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quinta-feira, 7 de abril de 2011

A mulher...

A mulher anda pela cidade. Imersa em tecnologia e afazeres, quem olha de fora pode nem perceber o que se passa. Mas quando abre seu armário no trabalho, os deuses e os espíritos, do lugar e os que cuidam dela, estão ali, honrados, e ela deixa uns wafers  em oferta aos espíritos.

Usa a internet para conhecer mais e ler sobre amigos distantes. E olhando os emails, faz um sinal para afastar o mal olhado quando encontra na caixa uma mensagem de alguém tóxico.

A mulher prepara sua comida e ri enquanto ouve uma piada, mas joga sal no fogo para ver a chama azul e alimentar o fogo, mesmo que ele venha de uma boca de gás. E quando o churrasco de família termina, aproveita as brasase joga um punhado de cevada que chiae solta um cheiro bom enquanto queima.

E com a mesma naturalidade de quem discute um lançamento blockbuster do cinema, ela aproveita a distração geral e veste sua corrente de ferro onde um pingente cheio de pimentas e chifres de vidro vermelho faz lembrar sua força, só para ter certeza de que os pensamentos alheios não vão atingi-la. E fala com o mesmo tom acadêmico dos rumos da educação e da história da bruxaria. 

As vezes, a mulher suspeita um sorriso quando escuta pelas costas alguém comentando "ela também é uma bruxa".

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Bruxaria de cozinha

Não sou especialista em cozinha. Mas quando vi essa blogagem coletiva eu tinha que falar a respeito aqui no Stregueria Prática.

Minha cozinha é uma cozinha bem bruxa. É nela que está o altar para os Lare, para os ancestrais e para os espíritos da casa.

É ali que aplacamos o humor quando alguém do Belo Povo decide que nossa casa é um parque de diversões, ou por algum motivo chega indignado azedando nosso leite, é ali que acendemos velas e incenso quando dos aniversários e das mortes. É ali que ficam nossas alianças.

Ao lado do meu fogão, há uma oração para Héstia. Para lembrar que a cozinha é o coração da casa, mesmo quando ela é, como a minha, um corredor de meio metro de largura.

Quando corro o pano sobre o balcão para deixar brilhante o granito, penso em como é urgente um forno para cumprir com a natureza dessa pedra que pede que sovemos a massa sobre ela.

Em cima do forno de microondas, temos pacotes e pacotes de chá de todos os tipos. Assim, são remediadas cólicas, ressacas, dores de estômago, tudo o que nosso povo precisar. Embaixo do balcão de pedra e tijolos, secamos ervas. Poejo, hortelã, ervas de tempero e remédio, e também guiné e arruda para banhos e defumações. 

Atrás da geladeira, temos uma penca de pimentas. Agora, no começo do ano, vou queimar na fogueira as pimentas velhas e colocar um novo fio vermelho atravessado de malaguetas frescas, que durante o ano vão secando e eu vou usando quando é preciso uma defesa.

Sobre a pedra fria do balcão, preparo pequenos feitiços e bebo com meus amigos. Mais que tudo, preparo sangria, fazendo a magia de transformar mel, vinho e laranjas em risadas. Faço magia e enredo encantos enquanto misturo limão e mel, e diluo lento no vinho.

Sobre a geladeira, um gremlim faz as vezes de pinguim de geladeira, e um dragão azul a seu lado guarda a cozinha com seus olhos brilhantes e suas asas abertas.

Ao lado da despensa, descansa a forma serpentina da imagem do Agatho Daemon. E observam nossas vidas Coiote, Lobo e Beija Flor, relembrando que esta cozinha não é minha, é nossa.

Fervo água para por na bolsa de água quente para o gato doente, queimo sal na boca do fogão quando meu filho tem febre. Quando cai um garfo no chão, repito "Vai vir um homem, que venha para o bem, se for para o mal, que fique onde está." (e o mesmo para uma mulher quando cai uma colher). Guardo anil junto com a resina de incenso e preparo sopa para os amigos na madrugada.

Rezo a panela de pipoca para que ela estoure mais. Repetimos o nome de três fofoqueiros, batendo os dedos na tampa da panela. O saci se distrai ouvindo as fofocas e não tem tempo de fazer com que o milho vire piruá.

E é assim que as pessoas vão se ajeitando em volta, ficando por aqui, e como em noites de chuva e madrugadas tristes, eles sabem que ao pé dessa cozinha, todos encontrarão abrigo, e como em noite de riso e dias de sol, eles sabem que encontrarão paz e risadas.

Uma cozinha bruxa. Que se constrói ainda, que ainda é inexperiente e bagunçada, e que um dia ainda será muito melhor.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Ofício e família

São duas e meia da manhã e eu deveria esta dormindo porque daqui a seis horas estarei saindo para o trabalho.

Ao invés disso, estou desenhando sigilos de proteção e preparando as ferramentas com que alguém que amo estará amanhã fazendo sua própria magia; ela a seu modo também é uma bruxa.

