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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Breve apanhado de leituras interessantes

Pessoal aqui do trabalho fica impressionado com a quantidade de coisas que leio. Minha média varia de dois a três livros por mês, mas esse fim de semestre pegou pesado e como agora eu sou uma feliz estudante de História passei junho lendo só xerox para faculdade. Isso vez com que eu tivesse várias leituras atrasadas e paradas no meio. Algumas delas valem ser compartilhadas:


- "História Antiga", de Paul Petit: esse eu precisei usar meio capítulo para um trabalho, mas acabei resolvendo ler inteiro. É um dos clássicos da pequisa sobre a História Antiga. É da década de 1960, e bastante coisa progrediu desde lá graças aos nossos amigos arqueólogos. Mas Petit lançou bases e teorias que seguiram para guiar o estudo da História Antiga. O que isso tem há ver com paganismo? Tudo, né? O estudo das sociedades feito por Petit inclui religião e mitologia. Eu ainda estou no começo, no capítulo sobre civilizações minóica e aqueia, e está sendo bem interessante.

- "Deuses Americanos", de Neil Gaiman: eu já falei desse livro aqui, quando li a versão em inglês, ano passado. Agora eu ganhei a versão em português, um achado que estava lá perdido na banca de jornal da faculdade. Com essa leitura estou vendo aspectos diferentes, descobrindo deuses que eu não tinha percebido no meio do enredo e pensando, novamente, como o Neil Gaiman fez uma obra que deveria ser lida por todos os neopagãos. Altamente recomendado!

- "O Queijo e os Vermes", de Carlo Ginzburg: esse é mais um da bibiliografia da faculdade. Ginzburg é um historiador especialista em inquisição. Ele tem trabalhos sobre os Benandanti e sobre a feitiçaria na Itália. Nesse livro ele tenta reconstruir o pensamento de um moleiro medieval que foi acusado como herege na inquisação italiana. Não fala de bruxaria, nem de feitiçaria, mas fala de cultura popular. A forma como ele tenta reconstruir o pensamento do Menocchio (o moleiro) também é bem interessante.

Agora que eu volto com a programação literária normal, provavelmente terei mais novidades de leituras para vocês.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Coleção Deuses, História Viva

Voltou às bancas.

Vale muito a pena.

O primeiro número é sobre Zeus. E o de Apollo eu tb já vi na banca. Esperem por Afrodite, Dionísio, Athena e Poseidon. =)

Fica a dica de leitura!

sábado, 27 de junho de 2009

dica oracular...


Quando o inverno chega, eu me arrisco mais nas coisas. Parece que é meu tempo de olhar mais afiado. E é quando eu tomo coragem e trabalho com práticas oraculares (e acho que a coisa mais curiosa sobre ser mais ou menos de maneira pública uma "bruxa" é que as pessoas te procuram buscando por isso com frequência). E o oráculo disse uma coisa para alguém que me deixou pensativa. Ele disse "vá combater sua barreira linguística - aprenda outra língua seja qual for."

E faz sentido. O português é uma língua jovem historicamente. E embora tenha um número enorme de falantes, quando se começa a pesquisar na internet sobre assuntos ligados a prática mágica e religião, se percebe que, neste mundo virtual (e algumas vezes no mundo físico também), as informações não chegam em português.

Eu conto com um italiano bem ruim, mas que dá para ler com a eventual ajuda de um dicionário, embora pragueje com sinceridade compreensível, e um inglês meia boca, que lê com perfeição mas escreve feito o Tarzan. E eu percebo o quanto minha percepção de mundo mudou graças a isso. Pude conhecer a stregheria pelo ponto de vista das pessoas nas suas práticas, lendo seus blogs. Consigo ler sites como o Rue's Kitchen. E livros e artigos científicos.

Meu mundo fica mais amplo quanto mais exercito a linguagem.

O mundo está mais próximo. Anos atrás, era preciso a longa espera do correio internacional para conversar com alguém na Europa ou na América do Norte. Agora, fazemos isso em tempo real. A informação se multiplica quando conseguimos entender suas chaves. É uma bobagem - mas quando identifiquei os kanjis que identificavam "download", consegui os paper models mais bonitos do mundo -arte em papel é especialidade no Japão.

A internet deixa as outras línguas muito, muito próximas de nós. E Mercúrio se alegra, morre de rir, eu diria, com essa facilidade. E eu recomendo a todos o que o oráculo disse - aprenda novas línguas.

Todas as que puder. O mesmo inglês que me serve para aprender sobre helenismo e stregheria, me diverte quando descubro que consigo ler romances de Star Wars em inglês (que nunca serão traduzidos). Meu mal italiano me ajuda a entender as anotações hieroglíficas nas costas das fotos de família, na reconstrução do meu passado.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Livro - Italian Benedicaria

Estou escrevendo sobre velas, na linha de um antigo texto que fiz para o Tribos de Gaia. Para isso, voltei a pesquisar os trabalhos de Vitto Quattrochi, um italiano radicado nos EUA que fala sobre as tradições de magia cristã na Sicília, chamada de Benedicaria.

Quando comecei a pesquisar essa vertente - há três anos, acho - havia material só em sites norte-americanos. Quattrochi tem um livro chamado "Italian Benedicaria - Magical Catholicism", mas era impossível comprá-lo por aqui.

Agora, graças ao Google, dá para ter acesso acesso ao conteúdo da obra. Não inteira, mas mesmo assim vale a pena. Para ler, é só clicar aqui e ir até o Google Books. Como é a versão original, o livro está em inglês.

