécate é representada usualmente como jovem, "donzela". Sim, ela é Trívia, tem três faces, mas nas suas representações clássicas, todos seus três rostos são jovens. Isso já muda muito da nossa percepção sobre ela. Não estamos falando de uma energia de menopausa, mas de juventude : ela é a protetora das crianças e dos partos, afinal de contas.

Não quero dizer que quem a vê como anciã está errado. Mas é importante entender que os antigos não a viam assim. O conceito de donzela-mãe-anciã não é um conceito que se aplicasse na antiguidade clássica, e a Trívia é, sim, antiga, mas como imortal, não envelhece, se mantendo sempre no auge da sua força.

Hécate é uma divindade que era muito cultuada em conjunto com outros deuses por ser vista como uma "advogada", "intercessora" pelos homens (sim, está entre aspas porque são termos usados ligados à Maria cristã, mesmo). Assim, quando era preciso pedir que um deus o favorecesse, as orações e sacrifícios eram feitos para a divindade de quem se desejava o favor e també para Hécate, pois ela intercederia em favor dos mortais, aproveitando o fato de que seu poder se extende por "terra, mar e ar".

Se a Trívia está relacionada aos mortos? Sim. Como condutora e senhora dos caminhos, é ela também quem guia as almas dos mortos para o Outro Mundo, e tem poder para afastar/comandar fantasmas e espíritos.

Senhora da noite, se torna também senhora da magia, mas isso é assunto pra outra hora... porque só o conceito de magia naquela época e como é diferente de hoje em dia, já dá um texto enorme.

Por fim, é interessante pensar que Diana, embora se assemelhe a Ártemis, também é muito semelhante à Hécate, por isso acho impróprio compara-la com as divindades gregas. Diana é... Diana, senhora da noite, da lua, das bruxas e dos cães, e nisso ela se assemelha muito mais à Trívia do que a Ártemis, mas ainda assim, não acho que possamos traçar uma equivalência precisa no caso dessas deusas gregas e romanas.


Vou ir falando mais sobre Hécate e sobre o trabalho de magia que Hécate ensina e orienta aos mortais. Espero que gostem. Dúvidas, sugestões, pensamentos, é só falar.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Um pouco sobre Ares

A Ametista - que tem aparecido bastante por aqui ultimamente :) - deixou um comentário no nosso mural perguntando sobre Ares. Nós três aqui do blog mantemos devoção por ele, mas eu resolvi fazer um post contando um pouco da minha experiência.

Ares e Deméter apareceram na minha vida na mesma época. Só que, enquanto o culto a Deméter demorou mais para se estabelecer e é tem uma característica sazonal, exigindo diferentes ritos, oferendas e posturas de acordo com a estação do ano, o de Ares foi mais fluido. Seu culto é relativamente simples, mas exige dedicação e muita disciplina.

Vejam bem, relativamente. Na prática, nenhum culto a nenhum deus é simples, porque mais cedo ou mais tarde eles nos levam para caminhos de auto-conhecimento e de trabalho que podem dar uma certa dor de cabeça.

Mas, voltando a Ares...

Obviamente, ele é um deus da guerra, mas muito diferente de Athena. Ele é tido pelos gregos como "O Sujo de Sangue", o deus que se alegra na batalha e na carnificina. Ares é o deus do furor da batalha e, segundo Homero, ele não vê amigos e inimigos, apenas luta porque gostado sangue e da matança. Para os gregos, ele não possuía os atributos estrategistas e sábios de Athena, porque ele é outro aspecto da guerra.

Ele é um deus de violência, de raiva, de paixão, de proteção, de disciplina e de força. Cultuar Ares é entender que a guerra é necessária para o mundo, e que nós travamos pequenas batalhas todos os dias.

O culto a Ares vai levar o devoto a ter essa compreensão. Mas também vai levar a muitos aprendizados sobre coragem, força e disciplina.

Quem tem um texto muito bom sobre Ele é a Alexandra, do Reconstrucionismo Helênico no Brasil. Pode ser lido na seção de Mitologia do Tribos de Gaia, clicando aqui.

P.S.: recuperei um dos textos perdidos... o outro já era... :(

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Da concepção de Ares

De Lária. Tradução livre minha.
http://eternalhauntedsummer.com/index.php?p=1_17_The-Conception-of-Ares

A concepção de Ares

Ela passou suas mãos sobre seus ombros nus e beijou seu pescoço. Ele, cansado de trovejar, só pode levantar suas mãos em meio protesto. Não deveríamos – os outros – Hera, seja razoável, ele sussurrou, antes que ela beijasse seus protestos de seus lábios e levou seus dentes ao nariz dele. Ele colocou suas mãos em seus cabelos, e sobre sua pele alva, e a beijou. Os tecidos dos tronos foram ao chão, junto com seus corpos que entravam em harmonia e o rei e a rainha dos deuses se amavam de novo.

Eles eram apaixonados. Ele não podia resistir a ela; e ela sempre tinha prazer em vê-lo novamente. Ela é o semelhante dele – ele rege os homens, ela, as mulheres. Eles viviam e riam e amavam juntos, e geralmente, perdiam dias em seus prazeres. O trovão rugia entre eles, duas forças colossais da natureza juntavam-se, beijando-se e se tocando. Eles não apenas faziam amor: faziam guerra com seus corpos, faziam o caos com suas almas.

