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sexta-feira, 12 de março de 2010

Dica de Leitura I

Promessa é dívida!

Então, como eu escrevi no post anterior, vai a Dica de Leitura desta semana.

Para começar, vamos com um texto do Robin Artisson, um bruxo tradicional. Já ouvi algumas críticas ao seu trabalho, mas as visões dele fazem sentido para mim.

Escolhi um artigo que rapidamente enumera as principais diferenças entre os sistemas que nós costumamos compilar no termo Bruxaria Tradicional e Wicca, ou Bruxaria Moderna.

Indicamos esse texto porque nossas práticas e, consequentemente, o material do blog, se assemelha mais a da Bruxaria Tradicional. Por isso eu acho que precisamos esclarecer alguns conceitos e diferenças, principalmente para quem está chegando agora e não tem muita noção das diversas ramificações.

O artigo chama-se "Bruxaria Tradicional e Bruxaria Neopagã - As Diferenças". Eu tenho uma versão antigona, que saiu deus sabe de onde, nos meus apontamentos. Achei uma com uma boa tradução, que vocês podem ler clicando aqui.

Estamos abertas à discussões, comentários, sugestões... fiquem à vontade!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Da concepção de Ares

De Lária. Tradução livre minha.
http://eternalhauntedsummer.com/index.php?p=1_17_The-Conception-of-Ares

A concepção de Ares

Ela passou suas mãos sobre seus ombros nus e beijou seu pescoço. Ele, cansado de trovejar, só pode levantar suas mãos em meio protesto. Não deveríamos – os outros – Hera, seja razoável, ele sussurrou, antes que ela beijasse seus protestos de seus lábios e levou seus dentes ao nariz dele. Ele colocou suas mãos em seus cabelos, e sobre sua pele alva, e a beijou. Os tecidos dos tronos foram ao chão, junto com seus corpos que entravam em harmonia e o rei e a rainha dos deuses se amavam de novo.

Eles eram apaixonados. Ele não podia resistir a ela; e ela sempre tinha prazer em vê-lo novamente. Ela é o semelhante dele – ele rege os homens, ela, as mulheres. Eles viviam e riam e amavam juntos, e geralmente, perdiam dias em seus prazeres. O trovão rugia entre eles, duas forças colossais da natureza juntavam-se, beijando-se e se tocando. Eles não apenas faziam amor: faziam guerra com seus corpos, faziam o caos com suas almas.

Foi sob essa influencia que Ares foi concebido. Hera sentiu sua luxúria pulsando antes que ele nascesse: ele a levou a Zeus, muitas e muitas vezes. Os beijos dela se tornaram mais afiados – ela tirava sangue, e não se satisfazia facilmente com o sabor dele em sua boca.

O que estou me tornando? Quem estou me tornando? Ela perguntava a ele, quando ele se distanciava. Seus belos lábios foram cortados pela paixão dela – mas ela não se sentia culpada. A fome fazia seu corpo tremer, fazendo um fogo ir dela para ele, dele para ela e o fogo entre ambos tinha uma chama muito alta. Mas, enquanto Zeus se esquivava desse fogo, se protegendo das chamas, mais ela ia em sua direção.

Eu não sei, ele diz. E isso era tudo. Ela foi para cima dele, com raiva, luxúria e necessidade, e ele a deixou.

De fogo, ele foi concebido; e no fogo ele nasceu: com esse primeiro golpe, com essa primeira batalha, as lanças se levantaram. O olhar de Zeus se perdia enquanto Hera gritava e se esforçava para trazer essa criança à luz. Zeus beijou outras mulheres enquanto Hera segurava seu belo bebê nos braços, o punha ao seio; e Ares se prendeu à pele dela. E enquanto seus dedos firmes agarravam a pele de Hera, Zeus fertilizava um outro ventre.

As nuvens, como sempre, se dispersaram; mas não sem a manifestação da ira de Hera acontecer e uma outra mulher morrer. Ares ria, seus olhos brilhando com amor e ódio, enquanto o olhar de seu pai ia para outro lado. Ele entraram em seus papeis por sua própria conta – ela golpeando, ele retrocendendo – agora isso não poderia ser desfeito. Tudo que Hera tinha para consolá-la era Ares, seu amado Ares; e então Zeus voltou para ela com sussurros de amor, e ela se deixava perder nele novamente.