A diferença é que ela, ao contrário de mim e de outras mulheres desta família, decidiu um dia que não queria lidar com essas coisas. Que não se sentia forte, que achava que não era o bastante, que não lhe servia.

Eu não acredito em livre arbítrio, sou helenista caixa de maizena, acho que os deuses mandam na gente. Ela é católica - acredita em livre arbítrio.

Eu não discuto seu livre arbítrio. Mas os sonhos, ela os tem, mesmo fugindo deles. E quando menos espera, lá vem ela, pedindo um sigilo de proteção ou uma reza forte, aconselhando alguém ou fazendo uma limpeza, jogando sal ou espantando mal olhado .

Tenho reparado que nos últimos tempos, ela tem lidado melhor com isso. Com o fato de que não podemos negar que nosso papel na sociedade é espantar coisas, proteger coisas, tecer feitiços e cozinhar intenções. E que não importa se eu invoco Hécate e ela São Miguel Arcanjo, se eu queimo ervas e ela incenso de oração, se ela faz uma figa discreta e eu um mano cornuto na frente do peito, nós trabalhamos bem ajudando uma a outra.

Este ofício independe de religião, e cada vez mais eu creio que também independe de vontade. Parece que alguns não conseguem fugir do que são.

E eu, anoto os símbolos que ela me pediu para procurar, enquanto separamos carvão e sal, e preparo minhas velas, e enquanto ela separa o terço eu faço sortilégios de proteção sobre ela.

Queria que a vida fosse fácil e nada disso necessário. Mas acho bonito, nós duas assim, vestindo jaquetas vermelhas e discutindo formas de afastar juntas um mal que teima em se aproximar da comunidade. Porque é isso que fazemos, não? Nós bruxas que não se dizem bruxas, nós que nos encontramos sob a sombra das árvores fazendo tranças de ervas e olhando a passagem das pessoas ao longe.

Nós cuidamos do nosso vilarejo, para que o leite não talhe e as plantações não sequem.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A questão da Veja

... ou porque eu não acho tão grave assim o que a Veja colocou na capa.

A revista Veja, da Editora Abril, trouxe na capa o título "A Confissão da Bruxa", sobre a promotora de Justiça que maltratou sua filha adotiva. Muitos se sentiram ofendidos pela conotação negativa que a palavra bruxa assumiu no contexto e classificaram a ação como preconceito religioso.

Penso que a Veja (e seus editores, porque veículos de comunicação são produzidos por pessoas) foi infeliz na escolha das palavras. Mas, dentro do contexto da reportagem, que faz a relação da mulher com as vilões de contos de fadas, faz sentido.

Classificar o episódio como preconceito religioso é um exagero. A Veja não é a primeira, nem a única e nem a última a usar a palavra bruxa dentro desse contexto. A sociedade ocidental usa o mesmo termo, dentro das mesmas conotações, desde a Idade Média, quando as bruxas eram as mulheres escolhidas como bode expiatório dos problemas das comunidades feudais.

Por que a Veja, uma revista cuja linha editorial segue a ideologia dominante, se preocuparia com as percepções religiosas de um pequeno grupo de pessoas? Sim, somos pequenos. Não tão pequenos quanto éramos há 20 ou 10 anos, mas comparados com as religiões cristãs dominantes, somos um pequeno grupo religioso que não tem voz para ser ouvida e que não tem órgãos representativos para isso.

Entre nós, neopagãos, o único órgão representativo é a Abrawicca. E a voz da Abrawicca não é a minha, porque eu não sou wiccana. E eu não creio que outras vertentes neopagãs, esparsas e diferentes entre si, possam se organizar politicamente ao ponto de influenciar a grande mídia.

Além disso, me peguei pensando em nossos conceitos de bruxaria. Será que nós somos mesmo bruxos? Sou contrária ao uso do termo bruxaria relacionado à religião. Para mim, bruxaria e feitiçaria não são, necessariamente, sinônimos. E, ainda mais, não devem ser tratados como sinônimos de neopaganismo ou de Wicca. Bruxaria é uma prática medieval que nada ou pouco se assemelha ao que as religiões neopagãs fazem hoje. Então, será que temos mesmo meios de nos identificarmos com a figura da bruxa e nos ofendermos quando o termo é usado fora de nossos próprios contextos?

Por esses motivos, não fiquei ofendida pela capa da Veja. A revista apenas transmite um conceito e um pré-conceito que estão aí há algumas centenas de anos. Entendo o trabalho de algumas pessoas em tirar a conotação negativa da palavra, mas mentalidades instituídas há tanto tempo não serão modificadas em 10, 15 ou 20 anos. E também não podemos esperar nenhuma novidade ou inovação por parte da chamada grande mídia.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dica de Leitura I

Promessa é dívida!

Então, como eu escrevi no post anterior, vai a Dica de Leitura desta semana.

