... ou porque eu não acho tão grave assim o que a Veja colocou na capa.
A revista Veja, da Editora Abril, trouxe na capa o título "A Confissão da Bruxa", sobre a promotora de Justiça que maltratou sua filha adotiva. Muitos se sentiram ofendidos pela conotação negativa que a palavra bruxa assumiu no contexto e classificaram a ação como preconceito religioso.
Penso que a Veja (e seus editores, porque veículos de comunicação são produzidos por pessoas) foi infeliz na escolha das palavras. Mas, dentro do contexto da reportagem, que faz a relação da mulher com as vilões de contos de fadas, faz sentido.
Classificar o episódio como preconceito religioso é um exagero. A Veja não é a primeira, nem a única e nem a última a usar a palavra bruxa dentro desse contexto. A sociedade ocidental usa o mesmo termo, dentro das mesmas conotações, desde a Idade Média, quando as bruxas eram as mulheres escolhidas como bode expiatório dos problemas das comunidades feudais.
Por que a Veja, uma revista cuja linha editorial segue a ideologia dominante, se preocuparia com as percepções religiosas de um pequeno grupo de pessoas? Sim, somos pequenos. Não tão pequenos quanto éramos há 20 ou 10 anos, mas comparados com as religiões cristãs dominantes, somos um pequeno grupo religioso que não tem voz para ser ouvida e que não tem órgãos representativos para isso.
Entre nós, neopagãos, o único órgão representativo é a Abrawicca. E a voz da Abrawicca não é a minha, porque eu não sou wiccana. E eu não creio que outras vertentes neopagãs, esparsas e diferentes entre si, possam se organizar politicamente ao ponto de influenciar a grande mídia.
Além disso, me peguei pensando em nossos conceitos de bruxaria. Será que nós somos mesmo bruxos? Sou contrária ao uso do termo bruxaria relacionado à religião. Para mim, bruxaria e feitiçaria não são, necessariamente, sinônimos. E, ainda mais, não devem ser tratados como sinônimos de neopaganismo ou de Wicca. Bruxaria é uma prática medieval que nada ou pouco se assemelha ao que as religiões neopagãs fazem hoje. Então, será que temos mesmo meios de nos identificarmos com a figura da bruxa e nos ofendermos quando o termo é usado fora de nossos próprios contextos?
Por esses motivos, não fiquei ofendida pela capa da Veja. A revista apenas transmite um conceito e um pré-conceito que estão aí há algumas centenas de anos. Entendo o trabalho de algumas pessoas em tirar a conotação negativa da palavra, mas mentalidades instituídas há tanto tempo não serão modificadas em 10, 15 ou 20 anos. E também não podemos esperar nenhuma novidade ou inovação por parte da chamada grande mídia.
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Uma questão de imagem
Eu sou uma fã de seriados. Alguns seriados me cativam mais que outros. Sou mais do tipo CSI do que Melrose Place. Sou uma completa fã de Supernatural. E por influência da minha mãe e do meu marido, dois outros viciados em séries, estou nos últimos três dias assistindo O Mentalista como uma doida.
Estou no décimo segundo episódio da primeira temporada. Isso significa que gastei ai umas 10 horas dos meus últimos dias de férias com o seriado já, *risadas*; e está me dando uma perspectiva bem interessante da coisa.
Então vem a pergunta: e o que diabos isso tem a ver com bruxaria?
(se houver por aqui quem não queira saber sobre o episódio 12 da 1ª temporada, eu aviso que este artigo vai conter spoilers. e nesse caso, deixe um comentário e eu te passo uma versão resumida da minha linha de raciocínio)

O pano de fundo do décimo segundo episódio, Red Rum, é esse. A primeira vista é que o assassinato tenha sido feito em um ritual de magia negra, e então eles acabam chegando até a única wiccana da cidade como suspeita. O fato é que, assim como quase todos os assassinatos por "magia negra" que acontecem no mundo real, o assassino não em nada a ver com magia ou bruxaria e faz isso para distrair a polícia e sair ileso (ou se for acusado, por a culpa no capeta e se safar como maluco). Quer dizer, por um lado, eles mostram que bruxaria é algo que não é ruim para os adolescentes (na verdade tinhamos um adolescente espancado que buscava na wicca conforto e segurança), e dois dos policiais da equipe acreditam totalmente no assunto (no caso de um deles, ele tem pavor de bruxaria, e no caso de outra personagem, ela é uma mulher de fé, mesmo diante do ateísmo e ceticismo absurdo do mentalista).
Não parece tão ruim, ahn? Pelo contrário - nós temos, ainda que seja engraçado esse ângulo do medo de um, ou ainda que mentalista seja forma geral um seriado muito cético (o personagem principal é um ex falso vidente), a wicca é vista como algo "não prejudicial".