[Laria é uma polisteísta helênica e assim vem desde junho de 2009. Tem devoção particular a Afrodite-Ananke, Ares e Rhea-Kybele, entre outrs. Ela escreve poemas e ficção há 6 anos e pode ser contatada por email.]

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

De oferendas de cabelos


Original aqui.


Tradução minha.


"No Politeísmo Helênico antigo, os homens e as mulheres cortavam seus cabelos para comemorar mudanças na vida. De acordo com Burkert, esses sacrifícios geralmente aconteciam quando membros da família chegavam a vida adulta. Eles 'cortavam seus cabelos para dedicá-lo a alguma deidade, um rio, um herói local ou um deus, alguns mais abastados ainda viajavam a Delfos para fazer tal oferenda' (Greek Religion, 70)


(...)


Tomou algum tempo até eu decidir em homenagem a qual Deus(es) eu cortaria meu cabelo. Apollo fazia mais sentido, uma vez que ofereço a ele um cultus pessoal. Porém, depois de ler o livro de Fritx Graf Apollo, parecia que oferecer cabelo a ele seria mais adequado para os homens. No mundo moderno, isso parece um tanto obsoleto. E, enquanto eu pensava sobre isso, percebi que a mudança na minha vida - a conquista de um diploma - parecia sob os domínio de Athena.


Decidi, então, oferecer meu cabelo à Ártemis e Athena. Ártemis pelo fim da 'infância', e Athena, por ter completado meus estudos. Hoje, fui ao cabelereiro e cortei boa parte do meu cabelo. Ele foi doado para pessoas que fazem perucas para pessoas carentes.



Salvem Ártemis e Athena, as Deusas Virgens."



Pietra pensando agora...


Me lembro de ver e de passar coisas assim... Incrível como o cabelo faz diferença nas nossas vidas. Tem gente que não corta o cabelo nem a pau. Acha que nunca ficaria bem de cabelos curtos. Outras pessoas, trocam de visual sempre, de forma que tem horas, que precisamos de 5 segundos para reconhecer. De qualquer forma, é claro que a pessoa não faria um sacrifício desses - se bem, que nem se dariam conta de que estariam fazendo tal coisa.


Eu vi dois casos interessantes. Um deles, foi minha amiga que se casou. Ela deixou o cabelo crescer por mais de um ano para poder garantir um penteado satisfatório para sua cerimônia. E agora que tudo passou - casamento, festa, lua-de-mel, ela decidiu que vai cortar. Tremenda mudança. Outra, foi uma strega que, para sua Deusa, além de cortar seu cabelo o entregou para a Deusa no mar. Vale mencionar também uma outra amiga que prometeu o cabelo ao Deus do Mar quando conseguisse chegar a Irlanda.


Acho tudo isso muito bonito. Os casos mais clássicos que eu conhecia eram das grávidas que entregavam seus cabelos à Vesta e Diana para que seus filhos fossem saudáveis e tivessem um bom parto.


Faz dois anos que eu venho deixando meu cabelo crescer. Basicamente para Apollo, uma vez que me disseram que Ele gosta de longos cabelos. E tenho gostado muito dos resultados. Para quem ficou 13 anos cortando o cabelo toda vez que ele perdia o corte, é um tremendo sacrifício. Hoje eu me acostumei e gosto muito... e fico pensando, quando eu sacrificaria meus cabelos, agora mais longos, para minhas deidades... talvez depois que eu me casar =)

sábado, 27 de junho de 2009

dica oracular...


Quando o inverno chega, eu me arrisco mais nas coisas. Parece que é meu tempo de olhar mais afiado. E é quando eu tomo coragem e trabalho com práticas oraculares (e acho que a coisa mais curiosa sobre ser mais ou menos de maneira pública uma "bruxa" é que as pessoas te procuram buscando por isso com frequência). E o oráculo disse uma coisa para alguém que me deixou pensativa. Ele disse "vá combater sua barreira linguística - aprenda outra língua seja qual for."

E faz sentido. O português é uma língua jovem historicamente. E embora tenha um número enorme de falantes, quando se começa a pesquisar na internet sobre assuntos ligados a prática mágica e religião, se percebe que, neste mundo virtual (e algumas vezes no mundo físico também), as informações não chegam em português.