Foi sob essa influencia que Ares foi concebido. Hera sentiu sua luxúria pulsando antes que ele nascesse: ele a levou a Zeus, muitas e muitas vezes. Os beijos dela se tornaram mais afiados – ela tirava sangue, e não se satisfazia facilmente com o sabor dele em sua boca.

O que estou me tornando? Quem estou me tornando? Ela perguntava a ele, quando ele se distanciava. Seus belos lábios foram cortados pela paixão dela – mas ela não se sentia culpada. A fome fazia seu corpo tremer, fazendo um fogo ir dela para ele, dele para ela e o fogo entre ambos tinha uma chama muito alta. Mas, enquanto Zeus se esquivava desse fogo, se protegendo das chamas, mais ela ia em sua direção.

Eu não sei, ele diz. E isso era tudo. Ela foi para cima dele, com raiva, luxúria e necessidade, e ele a deixou.

De fogo, ele foi concebido; e no fogo ele nasceu: com esse primeiro golpe, com essa primeira batalha, as lanças se levantaram. O olhar de Zeus se perdia enquanto Hera gritava e se esforçava para trazer essa criança à luz. Zeus beijou outras mulheres enquanto Hera segurava seu belo bebê nos braços, o punha ao seio; e Ares se prendeu à pele dela. E enquanto seus dedos firmes agarravam a pele de Hera, Zeus fertilizava um outro ventre.

As nuvens, como sempre, se dispersaram; mas não sem a manifestação da ira de Hera acontecer e uma outra mulher morrer. Ares ria, seus olhos brilhando com amor e ódio, enquanto o olhar de seu pai ia para outro lado. Ele entraram em seus papeis por sua própria conta – ela golpeando, ele retrocendendo – agora isso não poderia ser desfeito. Tudo que Hera tinha para consolá-la era Ares, seu amado Ares; e então Zeus voltou para ela com sussurros de amor, e ela se deixava perder nele novamente.



[Laria é uma polisteísta helênica e assim vem desde junho de 2009. Tem devoção particular a Afrodite-Ananke, Ares e Rhea-Kybele, entre outrs. Ela escreve poemas e ficção há 6 anos e pode ser contatada por email.]

2010 - Ano de Vênus

Mais um ano astrológico desponta... e como há 7 anos atrás, Vênus será a nossa regência até março de 2011, quando a Lua despontará no céu.

O ano de Vênus pressupõe muita criatividade e beleza. Em termos de astrologia, estamos falando do regente dos signos de Touro e Libra. Estamos falando de estabilidade, beneces, bens materiais, beleza (Touro) e de harmonia, equilibrio e um pensamento profundo sobre questões (Libra), e pensando que os lados não tão legais sejam basicamente a teimosia e indecisão. A energia de Vênus é uma que nos traz união, equilibrio, beleza e cuidado com o que é material.

Se pensarmos na deidade Vênus, estamos falando da deusa romana das mulheres, e da grega Afrodite, deusa do amor e dos passos da primavera. Estamos falando de amor, sensualidade, harmonia, mas também de ciúmes, brigas e um sendo estético que pode ser levado para lugares não necessariamente bons ou interessantes.

Em umas pesquisas que eu andei fazendo pela web, tenho notado uma importância especial de Saturno durante 2010, uma vez que ele está sobre o signo de Libra que é um dos regidos por Vênus e acho isso interessante, pois será um ano para entendimento de questões librianas pela ótica saturniana, que é uma de lições e de efetiva estruturação de vida e de responsabilidades. Acho que vai ser, para nós librianos, um ano para aprender que os relacionamentos são feitos de respeito e que tudo que se faz entre nós e os outros exije respeito e alicerces firmes... e acho que esses foram iluminados e mostrados durante o ano do Sol.

Uma previsão mais detalhada para os signos pode ser encontrada aqui: http://delas.ig.com.br/comportamento/astrologia+para+2010+o+ano+de+venus/n1237532715554.html

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Apollo - um Deus de mts faces

Seguindo a ideia da Inês, que começou com os postings de Deméter, sigo com alguns textos sobre Apollo, seu culto e seus muitos jeitos de ser. Esse é o posting 1, para pensar nas andanças do Deus da Luz do Sol e um pensamento de como sua flecha, de origem oriental, turca, muito provavelmente, atinge ao longe... até as terras celtas (provavelmente onde ficavam os hiperbóreos).

Um bom lugar para começar uma pesquisa sobre Ele é pelo Theoi Project e de lá, retirei algumas dessas primeiras informações - e algumas da Wikipedia.

A primeira coisa que eu pensei é como Apollo é um deus de muitas faces e assim, de um culto muito amplo mesmo. Isso quer dizer que além de muitos títulos e formas de culto, Apollo assumiu inclusive muitos nomes em diferentes locais, diferentes nações, da Itália e da França celta e em parte da Austria.