Preconceitos? A equipe é muito realista - policiais tendem a rotular tudo que fuja do padrão como potencialmente perigoso, e isso vai de grupos ambientalistas a bruxos (e a cada episódio eles se vêem tendo que enfrenhtar esses preconceitos, porque os ambientalistas sempre são suspeitos e nunca são culpados, rs). E aí é que vem a parte que realmente me incomoda.
A bruxa em questão era uma freak. Sabe, aquilo que a gente costuma chamar jocosamente de pink wicca e que opessoal gringo chama de fluffybunny? Roupas estranhas, colares espalhafatosos, olhar de drogada e um tantinho fanática. Com um passado de problemas psiquiátricos leves, e uma vida bem ruim antes de entrar na religião.
Que existe preconceito contra tudo que é diferente, é um fato. E religiosidade diferente da usual já tende a ser encarada com preconceito. Então eu fiquei pensando - o que será que a própria comunidade neopagã não faz que acaba piorando uma imagem distorcida? Não dá para negar que a gente com certeza conhece pessoas como a bruxinha do seriado.
Não estou justificando o preconceito. No meu mundo ideal, isso não existe e todos são aceitos como são. Mas não estamos em Star Trek. E assim como existem atitudes que fazem uma mulher andando sozinha ser encarada como um alvo fácil por um agressor, existem atitudes que tornam as pessoas um alvo fácil para o preconceito.
Acho que vale a pena pensar - como a gente se apresenta para o mundo? Será que nossa atitude não reforça preconceitos?
Será que não existem posturas que fazem neopagãos e bruxos em geral parecer com os neopentecostais fanáticos, que assim como os pagãos pink queimam o filme de tantos neopentecostais que são pessoas bacanas?
.
Não acho que vc precise se vestir como uma freira ou padre. Só agir com naturalidade. Ser você mesmo e não um personagem criado para chamar atenção ou desviar as pessoas de quem você é. Personagens são legais, fazem nos sentir seguros - eu sei, eu jogo RPG a catorze anos. Mas personagens tem seu lugar - na mesa de RPG ou outros jogos de interpretação. Quando contamos histórias. No teatro. Mesmo em alguns rituais, dentro de um contexto, se interpreta um papel. .
Mas o personagem é importante porque podemos tirar a máscara e guardar. E sermos nós mesmos.
Uma vez, conversando com a Pietra, ela falou sobre como quando ia dar uma palestra ela tomava o cuidado de usar roupas normais. E isso me colocou para pensar. Com essa atitude, ela ajuda a mostrar que bruxaria é algo normal, não para aparecer na TV em época de dia das bruxas com áudio de filme de terror da década de 50.
Então, fica a reflexão. Como você se mostra para o mundo? Suas atitudes reforçam preconceitos ou ajudam as pessoas a verem que todos somos pessoas completas, com uma vida normal? Você está sendo você mesmo para o mundo, ou está preso dentro de um personagem que cedo ou tarde pode sufocar você?
E isso vale, sim, principalmente, para um contexto religioso, mas também para várias outras coisas. Precisamos pensar como relações públicas as vezes. E principalmente - temos que viver nossa vida para nós mesmos, e não agindo como as pessoas esperam que a gente aja.
como você quer ser vista?
Estou no décimo segundo episódio da primeira temporada. Isso significa que gastei ai umas 10 horas dos meus últimos dias de férias com o seriado já, *risadas*; e está me dando uma perspectiva bem interessante da coisa.
Então vem a pergunta: e o que diabos isso tem a ver com bruxaria?
(se houver por aqui quem não queira saber sobre o episódio 12 da 1ª temporada, eu aviso que este artigo vai conter spoilers. e nesse caso, deixe um comentário e eu te passo uma versão resumida da minha linha de raciocínio)

O pano de fundo do décimo segundo episódio, Red Rum, é esse. A primeira vista é que o assassinato tenha sido feito em um ritual de magia negra, e então eles acabam chegando até a única wiccana da cidade como suspeita. O fato é que, assim como quase todos os assassinatos por "magia negra" que acontecem no mundo real, o assassino não em nada a ver com magia ou bruxaria e faz isso para distrair a polícia e sair ileso (ou se for acusado, por a culpa no capeta e se safar como maluco). Quer dizer, por um lado, eles mostram que bruxaria é algo que não é ruim para os adolescentes (na verdade tinhamos um adolescente espancado que buscava na wicca conforto e segurança), e dois dos policiais da equipe acreditam totalmente no assunto (no caso de um deles, ele tem pavor de bruxaria, e no caso de outra personagem, ela é uma mulher de fé, mesmo diante do ateísmo e ceticismo absurdo do mentalista).