Eu conto com um italiano bem ruim, mas que dá para ler com a eventual ajuda de um dicionário, embora pragueje com sinceridade compreensível, e um inglês meia boca, que lê com perfeição mas escreve feito o Tarzan. E eu percebo o quanto minha percepção de mundo mudou graças a isso. Pude conhecer a stregheria pelo ponto de vista das pessoas nas suas práticas, lendo seus blogs. Consigo ler sites como o Rue's Kitchen. E livros e artigos científicos.

Meu mundo fica mais amplo quanto mais exercito a linguagem.

O mundo está mais próximo. Anos atrás, era preciso a longa espera do correio internacional para conversar com alguém na Europa ou na América do Norte. Agora, fazemos isso em tempo real. A informação se multiplica quando conseguimos entender suas chaves. É uma bobagem - mas quando identifiquei os kanjis que identificavam "download", consegui os paper models mais bonitos do mundo -arte em papel é especialidade no Japão.

A internet deixa as outras línguas muito, muito próximas de nós. E Mercúrio se alegra, morre de rir, eu diria, com essa facilidade. E eu recomendo a todos o que o oráculo disse - aprenda novas línguas.

Todas as que puder. O mesmo inglês que me serve para aprender sobre helenismo e stregheria, me diverte quando descubro que consigo ler romances de Star Wars em inglês (que nunca serão traduzidos). Meu mal italiano me ajuda a entender as anotações hieroglíficas nas costas das fotos de família, na reconstrução do meu passado.

domingo, 8 de março de 2009

Equilíbrio


Gostei muito deste texto. Ele conversa comigo, pois minhas ideias também são bem apolíneas e buscam o Metrón, a Justa Medida.


Uma das coisas que vem mantendo meu interesse na religião helênica, não importa o quanto os outros praticantes tentem ou consigam me deixar maluco, é o ideal apolíneo de Moderação e Equilíbrio. Na verdade, esse ideal parece ser mantido por outros pagão mais "sãos", mesmo que não praticantes do helenismo. Eu preciso concordar que as religiões com raízes em Abraão o Paganismo é uma coisa estranha; e também admito que para aqueles que têm a ideia de espiritualidade monoteísta como a "correta", a crença em vários deuses pode parecer "anormal" e, em nossa sociedade, "anormal" pode, muitas vezes, ser traduzido como "loucura".

Em minhas práticas pessoais, eu equilibro muito do "louco" (...) com muita racionalidade. Eu examino minhas experiências ditas místicas com um tanto de lógica, para poder correr atrás de explicações lógicas para os acontecimentos antes de cair em uma fantasia, ou busco, pelo menos, alguma explicação simples e plausível antes de tudo. Na maioria das vezes, as coisas podem ser explicadas com questões completamente mundanas e, em menores casos, não é bem assim.

Agora, a aceitação do mundano não necessariamente incorre na descrença do que é fantástico; mas, o mundano e o fantástico podem coexistir em equilíbrio um com o outro. Um amigo meu uma vez me explicou o paradigma de Apollo e Dionísio como uma forma de dualidade Yin/Yang um tanto mais complexa. Lógica e Ciência ficam no reino de Apollo, tal qual os oráculos e o misticismo, algo que sempre é legado para um lado mais distante da "normalidade". Êxtase e "selvageria" estão sob o domínio de Dionísio, mas também a capacidade de colocar uma máscara e ser convincente, mesmo que por pouco tempo, sendo que para fazer isso é preciso de um grande poder de controle.

Enquanto Nietzsche pintou Apollo e Dionísio de uma forma um tanto ÿin e yang", mas perdeu a parte na qual equilíbrio é necessário para ambos sejam completos, e assim pintou uma imagem não dos dois Theoi mais cultuados na Grécia Antiga, mas de dois extremos, 100% preto e branco. O Apollo de Nietzsche não tem nada a ver com a "moderação" das coisas, mas sobre o controle total sobre si. O Dionísio dele é muito próximo de um “Jimbo Morrison” no filme altamente ficional e exagerado de Oliver Stone, The Doors: um bêbado quase sempre extático, sempre maluco e fora de controle. Ray Manzarek diz que seu personagem era ficcional e que pouco se pareceria mesmo com Jum Morisson na vida real - muito mais do que um poeta e filósofo com quem se tornou amigo, o verdadeiro Dionísio para o Apollo de Ray, que, nas palavras de Manzarek, “[poderia] beijá-lo e amá-lo pela conexão que estabeleceram através da música”.