Para começar, vamos com um texto do Robin Artisson, um bruxo tradicional. Já ouvi algumas críticas ao seu trabalho, mas as visões dele fazem sentido para mim.

Escolhi um artigo que rapidamente enumera as principais diferenças entre os sistemas que nós costumamos compilar no termo Bruxaria Tradicional e Wicca, ou Bruxaria Moderna.

Indicamos esse texto porque nossas práticas e, consequentemente, o material do blog, se assemelha mais a da Bruxaria Tradicional. Por isso eu acho que precisamos esclarecer alguns conceitos e diferenças, principalmente para quem está chegando agora e não tem muita noção das diversas ramificações.

O artigo chama-se "Bruxaria Tradicional e Bruxaria Neopagã - As Diferenças". Eu tenho uma versão antigona, que saiu deus sabe de onde, nos meus apontamentos. Achei uma com uma boa tradução, que vocês podem ler clicando aqui.

Estamos abertas à discussões, comentários, sugestões... fiquem à vontade!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Gênero e bruxaria

Sempre me perguntam por que os praticantes de Bruxaria Italiana se dizem streghe, como plural de strega, ou seja, bruxa. Na verdade, fica a ideia de que, para praticar Bruxaria Italiana é necessário ser mulher. E essa é uma ideia que me incomoda um tanto.

Bruxaria e magia independem de gênero. Dependem basicamente de intenção, energia e papel.

Intenção, desde o sentido de estudar e querer fazer acontecer. E como. Uma vez que uma pessoa é instruída a um feitiço, uma reza, uma cura, qualquer um pode praticá-la. Porque é uma questão de aprender a fazer e fazer.

Energia, pelo conhecimento de manipulação do que permeia o nosso mundo físico e o mundo espiritual. Está tudo na Natureza. E com o conhecimento, aprendemos a mexer no que cura, no que limpa, no que leva a intenção ao seu propósito.

Talvez a pegadinha se encontra no papel. Porque quando falamos disso, estamos falando das diferenças de grupos. Em alguns grupos, os homens podem trabalhar apenas como xamãs, ou como cuidadores do fogo, ou como orientadores dos neófitos.

As energias dos Deuses e da Natureza até se dividem em feminino e masculino e cada qual tem seu papel. O macho fertiliza, a fêmea gesta. Porém, vale pensar que existem muitos seres que fazem esse movimento de formas diferentes... cavalos-marinhos, pingüins, bactérias, dragões de comodo.

O tempo e a necessidade de cada grupo, mesmo dentro da Natureza determinam esses papeis. Assim, as pessoas devem se sentir encorajadas a buscar sua espiritualidade, buscar sua ancestralidade. Porque através delas, entendemos nosso lugar no mundo, independentemente de gênero.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pharmakeia, Deusa Bruxa


Pharmakeia, do grego, a que conhece ervas. Também palavra para bruxa ou feiticeira. Sim, desde a Grécia antiga, aquela que conhece ervas, seus segredos, remédios, venenos e transformações são das chamadas "bruxas". As mulheres sábias, as que tem um olhar mais apurado para o local que habitam, que vivem-junto.

Algumas deidades têm esse nome, pharmakeia. E, geralmente, quando pensamos nisso imediatamente, vamos para Diana, a Reina del'e streghe ou mesmo, Hekat, a Trívia. Seus atributos de senhoras da magia, de trazedoras das mudanças, de conhecedoras dos caminhos e do mundo selvagem, além de uma ampla iconografia e associações com a Lua, fazem com que Diana e a Trívia sejam "top of mind" quando pensamos nas pharmakeia.

Mas, outras Deusas são assim... Circe é uma. A Deusa dos Cachos Claros. Filha de Hélios e Perseis. Circe se faz muito presente na vida de Odisseus, que chega à ilha de Circe e tem sua tripulação transformada em porcos; transformação que não se dá por um passe de mágicka, mas sim, por drogas, por poções. Circe, a que ajuda Medea a se casar com Jasão e é visitada na Itália. Na Velha Bota ainda, Circe é conhecida como mãe do deus Faunus, por Poseidon.

Outra, é a irmã de Circe, Pasifae. A que Brilha em Tudo. A esposa do rei Minos, mãe do minotauro, Asterion. Pasifae também mãe de Ariadne, a senhora do labirinto, e de Fedra. Pasifae conhecedora das ervas, chegou a amaldiçoar Minos por suas amantes fora do casamento, fazendo que ele ejaculasse escorpiões quando se deitasse com outra que não ela.

O que eu acho muito interessante nessa coisa toda é que, Pasifae é a lua cretense... Circe é uma senhora de uma ilha que trabalha com ervas e drogas e se coloca na posição de conselheira ou de interventora.