Agora vou voltar para a minha pesquisa...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Deuses americanos

"Um dia estão banhando em sangue todo o exército do império em sua honra e no dia seguinte nem lembram do seu aniversário".

A frase acima, dita pelo sr. Wednesday (Quarta-feira, em tradução livre) é uma das minhas citações preferidas de "American Gods" (Deuses Americanos), do Neil Gaiman. Ele se refere a Mithra, enquanto explica para Shadow, o protagonista da história, o que o Natal significa. E ainda diz que Jesus Cristo é um garoto esperto porque conseguiu um monte de seguidores bem rápido, para a idade deles.

Wednesday - assim como Easter, Ibis, Mama-ji, Jacquel e Bast - é um deus. Todos eles vivem nos Estados Unidos, porque em algum momento de sua existência, alguns de seus fiéis e cultuadores foram parar ali. Alguns na época do colonialismo, outros muitos séculos antes.

O problema é que, hoje, ninguém mais se lembra deles. Não há mais cultuadores dessas divindades. Nem entre os pagãos, que optaram pelo culto a um princípio feminino inominável. Segundo Wednesday, os novos deuses da América são a televisão, os seguros e outras coisas que vieram com o mundo moderno e tomaram o seu lugar. O altar doméstico, para ele, é a tv da sala. E o culto é o programa noturno em que toda a família pára para assistir - aqui seria o Big Brother, ou a Novela das 8. Nem Jesus Cristo compete com eles.

Uma amiga me disse que todo o Neopagão devia ler "American Gods". Eu concordo. Acho que faz com que a gente pense um pouco na nossa relação com os deuses, nas nossas crenças e na nossa ancestralidade. Como é uma obra escrita por alguém que não é pagão - pelo menos não que eu saiba -, não temos parcialiadade e romantismo. Temos uma boa história, com boas referências, com boa pesquisa e uns pontos interessantes para se pensar.

Quem quiser ler, pode encontrar na Livraria Cultura a edição em inglês por R$ 35. Há algumas edições em português no site Estante Virtual, mas o preço é mais salgado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Bruxa indo para a cozinha

Se tivesse que escolher um personagem no qual eu quisesse me tornar, escolheria Vianne Rocher, a protagonista dos livros "Chocolate" e "Sapatinhos Vermelhos", da inglesa Joanne Harris.

Mas não é fácil ser Vianne. Ela é uma exímia cozinheira e consegue gerir chocolateries de sonho. Eu, no auge dos meus 22 anos, faço um brownie que sempre fica duro e só sei cozinhar arroz hiperbolizado.

Mas se Vesta e Ceres permitirem, isso será diferente. Porque Vianne, e tudo o que eu já aprendi com as mulheres da minha família, além da proximidade que eu tenho alimentado com meus vasos de temperos, me tem feito pensar muito na cozinha - e, principalmente, ir até ela.
Por isso eu não resisti à tentação de comprar "A Cozinha Mágia de Márcia Frazão", quando vi o livro numa promoção no supermercado da minha cidade. Paguei super barato. Mas como eu gosto muito do que os norte-americanos chamam de kitchen witchery (bruxaria de cozinha), não me arrependi do impulso.

Além de trazer o de praxe (propriedades das ervas, receitas, usos mágicos), Márcia conta como foi descobrindo seu gosto pela cozinha. Nos fala das mulheres que a ensinaram e que passaram por sua vida e por suas receitas. E isso me faz lembrar das coisas que as minhas próprias mulheres ensinaram, como o jeito certo de mexer a comida na panela, os truques para o bolo crescer e as receitas de bolinhos de carne.

Para quem gosta da arte de cozinhar, e acha que bruxaria é algo que a gente faz com panela, colher pau e liquidificador, fica aqui a minha dica.

Como aspirante à Vianne Rocher, não consigo mais ver bruxaria em rituais elaborados e formalidades do tipo. Eu prefiro deixar a bruxa trabalhar fazendo bolo de cenoura e chá de hortelã.

Aqui, um capítulo do livro, para degustação.

Para quem gostou, ou quer saber mais, acesse o blog da Márcia Frazão: O Fantasma de Chet Baker.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mais História Viva!

Saíram as revistas sobre Marte e Ceres. Fiz duas resenhas sobre elas no meu blog pessoal, o Cerealia. Estão aqui e aqui!
Além dessas duas, já foram publicados especiais sobre Zeus, Baco, Afrodite, Apollo e Atena. A próxima edição será dedicada a Possêidon.

A média de preço das revistas é de R$ 12,90 e podem ser compradas em bancas de jornal e no site da Editora Duetto.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

História Viva - Baco


Mais uma das revistas saiu: Baco.

Comprei e já li uma boa parte. E preciso dizer: recomendo.

Esta edição foi escrita por Luís Krausz, mestre em letras clássicas e jornalista.

A revista explora a vinda de Dioniso, ou Baco, que em grego é vinha, de terras estrangeiras e assim, de cultos muito mais antigos que o dos olimpianos, e como seu culto de selvagem, acaba se tornando uma parte importante do calendário grego.

A loucura... o êxtase... o vinho... a calma... a calamidade... o espírito do Deus e sua possessão. Estar entheos.

Estes e outros assuntos são cobertos. Vale a pena para ir mais a fundo no deus que muita gente só conhece pelo vinho... mas que é muito, muito mais.

Para comprar online, clique aqui.

A próxima edição é sobre Atena.