Apesar de Dionísio ser mostrado como "rústico" e Apollo como "urbano", Dioniísio pode ser sentido nos teatros das cidades, em suas casas noturnas, nas festas nos sótãos das casas as quais ninguém admite ter planejado. Por outro lado, Apollo tende a se aventurar nos bosques para estar com suas Nymphai e chorar a morte de Jacinto e outros amores que perdeu. Isso tudo acontece em perfeito equilíbrio, perfeita harmonia. Deixar o êxtase sobrepujar a razão e vice-versa é um convite a impureza espiritual e à loucura. Reconhecer quanto precisamos nos centrar na moderação é uma habilidade importante, pois assim saberemos reconhecer os momentos nos quais passamos na vida.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Netunália e as streghe - de Diana Luciano Gray Fox


Notadamente está chovendo bastante aqui em São Paulo... então me inspirei em todas as águas de Netuno e resolvi trazer a voz dessa incrível strega americana, Diana Gray Fox, da Order of the Evening Star.

Essa imagem é da saída que o grupo dela faz para celebrar essa festa.

Originalmente publicado em:
http://dianasmuse.blogspot.com/2008/07/neptunalia-and-strega.html

Tradução livre: Pietra di Chiaro Luna


"O Deus, com sua cabeça mexes a espuma do mar, Tu, Neptunus, que com sua Salacia toma as terras, ouça minha oração e me traga a tua indulgência." ~ Valerius Flaccus Argo. I.194-6

No dia 23 de julho, marcamos o festival anual da Neptunalia em honra de, você já deve ter imaginado, Neptunus Pater, também conhecido como Pai Netuno na Stregheria. Esse festival antigo vem sido celebrado há muito tempo, mesmo antes dos romanos. Hoje, nós, streghe, perpetuamos essa celebração para o grande deus Netuno, com todo o seu explendor já visto em Roma e em outros locais da antiguidade. Hoje, uma vez por ano, os clários (membros da tradição da sacerdotisa) fazem uma perigrinação até um corpo de água para fazer esse ritual. Claro que não nos limitamos a visitar corpos de água apenas uma vez por ano, mas pegamos mais tempo para esse festival para podermos dividir com nosso amado Netuno, que nos traz os segredos da água e do mar.

Às vezes nós viajamos para a costa de Jersey, mas ficar por lá é um tanto caro. Eu adoraria ir ao lago Champlain novamente, uma vez que senti sua presença muito fortemente na última vez que estive por lá. Então, fomos e ficamos em uma ótima hospedaria perto do lago, que é realmente incrível. Que poder, que lugar tão sagrado.

Este ano, por conta do preço do combustível e das despesas para ir para a praia, resolvemos visitar o lago Jean, no interior da Pennsylvania. É um lugar lindo, um parque estadual cercado de trilhas e coroado com lindas cachoreiras. Ficamos em uma pensão excelente, e ainda fizemos uma visita para o Knoebels, um parque de diversões muito legal e barato com um clima de interior, de dentro da Natureza. (...)

Netuno é geralmente igualado a Poseidon, e ambos dividem muitos aspectos e atributos, porém Poseidon tem uma ligação com o mar muito maior que Netuno. Netuno é o deus de todas as águas. É o Deus dos oceanos, mares, lagos, rios, fontes. Ele se faz presente por seus muitos filhos que vivem nos corpos de água ao redor da terra. E claro que cada um desses corpos de água também é abençoado com a presença de diversos espíritos da água, com fadas e ninfas que brincam e trazem mais beleza às águas. Quando olhamos para uma paisagem de água e sentimos aquela falta de ar, de tomada pela beleza, é o presente de beleza das ninfas ao lugar.