"Apollo, como outras deidades gregas, tinha um número de epípetos que se referiam a ele, refletindo uma variedade de papéis, trabalhos e aspectos dados ao Deus. Porém, enquanto Apollo tem tantos nomes na mitologia grega, poucos aparecem na literatura latina (romana), a qual encontramos PHOEBUS (o brilhante), que também era usado pelos gregos em sua face de Deus da Luz.
Em seu papel de curador, seus nomes incluiam Akesios e Iatros, significando "o que cura". Ele também era chamado Alexikakos "o que restringe o mal" e Apotropaeus "o que manda o mal embora" e também era referido pelos romanos como Averruncus "o desviador do mal". Como Deus das Pragas e defensor contra ratos, Apollo era conhecido como Smintheus "o que caça ratos" e Parnopius "o grilo".

Os romanos também o chamavam Apollo Culicarius "o que afasta a doença". Em seu aspecto de cura, os romanos o chamavam de Medicus "o médico" e tinham um templo a ele em Roma, provavelmente perto do templo de Bellona.

Como Deus da Arquearia, Apollo era conhecido como Aphetoros "deus do arco" e Argurotoxos "com o arco de prata". Os romanos se referiam a ele como Articenens "o que carrega o arco".

Como um Deus Pastoral Apollo era conhecido como Nomios "o que anda".
Apollo também era conhecido como Archegetes "o diretor da fundação", o que assistia as colônias. Era conhecido como Klarios "lote de terra", por sua supervisão sobre cidades e colônias.

Outros nomes de Apollo era Delphinios significando "do útero" em sua associação com Delfos. Em Delfos, ele também era conhecido como Pythios. Uma aitiologia nos hinos homéricos ligam esse epíteto com os golfinhos. Kynthios era outro epípeto, o ligando a seu nascimento no Monte Cynthus. Também era conhecido como Lyceios ou Lykegenes "dos lobos" e "da Lícia", onde alguns postulam que seu culto teve início.

Especialmente como Deus da Profecia, Apollo era conhecido como Loxias "o obscuro". Também era conhecido como Coelispex "o que vigia os céus" pelos romanos.

Apollo recebeu o epípeto de Musagetes como líder das Musas e Nymphegetes como líder das ninfas.

Acesius era o sobrenome de Apollo sob o qual era cultuado em Elis, onde um templo na ágora fora eregido. Esse sobrenome, que tem o mesmo significado de "aquele que evita o mal."

Entre os celtas:
"Apollo era adorado ao longo de todo o Império Romano. Nas terras celtas, era tradicionalmente visto como um deus solar e de cura, assim ganhava qualidade de outros deuses celtas com as mesmas características.
Apollo Atepomarus "o grande cavaleiro" ou "o que possui um grande cavalo" era cultuado em Mauvrieres. No mundo celta, o cavalo era ligado ao sol.
Apollo Belenus "o brilhante". Esse epípeto foi dado a Apollo em partes da Gália, Norte da Itália e Noricum (na moderna Austria). Assim, era um deus solar e de cura.
Apollo Cunomaglus "senhor dos cães". Um título dado a Apollo num templo em Wiltshire, provavelmente como um deus da cura.
Apollo Grannus. Grannus era um deus de fontes de cura, posteriormente igualado a Apollo.
Apollo Moritasgus "massas de água do mar". Um epípeto de Apollo em Alésia, onde era cultuado como Deus da Cura, provavelmente como deus dos médicos.
Apollo Vindonnus "o da luz clara". Apollo Vindonnus tinha um templo em Essarois, perto de Chatillon-sur-Seine na Borgonha. Ele era um deus de cura, especialmente para os olhos.
Apollo Virotutis "o benfeitos da humanidade". Apollo Virotutis era cultuado em locais como Haute-Savoire e Maine-et-Loire."

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Oferendas para Deméter

Como eu sou muito boazinha (ô mentira deslavada... rs), neste post da série sobre culto à Deméter, resolvi colocar mastigadinho para vocês algumas dicas de oferendas para a Deusa.

Para ler os outros posts da série, cliquem aqui e aqui.

- Comida: carne de porco, trigo, comidas com grãos, pão;
- Bebida: cerveja, tanto de cevada quanto de trigo (tipo Weiss);
- Velas: verde, marrom, azul escura;
- Incenso: ópio, olíbano;
- Ervas: melissa;
- Flores: papoula;

Acho que textos e poemas são também uma boa oferenda. Se você não quiser criar nenhum, sugiro a leitura do Hino Homérico à Deméter (ou de um trecho, já que ele é gigante) e do Hino Órfico. Alguns autores que recontam os mitos também são legais, por exemplo, O Carlos Calasso e seu "As Núpcias de Cadmo e Harmonia".

Essas oferendas foram ideias tiradas de várias fontes, como site do Reconstrucionismo Helênico no Brasil, o Theoi Project, o livro "Archetypal Image of Mother And Daughter" (Karl Kereny) e de conversas com outros pagãos por aí.

________________

Ainda está rolando as inscrições para o sorteio de um exemplar do livro "Aradia". Para saber como se escrever, leia este post.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A relação de Deméter com a comida

Segundo post da série sobre culto a Deméter. Para conferir o primeiro, clique aqui.

Fazer pão sempre foi parte das minhas oferendas e do meu culto para Deméter. Primeiro, porque Ela é a Deusa que ensina a humanidade a isso. Segundo, porque seu principal domínio é o alimento. Além de tudo o que eu falei na primeira parte desta série, Deméter é essencialmente a deusa da comida.