Sim, as pharmakeia são como as streghe. Talvez sejamos nós como representações físicas dessas Senhoras Antigas, das Senhoras da Sabedoria da Natureza.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Daqui do Brasil e lá dos Estados Unidos


Eu tenho alguns perfis em redes sociais de fora do Brasil. Depois que eu matei meu Orkut, eu me coloquei de uma forma mais intensa nessas redes. Uma é o MySpace e a outra, o Facebook. E lá (s) as coisas acontecem de um jeito diferente do Orkut, mas tem coisas que me colocam para pensar num tanto de coisas... Quanto realmente é preciso colocar nosso tipo de Bruxaria Italiana, aquela feita no Brasil para o escopo internacional. Uma vez, uma pessoa veio me mostrar um site sobre Bruxaria Italiana feita na Itália, mas que tinha tradução em português, e eu passei o meu site para ela. Não tenho palavras para dizer como me incomodou o fato dessa pessoa passar a dizer que meu site era parcial e que como eu não explorava as "maravilhas" trazidas a humanidade por Raven Grimassi. Afinal, aquela é a autêntica bruxaria italiana... e essa palavra me pega...

Não que eu ache que ele não presta... Não acho. Acho que ele tem um valor importante no contexto todo do entendimento da Bruxaria Italiana, e principalmente no contexto norte-americano, mas não é a única fonte, a única verdade.

Acho que, ao expor um tanto da minha prática e um tanto do entendimento dos filhos, netos e bisnetos dos imigrantes traz um contexto social e cultural que difere de país para país e isso faz com que os símbolos sejam entendidos diferentemente.

O que fazer?

Estou pensando se o nosso jeito realmente não ê de streghe brasileiras para streghe brasileiras. Ou seja, será que vale o trabalho de querer levantar uma lebre em inglês que faria sentido para muito poucos? Será que não vale mais investir num trabalho em português para falantes de língua portuguesa?

Estou me convencendo que sim... e com os de fora que nos entendem, dialogamos.

Imagem: Bella Strega Aradia, em
http://guaya.deviantart.com/art/Bella-Strega-Aradia-89427325

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Programa: Tudo Sobre, no Discovery Science

tema de 26 de janeiro foi "Paranormais"... de curandeiros a reikianos e gente que trabalha com pêndulo, um mundo de pessoas que usam o que existe no mundo e não é necessariamente óbvio para a maioria das pessoas.

O approach é meio americanóide, mas o que é bacana é colocarem as palavras das pessoas falando de coisas que acreditamos e sabemos que existe.

Um cara disse que isso tudo serve para escaparmos de uma existência monótona...

Uma senhora coreana disse que o viver com os ancestrais e seus caminhos, nos faz mais parte do mundo que vivemos. E que o que as pessoas chamam de "curandeirismo" eles chamam de contato com os Deuses e com a Natureza... e nós chamamos de Xamanismo... de Paganismo... de Espiritualidade... lindo!

Coincidência? Eu rio dessas coisas... E uma coisa é verdade... Deuses são Deuses... aqui, na Coréia, na Grécia... NA NATUREZA!

Que beleza!!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Instrumentos mágicos da Carol

Guias de filha de santo, caldeirões, athame, tigela italiana, ervas secas, defumadores... tem de tudo entre os instrumentos mágicos da Carol Yara, nossa amiga e primeira leitora a contribuir com a campanha de Instrumentos Mágicos. Ela enviou várias fotos para gente. "Listei os instrumentos, sendo aquilo que considero como meio importante para esse meu religar com o Sagrado. O que me ajuda a passar certos portais e me sintonizar com Eles e a manipular também essas energias.


Uma das coisas interessantes nos instrumentos da Carol é realmente a mistura entre a herança das religiões Afro com os instrumentos mais conhecidos da bruxaria moderna. Se pensarmos que bruxaria é uma prática, uma arte e um ofício, faz sentido que ela esteja atrelada a uma religiosidade com um veio mágico tão pulsante, como a Umbanda. "Sou uma pessoa de muitas tradições. E sigo todas como se fossem uma só! Por isso, aqui tem uma coleção de coisas diferentes e distintas que constituem minha vida mágica", explicou.

As fotos de todos os instrumentos não couberam aqui. Mas como nós somos pessoas modernas e inteligentes - e super modestas - temos um Flickr super legal para essas horas! Não deixem de conferir e ver mais fotinhos!

Em breve vou falar para vocês um pouquinho dos meus instrumentos.

Enquanto isso, quem quiser participar é só mandar fotos e um texto explicando sobre seus instrumentos para o nosso e-mail (stregheriapratica@yahoo.com.br).

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Série: o bom da lista do Yahoo!

Inês e eu pensamos que seria interessante dividir aqui no blog algumas conversas interessantes da lista de discussão do blog.

Então, eu fiz a MINHA primeira escolha. Umas perguntas que a Carol Yara fez há poucos dias na lista e que a Inês deu umas respostas muito em cima da pinta =)

A mensagem da Carol:
carolina_carvalho@> escreveu :
Queridas amigos e amados companheiros de Stregheria. Abro esse debate novo que provavelmente já não é novocoisíssima nenhuma, hahaha. Mas para mim é! Ainda me considero "bichete" em nossas práticas e, como "café-com-leite" acho que mereço uma colher de chá para resgatar um tema "mais do mesmos" assuntos de sempre.

