O texto abaixo foi escrito por mim e por Pietra em outubro de 2007 e foi originalmente publicado no site Tribos de Gaia. Como eu o citei em um post anterior, acho que seria interessante tê-lo aqui também.
Bruxaria Italiana: diferentes conceitos de práticas. Grimassi x Magliocco
As idéias e conceitos acerca da Bruxaria Italiana e suas denominações em italiano, Stregheria e Stregoneria são diversas, dado o grande número de praticantes e, com eles, de diferentes localidades. Aqui no Brasil são muito conhecidos os conceitos de Bruxaria Italiana de Sabina Magliocco, antropóloga, e Raven Grimassi, autor de livros e praticante de Bruxaria.
Este texto tem o objetivo de apresentar os conceitos desses autores para que sejam conhecidos e esclarecidos, além de ser uma forma de mostrar como a Bruxaria Italiana é rica nela mesma e que pode e deve ser profundamente estudada. Ou seja, de como entender temas que são dados hoje em dia em duas diferentes óticas.
A partir de 2002, aproximadamente, e com a publicação de textos da professora doutora Sabina Magliocco em sites como o Pomegranate Journal, o autor norte-americano e praticante de diferentes ramos da Bruxaria como a Stregheria e a Wicca, Raven Grimassi, passou a publicar textos e artigos refutando as idéias da professora acerca das práticas de magia popular x bruxaria.
O conteúdo dos textos é completamente oposto um ao outro. Para que leitores, pesquisadores e buscadores não se confundam e para que conceitos e práticas se tornem claros, segue então uma apresentação de cada autor e de suas teorias.
Raven Grimassi e a Stregheria - por Pietra
É sabido que eu comecei meus estudos de Bruxaria Italiana com as obras do Raven Grimassi, tanto que, em 2000, escrevi uma série de apostilas baseadas nas práticas aricianas e colocadas na obra Italian Witchcraft, para que a Stregheria pudesse tomar algumas novas formas por aqui.
O fato é que o tempo passou, o livro Italian Witchcraft não foi traduzido no Brasil e eu tive chance de ter muitos contatos com outros praticantes, até ter recebido a minha iniciação pelo meu pai, dentro da minha casa. As minhas práticas mudaram radicalmente.
Segue, então, um pouco sobre Grimassi e a Stregheria, por ele mesmo. O material abaixo foi retirado, traduzido ou escrito baseado no que o autor disponibiliza em seus sites: www.stregheria.com e www.ravengrimassi.net
"Raven Grimassi nasceu em 1951 de uma imigrante italiana que chegou aos EUA (...) em 1946. Desde muito jovem começou a estudar o folclore e a bruxaria italianos, a velha religião da Itália antiga. (...)"
"Raven Grimassi é professor e praticante da Arte por aproximadamente 30 anos. Ele é treinado na tradição familiar de Bruxaria Italiana (também conhecida como Stregheria), e também é iniciado em diversas tradições da Wicca, incluindo Brittic Wicca e Tradição Pictish-Gaelic. Atualmente é o Directing Elder of the Arician Ways. Raven considera que o trabalho de sua vida é garantir a sobrevivência dos antigos conhecimentos e lendas das bruxas juntamente com os ensinamentos ancestrais da Velha Religião" (do site www.ravengrimassi.net Capturado em 10\8\2007 - tradução minha).
Livros do autor - principais:
- Beltane;
- Italian Witchcraft;
- Hereditary Witchcraft - traduzido para o português;
- Encyclopedia of Wicca and Witchcraft - traduzido para o português;
- Wiccan Mysteries - traduzido para o português.
Raven Grimassi aparece no cenário mágicko em 1981 com o seu livro The Ways of the Strega. Nela, o autor e praticante fala sobre a sua tradição (familiar) e de seus estudos sobre a Bruxaria Italiana e seus conhecimentos, mitos e folclores. Nasce então a Stregheria, que torna-se o sinônimo para Bruxaria Italiana.