Na Grécia Ela é - ou era- a Senhora dos Trigais. Ela é a mãe do trigo, a responsável pelo seu crescimento. Seu cabelo é retratado como dourado, por essa ser a cor do trigo maduro. E se pensarmos em uma sociedade na qual uma das bases da alimentação era o trigo, faz muito sentido ele ser identificado com uma divindade maternal e provedora.

Aqui no Brasil nós temos uma produção de trigo pequena, se comparada a outros países, concentrada na Região Sul. O clima frio de lá é o único no qual a planta se adapta por aqui. O trigo precisa de um tempo não muito quente, nem úmido demais, e por isso não se desenvolve em outras regiões do país. Então, em uma terra como a nossa, não acho errado cultuá-la como a senhora de todos os grãos, não só do trigo. Principalmente porque a base da nossa alimentação, o arroz e o feijão, são grãos.

Minhas oferendas para ela já comportaram soja, feijão, arroz e milho. E, sempre que possível, carne de porco, já que esse era seu animal sagrado. Segundo Karl Kereny em seu livro "Archetipical Images of Mother and Daughter", sobre os Mistérios de Eleusis, a purificação dos iniciandos era feita com sangue de porco e, depois de morto, o animal era assado e todos compartilhavam da carne. Tem relatos que contam que o templo de Deméter cheirava a carne assada.

Por isso eu sempre prezo pelo alimento nas oferendas de Deméter. E sempre que eu faço pão em seu nome, eu dou para as pessoas comerem. Se eu abro uma cerveja para Ela, separo um copo (que depois eu despejo na terra) para o altar, e o resto eu tomo. Evito ao máximo o desperdício nas oferendas de Deméter. Não acho que a deusa gostaria disso.

Para aqueles que estão começando uma aproximação com essa deusa, eu indico começar pela comida. Agradecê-la na hora das refeições é um primeiro passo. Lembrar Dela quando for cozinhar é outro. Oferecer um gole da sua cerveja para a deusa - pode ser a de cevada mesmo - também é uma boa forma de começar.

O que eu coloquei aqui é apenas um começo. Para se aprofundar no assunto, eu indico o capítulo sobre as deusas mães do livro "O Poder do Mito", de Joseph Campbell.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Quem é Deméter?

Primeiro post da série. Espero que gostem. Só que está um pouco grande...

Quando Deméter entrou na minha vida, em 2007, eu não sabia direito quem Ela era e não entendi, a princípio, porque uma deusas dessas ia estar comigo. Assim como a maioria das pessoas, eu atribuía à Deusa apenas atributos maternais que não tinham lugar na minha vida aos 21 anos. Mas aos poucos eu fui conhecendo a divindade, seus diversos atributos, suas formas de culto, suas oferendas... e assim eu entendi que, realmente, temos muito em comum.

Apesar de sempre lembrarmos do mito do rapto de Kore, um episódio que reforça o caráter materno de Deméter, essa não é sua única característica. A chave para entende-La é, na verdade, o pensamento de que Ela é uma deusa da terra e a patrona da agricultura. Por conta disso, ganha atributos de mãe: porque Ela é a terra fértil e cultivada que fornece o alimento dos humanos. Por isso seu nome significa, literalmente, Deusa-Mãe - das raízes Da, Deo ou Do, Deusa, e do sufixo Meter ou Mater, Mãe.

Foi Deméter quem ensinou Triptolemos a cultivar o trigo e a fazer o pão, e foi em seu carro puxado por serpentes que ele andou pelo mundo repassando seu conhecimento às pessoas pelo mundo. Por isso, é graças à deusa e sua benevolência que os mortais deixam de ser nômades e, assim, começam a constituir cidades e sociedades - já que, com a agricultura, eles não precisavam ficar se mudando toda hora em busca de comida. Por isso, Ela também é considerada uma deusa civilizatória, mesmo tendo uma intrínseca relação com a vida campestre por seus atributos agrícolas.

Atributos, esses, que ela não perde mesmo nos cultos urbanos, por ser uma deusa da terra. Com isso, podemos ter uma outra interpretação do mito do rapto de sua filha. Ele nos mostra claramente a transformação da plantação durante os vários períodos do ano: primeiro ela é a semente escondida na terra, que transforma-se em broto, amadurece e é colhida. Essa é a alegoria chave já que Kore, retorna na Primavera como o broto do trigo e vai para o Hades, no final do Verão, como a planta que é colhida e, portanto, morta. Mas como a agricultura - e a vida - consiste em ciclos, fica sua semente, que permite que ela seja plantada novamente e que tudo volte. Por isso Kore-Perséfone vai e volta, todos os anos, da Mãe para o marido, do marido para a Mãe.

Além dos seus ciclos com Kore-Perséfone, Deméter tem um papel importante como uma das Crônidas, os seis filhos de Cronos e Rhea. Ela é uma das mais velhas, nascendo logo após Héstia e antes de Hera. Para mim, as irmãs representam os três aspectos essenciais da constituição do genos (família) na maioria das pólis da Grécia: Ancestralidade (Héstia), Maternidade (Deméter) e Casamento (Hera). Porém, por ser uma deusa solteira, que toma consortes mas não se casa com eles, ela mantém uma certa independência que Hera não tem, e quem nem mesmo Héstia, que abdica do casamento e do sexo, possui.