A resposta da Inês:
*Paganismo e bruxaria é a mesma coisa?
*Não. Não são.

*Como distingüimos uma coisa da outra?
*Paganismo é o culto as divindades naturais pré-cristãs. Bruxariaé a prática de magia com elementos naturais. Infelizmente, é comum usar as duas palavras como sinônimos, mas o conceito é diferente.

*Existe bruxaria sem paganismo e vice-versa?
* Sim! Existem muitas mulheres e homens por aí que usam ervas, poções, benzimentos e outras coisas para curar ou conseguir coisas - ou seja, fazer magia com elementos naturais - e que não cultuam divindades pagãs. Como há pagãos que não fazem magia. As práticas podem ser atreladas, mas não é uma regra. O problema é que o povo comprou um discurso "wiccanizado", mal acabado e de fundamentação histórica duvidosa de que bruxaria e paganismo são a mesma coisa e derivam de um culto ancestral a uma deusa da fertilidade. Em consequência, as pessoas acham que para você ser bruxo tem que ser pagão e cultuar uma Deusa Mãe. Isso não é verdade. Nem todo pagão cultua uma única divindade feminina, como nem todos fazem magia.

*Assim como bruxos não pagãos ou pagãos não bruxos??
*O melhor exemplo de bruxos não pagãos são as benzedeiras. Ou pessoas como a minha mãe, que tem toda uma prática de magia e cartomancia e não cultua divindade nenhuma (só santo Antônio). Os reconstrucionistas helênicos são um exemplo de pagãos não bruxos, porque eles seguem as coisas bem certinhas da religião da Grécia Antiga e lá a magia era algo proibido e marginal.

*E as nomeclaturas? Bruxaria, feitiçaria, magia... é tudo a mesmacoisa ou tem diferenças??
* O Carlos Alberto Nogueira, professor da USP da cadeira de História Medieval, tem umas definições boas pra bruxaria e feitiçaria.
Pra ele, a bruxaria é uma prática rural coletiva, de atos para se garantira fertilidade. Muitas vezes ela tem um escopo religioso por trás, não necessariamente pagão.
A feitiçaria é uma prática de magia urbana e que não tem nenhuma relação com religião ou religiosidade. Sabe aquele lance "trago seu amor devolta em sete dias"? Então, essas seriam as feiticeiras...
Magia é, como diz o Aleister Crowley, a arte de fazer transformações de acordo com a vontade. Bruxaria é um sistema de magia. Há vários outros, como os sistemas usados pela Rosa-Cruz, ou pelo pessoal da Alta Magia. Como eu disse, acho as benzedeiras "um must" em matéria de bruxaria não-pagã. Elas sabem usar ervas, curar ou fazer adoecer, e para isso usam os santos e os anjos.
Na Sicília, tem uma tradição bem similar chamada de Benedicaria. É magia cristã, baseada em elementos naturais, mas que não tem nenhuma relação com os deuses pagãos. Eu comecei a me tocar de todas essas diferenças depois que li "Stregheria e Magia Vernacular: Uma Comparação" (Stregheria and VernacularMagic: A Comparision) da antropóloga Sabina Magliocco. Tem nos arquivos da lista e na parte da Pietra no Tribos de Gaia (www.tribosdegaia.org). Eu recomento 100% pra quem já tem uma noção de stregheria e bruxaria tradicional e quer se aprofundar.
Fora que eu quero ser que nem a profª Magliocco quando eu crescere largar o jornalismo!!! rs

Expliquei direito? Eu sou meio cri-cri com esses conceitos, sabe?Realmente me irrita ver as pessoas usando paganismo, bruxaria e magia como sinônimos, quando são conceitos diferentes que podem ou não vir aliados.

Eu sei que fui super acadêmica, mas uso essas definições no meu dia-a-dia... tanto que eu sou muito pagã e pouco bruxa.
Beijos!!
Inês

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Qual é o seu sabor?

Ultimamente numa lista de discussão do Yahoo sobre Stregheria - que se chama Traditional Stregheria - uma pessoa ia dar uma entrevista e queria saber de diferentes práticas de Bruxaria Italiana entre os praticantes. E a pergunta que ele usou me chamou muito a atenção: What is the flavor of your practice?

E, ai, as pessoas diziam nesta pergunta um pouco sobre como as suas filosofias de prática se davam, mais cristãs, mais pagãs, misturadas...

E eu achei isso muito interessante, pq as coisas acabam mesmo não sendo absolutas quando tratamos de Bruxaria Italiana - PRINCIPALMENTE no Brasil, que é sim um país que entende de misturas...