Não parece tão ruim, ahn? Pelo contrário - nós temos, ainda que seja engraçado esse ângulo do medo de um, ou ainda que mentalista seja forma geral um seriado muito cético (o personagem principal é um ex falso vidente), a wicca é vista como algo "não prejudicial".
Preconceitos? A equipe é muito realista - policiais tendem a rotular tudo que fuja do padrão como potencialmente perigoso, e isso vai de grupos ambientalistas a bruxos (e a cada episódio eles se vêem tendo que enfrenhtar esses preconceitos, porque os ambientalistas sempre são suspeitos e nunca são culpados, rs). E aí é que vem a parte que realmente me incomoda.
A bruxa em questão era uma freak. Sabe, aquilo que a gente costuma chamar jocosamente de pink wicca e que opessoal gringo chama de fluffybunny? Roupas estranhas, colares espalhafatosos, olhar de drogada e um tantinho fanática. Com um passado de problemas psiquiátricos leves, e uma vida bem ruim antes de entrar na religião.
Que existe preconceito contra tudo que é diferente, é um fato. E religiosidade diferente da usual já tende a ser encarada com preconceito. Então eu fiquei pensando - o que será que a própria comunidade neopagã não faz que acaba piorando uma imagem distorcida? Não dá para negar que a gente com certeza conhece pessoas como a bruxinha do seriado.
Não estou justificando o preconceito. No meu mundo ideal, isso não existe e todos são aceitos como são. Mas não estamos em Star Trek. E assim como existem atitudes que fazem uma mulher andando sozinha ser encarada como um alvo fácil por um agressor, existem atitudes que tornam as pessoas um alvo fácil para o preconceito.
Acho que vale a pena pensar - como a gente se apresenta para o mundo? Será que nossa atitude não reforça preconceitos?
Será que não existem posturas que fazem neopagãos e bruxos em geral parecer com os neopentecostais fanáticos, que assim como os pagãos pink queimam o filme de tantos neopentecostais que são pessoas bacanas?.
Não acho que vc precise se vestir como uma freira ou padre. Só agir com naturalidade. Ser você mesmo e não um personagem criado para chamar atenção ou desviar as pessoas de quem você é. Personagens são legais, fazem nos sentir seguros - eu sei, eu jogo RPG a catorze anos. Mas personagens tem seu lugar - na mesa de RPG ou outros jogos de interpretação. Quando contamos histórias. No teatro. Mesmo em alguns rituais, dentro de um contexto, se interpreta um papel. .
Mas o personagem é importante porque podemos tirar a máscara e guardar. E sermos nós mesmos.
Uma vez, conversando com a Pietra, ela falou sobre como quando ia dar uma palestra ela tomava o cuidado de usar roupas normais. E isso me colocou para pensar. Com essa atitude, ela ajuda a mostrar que bruxaria é algo normal, não para aparecer na TV em época de dia das bruxas com áudio de filme de terror da década de 50.
Então, fica a reflexão. Como você se mostra para o mundo? Suas atitudes reforçam preconceitos ou ajudam as pessoas a verem que todos somos pessoas completas, com uma vida normal? Você está sendo você mesmo para o mundo, ou está preso dentro de um personagem que cedo ou tarde pode sufocar você?
E isso vale, sim, principalmente, para um contexto religioso, mas também para várias outras coisas. Precisamos pensar como relações públicas as vezes. E principalmente - temos que viver nossa vida para nós mesmos, e não agindo como as pessoas esperam que a gente aja.
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sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Novo projeto!
Bem vindos ao nosso novo projeto!
Nosso objetivo é falar da Stregheria, a Bruxaria Tradicional Italiana, de uma maneira prática.
Queremos mostrar como a Bruxaria, o Sagrado, a Magia e o amor aos nossos ancestrais fazem parte do nosso dia-a-dia, do nosso cotidiano.
Somos streghe (bruxas), que moram no Brasil, que tem origens, práticas e crenças diferentes, e que vão contar aqui um pouco do que é ser uma strega (bruxa).
Esperamos sinceramente que vocês gostem deste projeto e ajudem-nos a construí-lo.
Bênçãos de Apolo e Diana,
Colaboradoras do Stregheria Pratica.
Nosso objetivo é falar da Stregheria, a Bruxaria Tradicional Italiana, de uma maneira prática.
Queremos mostrar como a Bruxaria, o Sagrado, a Magia e o amor aos nossos ancestrais fazem parte do nosso dia-a-dia, do nosso cotidiano.
Somos streghe (bruxas), que moram no Brasil, que tem origens, práticas e crenças diferentes, e que vão contar aqui um pouco do que é ser uma strega (bruxa).
Esperamos sinceramente que vocês gostem deste projeto e ajudem-nos a construí-lo.
Bênçãos de Apolo e Diana,
Colaboradoras do Stregheria Pratica.
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