Outra característica marcante de Deméter nesse aspecto é sua soberania. Ela é uma mãe de muitos filhos, inclusive de descendentes de dois reis entre os deuses, Zeus e Posídon. Além disso existe o romance famoso com o agricultor Iasion (que alguns autores dizem ser, na verdade, o herói Jasão), que gerou Pluto, o deus da riqueza. Mas, em nenhum momento, existe a citação ou a intenção de casamento entre Ela e seus amantes. Deméter é o tipo de mãe que entende os filhos como dela, não dos pais. Ela gera, alimenta, dá a luz e cria sem a interferência masculina - só na concepção. Há, ainda, um traço de características de deusas da soberania da terra, porque ela pode ser amante, pode gerar filhos dos reis, pode dar sua filha em casamento a outro rei, mas ela não se submete totalmente a nenhuma deles.

Portanto, Deméter é uma divindade da terra, da fertilidade, patrona da agricultura. É, ainda, fortemente associada à maternidade e à soberania da terra, que mesmo explorada pelo agricultor não é completamente domada. E é uma deusa de muitos epítetos e muitos domínios.

O culto a Deméter era essencial em diversas cidades gregas (como Atenas, por exemplo) e depois foi instituído em roma, quando Ceres foi associada à deusa grega. Os ritos públicos garantiam a sobrevivência do estado e garantiam que não haveria uma grande estiagem ou uma grande fome. Alguns rito, apenas para mulheres, eram voltados para os atributos de fertilidade e maternidade. E haviam, ainda, os ritos de mistérios - que são um post à parte nessa série.

Eu já fui questionada sobre o meu culto, sobre o por quê ser devota de uma divindade agrícola morando numa cidade como São Paulo. Apesar de não vermos, nós dependemos do que vem do campo. Mesmo que a gente compre cereais integrais em sacos plásticos no mercado, eles vieram de algum lugar que tinha terra e foram plantados em algum momento. Além disso, se pensarmos em Deméter como a deusa que possibilita a criação das civilizações sedentárias, nós não estamos errados em cultuá-las nas nossas cidades.

Vejo em Deméter muitos atributos que pagãos buscam na Grande Mãe cultuada pela Wicca, e até atributos de outras deusas da terra, dos panteões gregos e romanos e até de outras culturas, como a celta e a africana. Não estou dizendo que todos devem cultuá-la, obviamente, mas que ter essa visão nos ajuda a compreender os ciclos da terra e a necessidade de honrarmos uma deusa mãe, independente de qual for.

Fiz uma lista de mitos interessantes de Deméter. Coloquei os links do Theoi Project que, apesar de ser em inglês, é a fonte mais confiável na internet.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nova série de posts - Trabalhando com Deméter

Há algum tempo atrás, eu prometi no meu blog pessoal que iria falar mais do culto a Deméter/Ceres. Isso é coisa rara de encontrar, experiências pessoais de devotos de Deméter. Mas ficou só na promessa... só que eu acho que já é hora de reavivar isso, e que o melhor lugar para esses posts é aqui. Tem mais visibilidade, pode ajudar mais pessoas. E além disso não cabe no meu outro blog, o Escrito em Ametista, que tem uma proposta diferente.

Com isso decidido, passei dias pensando no que escrever até que estabeleci o roteiro. Por isso estou fazendo este post inaugural: quero que vocês conheçam o roteiro e deem sugestões. Inicialmente, pensei nas seguintes pautas:

1 - Quem é Deméter e porque cultuá-la
2 - Fazer pão e a relação da deusa com a comida
3 - Oferendas para Deméter
4 - Ritos privados e ritos públicos
5 - A questão do mistério
6 - A relação Deméter/Ceres

Que tal? Sugestões? Aguardem que em breve eu solto o primeiro.

Só deixando claro, esses textos se baseiam na minha experiência. Lógico que eu estudo bastante sobre a deusa e sobre suas formas de culto, mas tem coisas que você só aprende e vive na prática. Por isso, outros pagãos podem ter experiências diferentes das minhas ou pensar de maneira diferente, mas eles não estarão errados. Nem eu.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Saturnália


Esse ano festejarei a Saturnália. O festival em honra a Saturno, segundo o calendário dos reconstrucionistas romanos, começou ontem e vai até dia 23 de dezembro.

É a primeira vez que vou fazer isso de maneira séria e organizada. Ok, não tão séria e organizada assim, porque eu estaria fora do espírito da coisa. Essa celebração pressupõe perda de seriedade e inversão na organização dos papéis. Pelo que eu estudei do tema, essa é a base de tudo. Escravos eram servidos pelos seus senhores, as pessoas enchiam a cara, faziam orgias e comiam até explodir. Eu não vou fazer a parte da orgia, porque isso não faz muito o meu estilo, e não tenho um escravo... Mas a parte do beber e comer até morrer eu vou fazer. No fundo, é o que a gente faz todo Natal, né?

Dizem que a Saturnália originou vários costumes do Natal, tipo dar presentes. As pessoas trocavam bonequinhas e velas de cera. Eu estou pensando em fazer algo do tipo para os meus amigos, mas não vou contar aqui senão eles vão ficar sabendo e já era a surpresa. E terá ritual, lógico. Já previ colocar nele uma oferenda para Saturno, enfeitar o lugar com coisinhas natalinas mesmo - tipo guirlanda, imagens de sóis e estrelas, que segundo o site do Nova Roma os romanos usavam nessa data - e comprei uma máscara. E, lógico, vou tomar vinho.