Em suas obras e estudos, Grimassi diferencia Stregheria de Stregoneria. Segundo o autor, "stregoneria é a palavra moderna traduzida para o inglês como a palavra bruxa". Assim, ele busca na palavra stregoneria a visão de práticas mágicas não-idôneas, como uma visão medieval e de cunho "mau". De forma que Stregoneria seriam práticas mágicas que tomam o cunho cristão e assim, ofendem os praticantes da Bruxaria. Já a Stregheria é uma palavra do italiano arcaico que também significa bruxaria, mas que se remonta ao passado pagão da Itália. Grimassi se baseia em um documento de 1751 que usa a palavra stregheria, ao invés de stregoneria, para falar de praticantes de paganismo.
Portanto, para Raven Grimassi as tradições de rezas, benzimentos e orações que perduram por gerações dentro de um grupo - família, grupo, comunidade, congrega - não são formas originais de Bruxaria Italiana, mas sim, práticas daqueles que usam a magia, mas têm medo da danação e do pecado, pois estão atrás dos conceitos e ideários do Cristianismo. Assim, uma bruxa que não reconhece a cimaruta (um talismã), ou que usa feitiços de família (com rezas a santos ou o rosário) para retirar o mal-olhado, por exemplo, não são verdadeiras bruxas italianas, mas sim, praticantes de superstição e\ou magia católica.
Grimassi acredita que o culto da verdadeira Bruxaria Italiana, da Stregheria, se mantém viva desde os tempos neolíticos e posteriormente levados pelos etruscos. Segundo o autor, poucas influências vieram dos romanos, mas que existem toques da religiosidade plebéia da toscana. Os ensinamentos da Stregheria foram mantidos pela Tríade de Tradições, Fanarra, Tanarra e Janarra. Cada uma delas guarda mistérios da Natureza e foram criados pelos seguidores de Aradia depois de seu desaparecimento.
A tradição construída por Grimassi, a Ariciana, é baseada no culto de mistérios de Diana Nemorensis e no culto aos ancestrais, trabalhando os espíritos dos Lare. A tradição incorpora conhecimentos, folclore e práticas da Europa pré-cristã. Essa tradição tem uma roda óctupla, como a Wicca, mas segundo Grimassi, são diferentes no sentido de que as celebrações da Stregheria procurar incorporar em si a filosofia de "sempre adicionar, nunca remover".
Concluindo, Grimassi prega que a verdadeira Bruxaria Italiana se mantém viva na Itália desde os tempos de Aradia, a strega sagrada que (re)ensinou os plebeus ítalos os mistérios da terra e da deusa Diana. A Stregheria trata-se de uma religião sistematizada e iniciática, que não aceita a auto-iniciação, mas que solitários podem seguir por uma dedicação até a iniciação (com diferentes graus) em um grupo ou clã. É notado pelos escritos de Grimassi que a Stregheria vem crescendo dentro dos EUA com diferentes clãs ou grupos derivados de sua tradição, a Ariciana, como o Clã Umbrea, por exemplo. Trata-se também de uma religião com um calendário definido e práticas mágickas, com um grande senso hierárquico e normativo. Embora aceite que nem todas as streghe sigam sua tradição - na Itália - acredita que os aricianos são seguidores da verdadeira Bruxaria Italiana e buscam caminhos dentro das religiosidades ítalas e não necessariamente dos romanos.
Para contatar Raven Grimassi, escreva para a Llewellyn Publications:
Raven Grimassi
c/o Llewellyn Wordwide, Ltd.
PO Box 64383, Dept. K256-9
St. Paul, MN 55164-0383, USA
(se a carta for internacional, enviar um cupom postal de resposta internacional)
Com o passar do tempo e o crescimento da Stregheria, a professora doutora Sabinna Magliocco passou a fazer críticas aos conceitos de Grimassi, baseada em suas pesquisas como professora da faculdade de Antropologia da California State University, que estuda o movimento Neopagão nos EUA, de forma que ele passou a escrever vários artigos justificando seus conceitos e idéias. Esses textos podem ser encontrados em seus sites - em inglês.