O sabor da minha prática é de azeite e azeitona... ou seja, o politeísmo grego (ou greco-romano, mas como eu gosto de chamar: helênico). Tem também um gosto de oregano... afinal de contas é a minha ancestralidade - uma parte do norte, outra, do sul. Minha prática tem sabor de vinho seco, dos ancestrais do norte que cuidavam de vinhas até a guerra estourar e eles virem para o Brasil. Tem ainda gosto de pão integral ou qualquer pão quente, pois a família de Roma quando aqui chegou, abriu uma padaria (padaria italiana!!!). Por fim, tem gosto de café, dos lavradores do interior que fizeram suas vidas... e graças a eles, aprendi sobre curas como ovos e panos brancos e como segurar tempestades.

Nossa. Dá até pra sentir o cheiro... e é coisa gostosa de Dioniso Baco! Evoé!

Para conhecer a lista Traditional Stregheria, clique aqui!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Trívia e Diana

O Fernando, companheiro e amigo de listas e comunidades há uns anos, enviou uma dica muito legal na lista do Stregheria Pratica. Ele nos mandou o link de uma revista acadêmica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) chamada Calíope que tem alguns artigos bem legais. O que eu gostei foi "Elementos Religiosos nas Elegias de Tíbulo", da professora Zelia de Almeida Cardoso.

O foco do texto é sobre os símbolos e objetos que os romanos usavam para proteger suas casas, descobertos pela historiadora a partir de pesquisas e análises das evocações do poeta latino Tíbulo.
Os deuses citados no artigo como protetores são Priapo, Janus, Terminus, Ceres, Apolo e a Trívia - que, na verdade, é a versão "romanizada" de Hécate.

Um dos trechos que achei bem interessante e super há ver com a coisa toda da stregoneria é o trecho em que a autora relaciona a Trívia com Diana:
"(...) Quanto a Trívia, não podemos deixar de mencioná-la com certo destaque. Figura polivalente, deusa triforme (dea triformis)41, patrona da feitiçaria e das práticas mágicas, invocada nas doenças, dado o seu poder de curá-las, Trívia apresenta características nitidamente apotropaicas. Segundo Plessis e Lejay42, Trivia é um dos epítetos de Hécate, a “deusa dos espectros e dos espíritos”, que “pertence à religião popular e não figura no brilhante Olimpo das epopéias homéricas”. Sua verdadeira fisionomia só aparece depois do século V a.C., na Grécia, e sua natureza a associa, no culto e na literatura, a Ártemis/Diana, também considerada como hécate (do grego hekáte), “a que atira longe seus dardos”.

Ártemis caçadora se assemelha, portanto, a Hécate e, em Roma, as duas deusas, embora cada uma guarde algumas características específicas43, acabam por fundir-se numa mesma divindade. São muito numerosos os textos literários latinos que documentam essa fusão. Na Eneida44, Virgílio emprega a expressão tria uirginis ora Dianae (“os três rostos da virgem Diana”) como aposto de Hécate; em duas passagens, referindose à Sibila de Cumas e ao templo de Apolo, associa Trívia a Febo45, identificando-a com Diana; refere-se aos bosques de Diana, em Nemi, como “bosques de Trívia” ou “bosques de Hécate”46 e ao lago de Diana, perto
do qual havia um templo consagrado à deusa, como “lago de Trívia”47. Propércio48 e, mais tarde, Sêneca49 também procedem à assimilação das duas divindades (...)"

Eu tenho uma teoria - meio pretensioso dizer isso, mas não achei termo melhor -, de que Diana, numa correspondência com os deuses gregos, teria mais relação com Hékate do que com Ártemis. Foi bem interessante esse respaldo científico - mostra que não é esquizofrenia...

Fica a sugestão para pensar e debater. E trocarmos impressões sobre a associação das divindades gregas e romanas.

O link para ler o artigo todo está em http://www.letras.ufrj.br/pgclassicas/caliope12.pdf. É só correr o arquivo até a página 93.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Palestra sobre instrumentos de cozinha e seus significados


Neste sábado último, participei de mais uma tarde de palestras no Viver Alternativo.

A palestra foi sobre objetos de cozinha e como eles podem ser resignificados para o nosso fazer mágicko e como isso poderia ser visto e feito de formas diferentes. Porque as pessoas têm crenças diferentes e podem achar que misturar as coisas é disperdiçar energias, mas outras podem achar que estão fortalecendo a egrégora da família.

Ou seja, muitas pessoas, muitos jeitos.

O meu enfoque foi que, no tempo histórico de nossos ancestrais, objetos usados para bênçãos, cozidos mágicos como ungentos, temperos, chás, banhos, etc. eram feitos nos mesmos objetos que eram usados pela família. Assim, a mesma faca que cortava o pão, poderia ser a faca que trazia a cura do mallocchio... ou o mesmo prato que carregava uma oferenda para Ceres, poderia ser o prato de sopa do dia seguinte.