Tem sido interessante essa experiência de cultuar Saturno e preparar a festa dele. É um deus que tem aparecido muito para mim, mas do qual eu tinha medo. Acho que eu fui muito influenciada pela imagem do Cronos grego, que tem todo um preconceito por parte das pessoas. Mas Saturno é diferente. Ele é velho e ranzinza. mas engraçado e desencanado.

E também, no fim das contas, não adianta nada fugir do deus. Só piora as coisas, porque o cara vai aparecer de qualquer jeito, você querendo ou não!

Depois coloco a foto dos presentes de Saturnália que preparei e fala um pouco de como foi o rito. Mas só na semana que vem...

Santa Lúcia


Joanna Powell Colbert, autora do Gaian Tarot, bruxa, nos fala um pouco das comemorações do Dia de Santa Lúcia feita pelo seu grupo.

Elas falam de como se homangeia a chegada da luz, um tema típico dessa época de chegada de inverno no Hemisfério norte. E como essa luz aquece os corações e as casas das pessoas que vão passar semanas banhadas pela neve e pelo frio.

Santa Lúcia pode ser Juno Lucinda, a que traz a luz... senhora do céu.

Também, e ai com uma corruptela no nome, Santa Luzia, a senhora dos olhos, como Juno Lucinda que, carregando uma bandeja de pães, que ganharam, posteriormente, a imagem de olhos, é que traz bênçãos e graças.

" A ênfase nos olhos vem da identificação da mulher siciliana Lucia com a deusa ítala da luz, Lucina ou Lucetia. A Deusa, geralmente mostrada segurando uma lamparina e um prato de bolos, que foram confundidos com olhos. Lucetia também é conhecida como aquela que tem os aspectos da Rainha do Céu romana, Juno. Como Juno Lucina, deusa do parto, ela era tida como a deusa que abre os olhos dos recém-nascidos"

Que possamos abrir os nossos olhos para a luz. Independentemente de ser Verão - cheio de luz e alegria - ou Inverno, como no hemisfério norte. É tempo de aproveitar as graças e as bênçãos da luz que nos invade e, agora, nos oferece repouso, descanço e alegria.

Para ler toda a entrada de blog da Joanna, acesse:
http://gaiantarot.typepad.com/artists_journal/2008/12/more-about-santa-lucia.html


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Música ritual

Eu faço parte de um pequeno grupo que se encontra para celebrar os deuses. Dentro desse grupo, tenho algumas funções e, uma das minhas preferidas, é montar as listas de músicas que usaremos nos rituais. Tenho feito esse trabalho há cerca de seis meses, e é bem divertido.

Uns dias antes do rito, quando já decidimos quais deuses serão homenageados, eu peço para as pessoas me mandarem sugestões, pego mais algumas coisas aqui e ali (o que não é difícil quando seu computador tem 15gb de arquivos de áudio), e monto uma ou várias listas.

A única coisa é que você precisa pensar bem para fazer isso. As músicas tem que ter há ver com os deuses. De algum jeito, ela tem que transmitir o que aquela divindade é. Achar uma música assim depende de três pontos: estudar, ouvir e pensar.

Com isso descobri bandas interessantes e músicas diferentes daquela coisa new age chata. Deixo algumas sugestões para quem quiser se inspirar e testar:

- Hermes: "Minor Swing" e "Django's Tiger", de Django Reinhart. Aliás, todas as músicas desse artista.

- Apollo: "Canção da Alegria", de Beethoven; "Cymbeline", Lorenna McKennit;

- Ares: "To Victory", Tyler Bates (trilha sonora do filme "300"); "Of Wolf and Men", Metallica (de preferência a versão do álbum S&M).

- Zeus: "Calling the Twelve Gods", do Daemonia Nymphe.

- Ártemis: "Hunter", da Bjork.

- Dionísio: "Dithyrambos", Melpomene; "White Rabbit", Jefferson Airplane;

Mais alguma sugestão?

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Coleção Deuses, História Viva

Voltou às bancas.

Vale muito a pena.

O primeiro número é sobre Zeus. E o de Apollo eu tb já vi na banca. Esperem por Afrodite, Dionísio, Athena e Poseidon. =)

Fica a dica de leitura!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

De oferendas de cabelos


Original aqui.


Tradução minha.


"No Politeísmo Helênico antigo, os homens e as mulheres cortavam seus cabelos para comemorar mudanças na vida. De acordo com Burkert, esses sacrifícios geralmente aconteciam quando membros da família chegavam a vida adulta. Eles 'cortavam seus cabelos para dedicá-lo a alguma deidade, um rio, um herói local ou um deus, alguns mais abastados ainda viajavam a Delfos para fazer tal oferenda' (Greek Religion, 70)


(...)


Tomou algum tempo até eu decidir em homenagem a qual Deus(es) eu cortaria meu cabelo. Apollo fazia mais sentido, uma vez que ofereço a ele um cultus pessoal. Porém, depois de ler o livro de Fritx Graf Apollo, parecia que oferecer cabelo a ele seria mais adequado para os homens. No mundo moderno, isso parece um tanto obsoleto. E, enquanto eu pensava sobre isso, percebi que a mudança na minha vida - a conquista de um diploma - parecia sob os domínio de Athena.