Sabina Magliocco e os estudos sobre Neopaganismo - por Inês
Sabina Magliocco é uma antropóloga italiana, que estudou e reside nos EUA. Ela tem como focos de estudo religião, folclore, Bruxaria e Neopaganismo nos EUA e na Europa, conforme informações do site oficial da California State University (http://www.csun.edu/~sm32646/).
A professora defende que a Stregheria colocada por Grimassi é uma "forma de bruxaria neopagã ítalo-americana". Ou seja: a Bruxaria Italiana de Raven Grimassi é, na verdade, uma maneira neopagã de se praticar a Bruxaria, que assimila influências italianas, mas que é norte-americana e moderna em sua essência. Não é a maneira original e não é praticada pelos italianos. Para ela, Grimassi adicionou elementos wiccanos e, com isso, criou uma tradição que não se assemelhar à prática de magia na Itália.
Segundo os artigos de Magliocco, a magia e bruxaria originárias da Itália não são sistematizadas e hierárquicas. Ela chama essas práticas Magia Vernacular, ou magia regional. Esse sistema de prática de magia é, na verdade, intrinsecamente ligada à superstição e ao folclore popular. A Magia Vernacular não busca, necessariamente, o culto à divindades pagãs. Ela é uma forma de ver o mundo e de usar elementos de tradições pré-cristãs no dia-a-dia do que uma religião. Magliocco inclusive coloca que a Magia Vernacular tem seus elementos básicos no catolicismo romano, não sendo uma forma de resgate da bruxaria e de crenças pré-cristãs itálicas.
Por não ser organizada, por não ter uma hierarquia e por não estar centrada em uma única figura religiosa, a magia praticada na Itália é diferente em cada região, mas mantém elementos comuns, como a crença no mallocchio (mal-olhado), por exemplo.
Com isso, Magliocco derruba as hipóteses de que o culto à Diana é comum entre todas as streghe, de que todas têm em Aradia a figura central de seu culto, de que as streghe formariam uma espécie de religião secreta, hierárquica e organizada.
Ela vê, no movimento Neopagão (especialmente nos EUA), uma forma de revitalização de antigos valores religiosos pré-cristãs. Isso diferente grandemente de neopagãos como Grimassi, que acreditam, ou pelo menos defendem publicamente, que seu culto segue uma linha ininterrupta desde o período neolítico.
Para contatar a profª. Sabina Magliocco:
Department of Anthropology, CSUN
18111 Nordhoff St.
Northridge, CA 91330-8244
(818) 677-4930
Ou pelo e-mail: sabina.magliocco@csun.edu
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
sábado, 5 de junho de 2010
Dúvidas sobre stregheria
Estou trocando alguns e-mails com o Rodrigo, um leitor do blog que me apresentou algumas dúvidas quanto à stregheria. Ele gentilmente deixou que eu publicasse alguns dos seus questionamentos aqui no blog. Imaginei que poderia ajudar mais gente. São dúvidas que parecem básicas, mas que não são óbvias para quem está se deparando com práticas e crenças diferentes da Wicca.
Então vamos lá:
- É possível participar de um templo ou ser iniciado como um solitário na religião Strega?
A stregheria, assim como a maioria das outras vertentes das religiosidades neopagãs, não possui templos. Existem praticantes solitários e pessoas que possuem grupos (familiares ou não), de prática e trabalho espiritual. Porém, esses grupos geralmente são fechados e só se participa de um rito como convidados. Existem grupos mais abertos nos EUA, que seguem a stregheria como proposta pelo autor Raven Grimassi, mas aqui eu nunca ouvi falar de algo do tipo.
Dentro da stregheria também não existe uma iniciação solitária, como defendida por alguns grupos wiccanos.
O que se pode fazer é manter contato com outros praticantes, frequentar palestras e começar sua própria prática pessoal, mesmo sem ser iniciado em um grupo. Creio que esse é o melhor caminho para uma pessoa que está sozinha.