Padre Nettuno, Neptunus Pater, Deus dos oceanos, mares, rios, lagos e fontes. Deus dos lagos e dos terremotos. Treme-terra, Segurador de terra, O que traz o crescimento das plantas, Senhor dos Cavalos. Que sua presença esteja conosco todos os dias, que sua força traga cura, entendimento, compaixão, profecia, inspiração e metamorfose. Hoje, todos O honramos. E que nossos sucessos sejam nossas oferendas, pois O amamos muito!"

quinta-feira, 27 de março de 2008

Kirke - por Thalia Took

Atendendo a um pedido na comunidade
livre para o texto sobre Kirke (Circe).

Kirke é filha de Hélios, o Sol, e da irmã de Aeëtes e Pasiphaë, a mãe de Ariadne. Outras fontes a colocam como filha de Hekate e irmã de Medea. Sua lenda diz que ela vem, originalmente, de Cochis, no Mar Negro, mas deixou o local depois de envenenar seu marido, tomando residência no oeste da Ilha de Aeaea.

Kirke é uma grande encantadora e famosa por seu conhecimento de ervas, magias e encantamentos das sombras. São conhecidos seus encantamentos de transformação: metamorfoseou a bela ninfa Scylla num monstro do mar por ciúmes; Picus, que recusou seu amor, foi transformado num pica-pau; e qualquer ser humano que visitasse sua ilha tornava-se um animal selvagem. Quando Odysseus e seus homens aportaram em sua ilha, no longo caminho de volta da Guerra de Tróia, os que descem do navio são transformados em porcos. Com a ajuda da erva mágica moly, dada ao herói por Hermes, Odisseu força a feiticeira a quebrar o encantamento.

Depois desse incidente, ela ajuda Odisseus, que permanece na ilha, junto com seus homens, por um ano - alguns até dizem que ela teve três filhos com ele. Depois que o herói decidiu partir, Kirke o ensinou a encontrar e consultar o profeta marinho Tiresias, e a evitar alguns perigos de sua jornada para casa. Algumas fontes dizem que, no fim de tudo, Odisseu volta à ilha e torna-se seu marido.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Angitia - deusa das serpentes

Já falei, meio sem querer, sobre essa deusa aqui no blog. Mas na época eu não sabia que ela existia, nem de onde ela vinha. Então, para complementar o texto "San Domenico", deixo uma tradução que eu queria fazer faz tempo sobre Angitia.

A tradução é livre e foi feita a partir de mais um ótimo trabalho da Thalia Took no Obscuro Godess On Line Directory. Para ler o original, clique aqui.

Angitia

Angitia (nome latino da deusa Anagtia) é uma divindade Osci das cobras e da cura, especialmente reverenciada pelos Marsi, uma tribo guerreira que viveu do leste de Roma até os Montes Apeninos (algumas vezes chamados de Colinas dos Marsi) e que falava o dialeto Sabellico*. Ela era famosa por sua habilidade de curar aqueles que foram envenenados, especialmente as pessoas mordidas por cobras. Existia, ainda, a lenda de que esta deusa possuía o poder de matar serpentes através de encantamentos. Os Marsi também possuíam a reputação de curandeiros, magos e encantadores de cobras. De fato, neste tempo, os Serpari, caçadores de serpentes que viviam naquela reigão, eram tidos em alta conta. Em Roma, durante o primeiro século da Era Cristã, as atividades dos Marsi como curandeiros e adivinhos, assim como seu conhecimento da terra, foram consideradas como bruxaria.

Angitia tinha o conhecimento das ervas que curavam, e era honrada em um bosque, chamado de Silva Angitia ou Lucus Angitiae, e em um templo (com um tesouro), ambos localizados na margem sudoeste do Lago Fucinus. Esse lago era largo (mais de 30 milhas de circunferência – cerca de 48 km**), que não possuía nenhuma passagem e que costumava inundar as cidades próximas depois das chuvas da primavera, o que pode ser a razão de ter sido drenado no século XIX. Nesta região também existe a história de Umbro, que foi um sacerdote e vidente lendário dos Marsi. Assim como Angitia, era um curandeiro e um encantador de serpentes; de acordo com a Eneida, o lago Fucinus encheu quando ele foi morto em uma batalha.