Decidi, então, oferecer meu cabelo à Ártemis e Athena. Ártemis pelo fim da 'infância', e Athena, por ter completado meus estudos. Hoje, fui ao cabelereiro e cortei boa parte do meu cabelo. Ele foi doado para pessoas que fazem perucas para pessoas carentes.



Salvem Ártemis e Athena, as Deusas Virgens."



Pietra pensando agora...


Me lembro de ver e de passar coisas assim... Incrível como o cabelo faz diferença nas nossas vidas. Tem gente que não corta o cabelo nem a pau. Acha que nunca ficaria bem de cabelos curtos. Outras pessoas, trocam de visual sempre, de forma que tem horas, que precisamos de 5 segundos para reconhecer. De qualquer forma, é claro que a pessoa não faria um sacrifício desses - se bem, que nem se dariam conta de que estariam fazendo tal coisa.


Eu vi dois casos interessantes. Um deles, foi minha amiga que se casou. Ela deixou o cabelo crescer por mais de um ano para poder garantir um penteado satisfatório para sua cerimônia. E agora que tudo passou - casamento, festa, lua-de-mel, ela decidiu que vai cortar. Tremenda mudança. Outra, foi uma strega que, para sua Deusa, além de cortar seu cabelo o entregou para a Deusa no mar. Vale mencionar também uma outra amiga que prometeu o cabelo ao Deus do Mar quando conseguisse chegar a Irlanda.


Acho tudo isso muito bonito. Os casos mais clássicos que eu conhecia eram das grávidas que entregavam seus cabelos à Vesta e Diana para que seus filhos fossem saudáveis e tivessem um bom parto.


Faz dois anos que eu venho deixando meu cabelo crescer. Basicamente para Apollo, uma vez que me disseram que Ele gosta de longos cabelos. E tenho gostado muito dos resultados. Para quem ficou 13 anos cortando o cabelo toda vez que ele perdia o corte, é um tremendo sacrifício. Hoje eu me acostumei e gosto muito... e fico pensando, quando eu sacrificaria meus cabelos, agora mais longos, para minhas deidades... talvez depois que eu me casar =)

domingo, 12 de abril de 2009

Outras visões de Apollo


Muitos deuses gregos e romanos tem seus correspondentes etruscos. Lendo sobre isso, não consigo chegar à conclusão de que eles realmente tinham mitologias parecidas, ou se é só uma necessidade de comparar todos os mitos ocidentais com os gregos.

Contestações à parte, eu gosto de ver na mitologia comparada outras visões, às vezes mais primitivas, dos deuses gregos. E nessas eu descobri Apullu, ou Aplu, a "versão etrusca" de Apollo.

Pelo que eu consegui descobrir até agora (e estou me odiando por ser obrigada a procurar informações nos livros do Charles Leland), a grande semelhança entre os deuses é a sua relação com a cura. Assim como Apollo, Apullu era chamado para evitar as pragas, curar doenças e tirar o mal olhado.

Entre os epítetos de Apollo, existe "o que afasta o mal". Em um dos livros sobre Etruscos do Leland - que eu não me lembro o nome -, ele cita um pequeno feitiço rimado para Apullu, com esse intento.

A relação mais próxima dos dois são as pragas e seu poder de trazê-las ou afastá-las. Tanto que outro autor diz que Apullu está mais ligado ao Apollo Smintheus do que aos epítetos solares do deus. Além disso, Aplu era relacionado às variações do tempo e ao trovão, que na Grécia é uma atribuição de Zeus.

Além dos atributos de cura e purificação, Aplu também tinha no louro sua erva sagrada. Algumas de suas imagens o retratam com coroas e ramos da erva. Ele também era frequentemente desenhado ao lado de sua irmã, que tem relação com Ártemis. Porém, o parentesco de ambos não se relaciona com uma equivalente a Leto, pelo menos até onde eu consegui ler.

Junto a isso, descobri outras coisas sobre Apollo em si. Que, por exemplo, havia um deus de cura em Creta, cujo o nome era algo similar a Paion, registrado na Linear B. Paion é um dos epítetos relacionados a cura do Apollo grego, mas os arqueólogos não creem que são a mesma divindade. Na opinião da corrente histórica mais proeminente, o culto a Apollo e a Leto veio da região da Turquia e parou em Creta, onde os gregos assimilaram os dois, junto com outras divindades - como Zeus, Posseidon, etc - e levaram para o continente.

Há, ainda, controvérsias sobre o culto de Apollo Délico, na ilha de Delos onde, segundo o mito, Leto teria dado a luz aos gêmeos. Há fortes evidências de um antigo culto a deusa-mãe e à Ártemis, mas o culto a divindade masculina na ilha parece ser discreto e bem posterior. Isso parece ser mais uma evidência de que Apollo é um deus originário de outra região.

Mais uma relação oriental são com os deus solares da Anatólia e da Babilônia. Um desses deuses, coincidentemente chamado de Aplu Enlil, também tem relação com o Sol e com as pragas. Há, ainda, Shamash, outro deus solar.