E seguimos nesta discussão, pensando em significados dos lugares e objetos... e como Héstia poderia morar no fogão hoje em dia e Deméter pode ter uma participação na geladeira, pois ali se mantém parte do nosso sustento e nossas frutas e verduras ficam fresquinhas.

Falamos de xícaras e como elas seguram os líquidos, tão emocionais e importantes, como o café para a socialização das pessoas e o copo com água com açúcar.

Um dos tópicos que conversamos e mais gostei foi: panelas e caldeirões, com tampa ou sem tampa? Nesta hora até fechei o micro (onde estavam as fotos da minha cozinha) e abri um fórum para conversarmos. Chegamos a conclusões interessantes:
- tampas podem ser importantes para dar um tempo de cozimento especial.
- tampas podem ser importantes para esconderem o que estamos cozinhando.
- tampas podem ser importantes para não permitir que coisas que não prestam caiam em nossos cozidos.
- tampas podem ser dispensáveis quando queremos que o que estamos cozinhando se espalhe...

Assim, voltamos ao começo da conversa, como tudo é uma questão de significado e entendimento.

Como vc usa as coisas da sua cozinha num âmbito mágicko?

domingo, 20 de julho de 2008

Do último dia de curso

Esta semana tivemos a última aula do curso de Bruxaria Italiana do Espaço Viver Alternativo.

Semana passada havíamos combinado que faríamos um ritual para a lua cheia e, nele, energizaríamos objetos que seriam nossos protetores contra o mal olhado.

As conversas começaram a hora que eu me sentei com as meninas. Elas vieram me mostrar o que haviam comprado para esse momento. Tesouras e nazars foram as nossas vedetes e nosso padroeiro, o Protetor de Têmis.

Com as palavras que eu ouvi do Quiroga essa semana, não pude deixar de pensar como a Lua Cheia seria importante para esse momento. Um momento de preservar nossas famílias e de querer e de galgar mais longe. Foi nessa toada que seguimos o nosso dia com pimentas, cravos e uma linda espada.

E em nossa manifestação ritual, cada uma de nós pôde tomar um papel... Aliás, muito obrigada à Carol por me ajudar tanto na limpeza e no trazer das ondas do mar num pilar do templo; obrigada a Aglaia Madora por trazer a força e a constância da terra num outro pilar do templo; e à Eliane, que teve sua primeira experiência numa construção como essas e trouxe a limpeza e a consciência do ar lindamente!

Quando podemos estar juntas entre paredes tão seguras e sob um céu tão aberto, as diferenças aparecem, as similaridades afloram e muitas idéias se colocam.

Sabe, dar um curso tem claro há ver com um trabalho, com um construir de conhecimentos, inclusive de trocas, afinal de contas, não foi um curso gratuito. Mas tem muito mais a ver com dedicação de tempo, de atenção e de energias. E nisso, como eu aprendo. Como eu olho para as pessoas e as admiro em suas vontades de ir além e, principalmente, de exporem o que pensam.

E o dar seus pensamentos e idéias é um presente muito valioso... obrigada, meninas, pela confiança, pelo carinho e pelo compromisso.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Da primeira parte do curso que estou ministrando


Este sábado dei a primeira parte do meu curso sobre Bruxaria Italiana. Foram 4 horas muito interessantes. Levei uma apostila com algumas idéias e conceitos, por exemplo, o que é Bruxaria, Magia e Feitiçaria ou por que existe Stregoneria e alguns dizem Stregheria. A apostila é interessante e, embora seja curtinha, traz algumas idéias sobre os principais pilares da Bruxaria Italiana, como os cultos, os ancestrais, a devoção aos deuses.

Mas, acreditam que eu mal e mal abri a apostila?

Dentro do grupo, havia pessoas que buscavam, cada uma dentro de uma linha... uma mais curiosa... outra querendo somar conhecimentos... mas todas buscando coisas a mais, pensando no que é o intocado, o obscuro.

O que eu acho que foi o mais gostoso desse encontro foi que as pessoas se colocaram e participaram como poucas vezes eu vi.

Em termos de entendimento, me pareceu que as coisas iam sendo ditas e assim, complementadas pelos outros, ajudando cada um a construir novos conhecimentos.

Perguntas muito interessantes surgiram... E como sabemos que os Deuses nos favorecem?

E será que realmente Eles ouvem o que dizemos?

E quem busca algo que não tem nome?

Uau... foi uma delícia pensar junto sobre tudo isso...

Semana que vem, vamos fazer uma celebração para a Lua Cheia e energizar um objeto contra o mal olhado.

Ah, é... por fim, lemos uma história da Strega Nona para conhecer o básico das senhoras sábias da Italia. Que gostoso ouvir histórias!

Semana que vem, tem mais!

domingo, 15 de junho de 2008

Malocchio, lidando magicamente com o mal olhado

Foi a palestra que eu dei hoje na V Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba.