- Eu faço algumas consultas com o baralho cigano, trabalho com o pêndulo e faço alguns rituais para sáude, amor, prosperidade e purificação, gostaria de saber se eu posso continuar atendendo porém dentro das práticas da Strega?
Se pensarmos na stregheria como uma tradição neopagã, que cultua Diana e etc (como o Raven Grimassi prega), acho que não há problema quanto a continuar sua prática com baralho cigano e pêndulo. Quanto aos rituais, por ser uma tradição que tem seus próprios ritos, não sei como você pode encaixar isso. Talvez fazer esses ritos dentro das práticas do Grimassi é uma ideia. Nisso, infelizmente, eu não posso te ajudar, porque não é minha linha de trabalho.
Se você encarar a stregheria como uma prática de magia, acho que não tem problema continuar com as coisas que você já faz. Mas aí você precisa pensar se elas se encaixam em suas novas crenças e nos seus caminhos espirituais. Tenha em mente que não existem práticas formalizadas e únicas na stregheria. Alguns traços em comum existem entre diversos praticantes, mas cada grupo, pessoa ou coven vai ter sua própria linha de trabalho, com diversas adaptações.
- Pelo que entendi na Religião Strega o importante seria cultuar os Deuses estou certo?
Acho que não podemos dizer que na bruxaria italiana o foco é o culto aos deuses. O foco vai depender do praticante e do que ele segue. Eu não sigo a stregheria como proposta pelo Raven Grimassi, então a bruxaria italiana acaba entrando nas minhas práticas mais como uma prática de magia. Porém, há muitas divergências sobre isso.
Para você entender esse ponto, indico dois textos que podem ajudar.
O primeiro "Stregheria e Magia Vernacular - uma comparação" é de uma antropóloga italiana que mora nos Estados Unidos e tem trabalhos sobre o neopaganismo. A Pietra fez uma tradução que pode ser lida clicando aqui.
O segundo é um texto que fiz com a Pietra há algum tempo, exemplicando as diferenças de pensamento entre o Raven Grimassi e a antropóloga que eu citei anteriormente, que pode ser útil para você entender as diferenças entre as tradições. Pode se acessado neste hiperlink.
Então vamos lá:
- É possível participar de um templo ou ser iniciado como um solitário na religião Strega?
A stregheria, assim como a maioria das outras vertentes das religiosidades neopagãs, não possui templos. Existem praticantes solitários e pessoas que possuem grupos (familiares ou não), de prática e trabalho espiritual. Porém, esses grupos geralmente são fechados e só se participa de um rito como convidados. Existem grupos mais abertos nos EUA, que seguem a stregheria como proposta pelo autor Raven Grimassi, mas aqui eu nunca ouvi falar de algo do tipo.
Dentro da stregheria também não existe uma iniciação solitária, como defendida por alguns grupos wiccanos.
O que se pode fazer é manter contato com outros praticantes, frequentar palestras e começar sua própria prática pessoal, mesmo sem ser iniciado em um grupo. Creio que esse é o melhor caminho para uma pessoa que está sozinha.
- Eu faço algumas consultas com o baralho cigano, trabalho com o pêndulo e faço alguns rituais para sáude, amor, prosperidade e purificação, gostaria de saber se eu posso continuar atendendo porém dentro das práticas da Strega?
Se pensarmos na stregheria como uma tradição neopagã, que cultua Diana e etc (como o Raven Grimassi prega), acho que não há problema quanto a continuar sua prática com baralho cigano e pêndulo. Quanto aos rituais, por ser uma tradição que tem seus próprios ritos, não sei como você pode encaixar isso. Talvez fazer esses ritos dentro das práticas do Grimassi é uma ideia. Nisso, infelizmente, eu não posso te ajudar, porque não é minha linha de trabalho.