E assim vamos cavando e vendo de onde pode ter saído o culto de uma das divindades com um dos cultos mais disseminados entre os gregos - e entre os neopagãos também.

A imagem é uma cabeça
de divindade etrusca, do Museu do Prado,
possivelmente Aplu.

sábado, 11 de abril de 2009

Combinações que funcionam


Não tem jeito. Existem algumas combinações que são praticamente orgânicas, de tão bem que ficam juntas.

Pão quente e manteiga.
Bolo quente e café.
Sol e praia.
Gato e patchwork.

E uma outra excelente, são combinações divinas... Ariadne e Dionísio... Zeus e Hera... Afrodite e Ares. E essa talvez seja a minha preferida.

Assim, numa homenagem a Ares feita todo mês, dessa vez, eu o coloquei junto a Afrodite. E senti que foi uma celebração muito mais feliz =)

terça-feira, 31 de março de 2009

Galaxia

Coloquei esse texto no meu blog pessoal. É um pouquinho da minha prática e achei que seria interessante dividir por aqui, mesmo não se tratando necessariamente de uma coisa que outras streghe façam.

A Galaxia, o festival de celebração ao nascimento de Zeus, caiu na Lua Nova. O primeiro dia do novo ciclo lunar é quando eu faço meus trabalhos com as deusas ligadas às serpentes, Deméter e Rhea. E como celebrar o nascimento de Zeus sem Rhea?

Aproveitei a data. Fiz as oferendas e uma pequena homenagem a Zeus: sua vela, incenso, mel e artemísia queimada. Há algum tempo não fazia uma oferenda pessoal ao Pater. Costumo trabalhar a sua energia em grupo. Mas esse momento teve um sentimento muito bom de acolhimento, como se Ele tivesse olhando e tivesse curtindo.

Eu também dancei para Zeus. Já havia dançado para Ares e para Apollo, já havia dançado com Deméter, mas nunca para Zeus. Foi uma pequena oferenda, e espero que Ele tenha gostado.

Depois de Zeus, celebrei Rhea com as oferendas tradicionais de leite e incenso. Eu também dancei para Ela. Depois, como eu já estava no clima, fiz o mesmo para os Kouretes. Devo muito a eles, por serem divindades tão ligadas a dois dos deuses que eu mais amo nesse mundo. Usei os utensílios deles que são da Sarah mas que, por uma questão logística, estão na minha casa. Velinha de lamparina num caldeirão, incenso, uma faca e um copo de pinga - que, aliás, é o copinho de vidro trabalhado e base vermelha que eu uso para a bebida de Ares.

Não consegui orar aos Kouretes. Eu conversei com Eles, expliquei porque eu estava ali, diante Deles. Agradeci por tudo que, de certa forma, fizeram por mim. Nesse momento eu olhei para minha imagem de Rhea Cibele, colocada na prateleira um nível acima do chão, e percebi que há um leão de cada lado. Eu procurava leões para representar os Kouretes no meu altar e, de repente, percebi que Eles sempre estiveram ali com Sua Senhora.

Depois eu fui fazer minhas oferendas para Deméter, mas essa é outra história...

quinta-feira, 12 de março de 2009

De Marte e de Apollo

Ainda falando do Ano Novo Astrológico - que é um momento bem importante para todas nós aqui no blog.

De todos os deuses (no masculino mesmo, porque estou falando de deuses-homens), eu tenho uma relação mais próxima de Marte e de Apolo. Possuo um culto estruturado aos dois, sozinha e em grupo. Eles são os deuses mais presentes na minha vida, junto com Ceres.

Do meu tempo com eles, eu aprendi que há várias diferenças entre os dois.


Marte é mais presente e menos sutil. Portanto, se você deseja cultuá-lo, saiba que ele muitas vezes vai enfiar o pé na sua porta e na sua vida. Ele não gosta de choro nem de lamentações, mas é ele quem te dá força para seguir em frente. Marte também é um deus leal (eu ia colocar fiel, mas Deus é Fiel não ia pegar bem.... hehehe). Mas você tem que fazer a sua parte nesse trato.

Apollo é distante sem ser ausente. É exatamente como a luz do Sol: o astro rei está lá há bilhões de quilômetros, mas a luz dele consegue alcançar a sua pele e te deixar marcas. Ele é mais sutil do que Marte e não se envolve tanto nos problemas humanos. Apollo também é um deus de oráculos, ou seja, conselhos. Enquanto Marte vai de dar um tapa na cara e mandar você engolir o choro, Apollo vai te olhar de cima, ouvir e soltar um tapa na cara em palavras.

Mas ambos também têm semelhanças. Eles exigem disciplina - no culto e na vida. Marte quer a disciplina dos militares. Apollo quer a disciplina que vem da Moderação. Ambos também valorizam promessas e compromissos. E ai de você se quebrá-los...

Em 21 de março, eu vou celebrar esses dois deuses, junto com as outras divindades solares. Eu poderia dizer que vou me despedir de Marte e comemorar a chegada de Apollo, mas não seria verdade. Eu não quero nunca me despedir do Senhor da Guerra, e não é preciso que eu anuncie a chegada do Senhor do Sol, porque ambos estão sempre representados no meu altar, recebendo suas oferendas e suas preces.