Eu escolhi esse tema pq eu acredito que seja uma das principais crenças e preocupações mágickas dos ítalos. Afinal de contas, é dado que a falta de cuidado com o olho gordo pode ter consequências bem sérias, pois essa secura é a morte...

A palestra foi por um pequeno viés histórico que foi pensando em como a crença no mal olhado se mostra com força na Ìndia e passa a viver entre os indo-europeus, sendo uma grande preocupação mediterrânea.

Então, convidei o grupo a pensar sobre formas de pensar no mal olhado como manifestação física, energética e espiritual, se mostrando como mal estar, confusão e sensação e estar sendo vigiado, respectivamente.

A interação do pessoal que veio com muitas vivências e experiências em termos de como perceber e lidar com o mal. Assim, relatos de formas de benzimento ou explicações super interessantes do pq bocejamos tanto quando estamos com quebranto, vieram a tona.

Aliás, notaram como existem tantas palavras para a mesma coisa? Evil eye, el ojo, jetattura, olho gordo, invidia, quebranto...

Mas o maravilhoso é que existem muitas formas de lidar com ele... da figa aos chifres... do alho à pimenta... da cimaruta a cornicello... Como é importante não se deixar pegar pelos olhos dos outros...

Ah, claro... e como é importante cuidarmos do que pensamos em como lidamos com as nossas emoções, afinal de contas, o quebranto que podemos pensar ter vindo de outro, pode estar vindo de nós mesmos. E mais que isso ainda, que podemos estar jogando nos outros...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

V Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba - indo!

Pode falar o que quiser... pra mim, a convenção é um dos grandes eventos do ano... Claro que existem outros encontros, muitos, inclusive, muito mais regulares que a convenção, mas acho que ela tem coisas tão dela que a fazem única.

Ok, tem o fato de eu ser palestrante no evento pelo terceiro ano... e isso é uma experiência que não tem preço pq é uma chance de poder contribuir com a Casa de Bruxa, que me deu tantas oportunidades, e uma chance de repartir o que eu conheço com bastante gente.

Outra coisa que me alegra é o poder dar uma aula ou ter um papo com pessoas que eu conheço virtualmente, ou mesmo com pessoas que eu não conheço nada, mas que deram uma parte de seu fim de semana, entre tantas outras atividades para vir me ver e me ouvir... Em adiantado, eu agradeço.

Então, sexta 13, sábado 14 e domingo 15 a V Convenção de Bruxas e Magos estará rolando no coração do ABC paulista...

Claro que quando eu voltar, vou trazer mil notícias, fotos e impressões...

Para quem quiser saber mais e conferir a programação, pode entrar no site da Casa de Bruxa que está organizando a coisa toda.

Vale a pena!!!!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Kirke - por Thalia Took

Atendendo a um pedido na comunidade
livre para o texto sobre Kirke (Circe).

Kirke é filha de Hélios, o Sol, e da irmã de Aeëtes e Pasiphaë, a mãe de Ariadne. Outras fontes a colocam como filha de Hekate e irmã de Medea. Sua lenda diz que ela vem, originalmente, de Cochis, no Mar Negro, mas deixou o local depois de envenenar seu marido, tomando residência no oeste da Ilha de Aeaea.

Kirke é uma grande encantadora e famosa por seu conhecimento de ervas, magias e encantamentos das sombras. São conhecidos seus encantamentos de transformação: metamorfoseou a bela ninfa Scylla num monstro do mar por ciúmes; Picus, que recusou seu amor, foi transformado num pica-pau; e qualquer ser humano que visitasse sua ilha tornava-se um animal selvagem. Quando Odysseus e seus homens aportaram em sua ilha, no longo caminho de volta da Guerra de Tróia, os que descem do navio são transformados em porcos. Com a ajuda da erva mágica moly, dada ao herói por Hermes, Odisseu força a feiticeira a quebrar o encantamento.

Depois desse incidente, ela ajuda Odisseus, que permanece na ilha, junto com seus homens, por um ano - alguns até dizem que ela teve três filhos com ele. Depois que o herói decidiu partir, Kirke o ensinou a encontrar e consultar o profeta marinho Tiresias, e a evitar alguns perigos de sua jornada para casa. Algumas fontes dizem que, no fim de tudo, Odisseu volta à ilha e torna-se seu marido.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Novo projeto!

Bem vindos ao nosso novo projeto!

Nosso objetivo é falar da Stregheria, a Bruxaria Tradicional Italiana, de uma maneira prática.

Queremos mostrar como a Bruxaria, o Sagrado, a Magia e o amor aos nossos ancestrais fazem parte do nosso dia-a-dia, do nosso cotidiano.

Somos streghe (bruxas), que moram no Brasil, que tem origens, práticas e crenças diferentes, e que vão contar aqui um pouco do que é ser uma strega (bruxa).

Esperamos sinceramente que vocês gostem deste projeto e ajudem-nos a construí-lo.

Bênçãos de Apolo e Diana,
Colaboradoras do Stregheria Pratica.