Acredita-se que o nome Angitia deriva da palavra angere, que significa “doença” ou “desgraça”, se referindo a sua habilidade de matar cobras, os anguis, “cobra” ou “serpente”. Algumas inscrições mencionam Angitia no plural, como um grupo, as Angitiae (similar a Sulis e as Sulivae) e, em uma inscrição, ela é mencionada como Angerona, deusa do silêncio e do Solstício de Inverno. De acordo com Servius, quem nomeou Angitia foi a bruxa Medea, que voou até a Itália depois que sua a conspiração para envenenar Teseu foi descoberta. Medea é associada com feitiçaria e serpentes ou dragões, por isso ela é associada com a deusa da magia e das cobras dos Marsi.

A atual região de Abruzzo, na Itália, terra natal dos Marsi, ainda é associada com cobras. Lá é celebrada a Festa dos Serpari. Esta celebração, primeiramente mencionada na Idade Média (mas muito mais antiga), é comemorada na vila de Cocullo (cuja população é de 316 habitantes) na primeira quinta-feira de maio. Os Serpari são uma fraternidade hereditária de encantadores de serpente, responsáveis por conduzir o festival.

Em algum momento próximo do primeiro dia da primavera, os Serpari capturam as cobras (a maioria delas de uma espécie calma e não venenosa), e a trazem para a vila, onde suas presas são removidas. Eles a prendem em caixas de madeira ou terracota e as tratam bem até o festival. No dia da festa, os peregrinos se encontram na igreja de San Domenico. Acredita-se que, assim como Angitia, o santo tem poderes de cura, especialmente em se tratando de mordidas de cobras e de cães raivosos e de dores de dentes. Depois da missa, a estátua do santo é carregada em procissão, e coberta com cobras vivas. A procissão é seguida pelos Serpari e por outros fiéis, que também seguem cobertos de serpentes. Em uma tradição mais antiga, as serpentes são mortas e comidas em um banquete, mas hoje elas foram substituídas pelo pão em formato de cobra – alguns representando cobras de duas cabeças. Nos dias de hoje, elas não são mortas, mas soltas de volta no bosque quando o festival termina. A propósito, os dentes das cobras continuam crescendo e, em média uma semana depois, dependendo da espécie, suas presas voltam ao normal.

Angitia é representada nesta figura com várias cobras rastejantes, na frente do Arum dracunculus, descrito pos Plínio como sendo uma cura para mordidas de cobra, com as Colinas dos Marsi ao fundo. O desenho foi feito com lápis aquarela.

Nomes alternativos: Angizia, Anagtua, Anagtia Diiva, Anguitia, Anguitina, Angitia; Ancet, uma deusa da cura dos Paeligini (outra tribo da mesma região**) que é provavelmente a mesma divindade com um nome traduzido para o dialeto deste povo. É quase certo que a Bona Dea romana é a mesma deusa, e seu festival também era celebrado nos primeiros dias de maio, assim como o de São Domenico.

Angitia também é associada com a feiticeira grega Circe.

__________________________________

*Sabellan, no original em inglês. Não encontrei o nome correspondente em português.

** Nota de tradução.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Meditação de Ceres

Ceres é a Deusa romana da colheita. Seu culto foi sincretizado com o da grega Deméter e, depois de um tempo, ambas passaram a ser a mesma divindade. Ela é a deusa do trigo, da colheita, do trabalho na terra. E, acima de tudo, ela é a deusa do alimento. Ceres ensinou os homens a plantar e a fazer o pão.

Esta meditação, proposta pela artista plástica Thalia Took em seus trabalho com Ceres, nos fala exatamente sobre isso: qual seu tempo de colher? Quem ou o quê você vai alimentar com o trigo colhido?

"Fazer o pão é um processo alquímico; o trigo é colhido do solo, então é misturado com os ingredientes certos nas medidas apropriadas, amassado, deixado sozinho por algum tempo, e só então vai ser assado - com uma temperatura apropriada. Esta meditação questiona: o que na sua vida precisa ser cortado e o que você pode fazer com isso?

Imagine que você está em um campo repleto de trigo dourado, que balançam com a brisa do verão. O vale em que ele cresce tem um nome: qual é? Isso te mostrará em que parte da sua vida ele está localizado.

Você anda pelo campo até encontrar um único trigo que está pronto para ser cortado. Você o faz, e agradece por ter feito parte de sua vida. Como ele se chama? O que você fará dele? Você fará pão, ou plantará algo no lugar? Quem você vai alimentar com ele?"