Se você encarar a stregheria como uma prática de magia, acho que não tem problema continuar com as coisas que você já faz. Mas aí você precisa pensar se elas se encaixam em suas novas crenças e nos seus caminhos espirituais. Tenha em mente que não existem práticas formalizadas e únicas na stregheria. Alguns traços em comum existem entre diversos praticantes, mas cada grupo, pessoa ou coven vai ter sua própria linha de trabalho, com diversas adaptações.
- Pelo que entendi na Religião Strega o importante seria cultuar os Deuses estou certo?
Acho que não podemos dizer que na bruxaria italiana o foco é o culto aos deuses. O foco vai depender do praticante e do que ele segue. Eu não sigo a stregheria como proposta pelo Raven Grimassi, então a bruxaria italiana acaba entrando nas minhas práticas mais como uma prática de magia. Porém, há muitas divergências sobre isso.
Para você entender esse ponto, indico dois textos que podem ajudar.
O primeiro "Stregheria e Magia Vernacular - uma comparação" é de uma antropóloga italiana que mora nos Estados Unidos e tem trabalhos sobre o neopaganismo. A Pietra fez uma tradução que pode ser lida clicando aqui.
O segundo é um texto que fiz com a Pietra há algum tempo, exemplicando as diferenças de pensamento entre o Raven Grimassi e a antropóloga que eu citei anteriormente, que pode ser útil para você entender as diferenças entre as tradições. Pode se acessado neste hiperlink.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Daqui do Brasil e lá dos Estados Unidos
Eu tenho alguns perfis em redes sociais de fora do Brasil. Depois que eu matei meu Orkut, eu me coloquei de uma forma mais intensa nessas redes. Uma é o MySpace e a outra, o Facebook. E lá (s) as coisas acontecem de um jeito diferente do Orkut, mas tem coisas que me colocam para pensar num tanto de coisas... Quanto realmente é preciso colocar nosso tipo de Bruxaria Italiana, aquela feita no Brasil para o escopo internacional. Uma vez, uma pessoa veio me mostrar um site sobre Bruxaria Italiana feita na Itália, mas que tinha tradução em português, e eu passei o meu site para ela. Não tenho palavras para dizer como me incomodou o fato dessa pessoa passar a dizer que meu site era parcial e que como eu não explorava as "maravilhas" trazidas a humanidade por Raven Grimassi. Afinal, aquela é a autêntica bruxaria italiana... e essa palavra me pega...
Não que eu ache que ele não presta... Não acho. Acho que ele tem um valor importante no contexto todo do entendimento da Bruxaria Italiana, e principalmente no contexto norte-americano, mas não é a única fonte, a única verdade.
Acho que, ao expor um tanto da minha prática e um tanto do entendimento dos filhos, netos e bisnetos dos imigrantes traz um contexto social e cultural que difere de país para país e isso faz com que os símbolos sejam entendidos diferentemente.
O que fazer?
Estou pensando se o nosso jeito realmente não ê de streghe brasileiras para streghe brasileiras. Ou seja, será que vale o trabalho de querer levantar uma lebre em inglês que faria sentido para muito poucos? Será que não vale mais investir num trabalho em português para falantes de língua portuguesa?
Estou me convencendo que sim... e com os de fora que nos entendem, dialogamos.
Imagem: Bella Strega Aradia, em
http://guaya.deviantart.com/art/Bella-Strega-Aradia-89427325
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Netunália e as streghe - de Diana Luciano Gray Fox

Notadamente está chovendo bastante aqui em São Paulo... então me inspirei em todas as águas de Netuno e resolvi trazer a voz dessa incrível strega americana, Diana Gray Fox, da Order of the Evening Star.
Essa imagem é da saída que o grupo dela faz para celebrar essa festa.
Originalmente publicado em:
http://dianasmuse.blogspot.com/2008/07/neptunalia-and-strega.html
Tradução livre: Pietra di Chiaro Luna
"O Deus, com sua cabeça mexes a espuma do mar, Tu, Neptunus, que com sua Salacia toma as terras, ouça minha oração e me traga a tua indulgência." ~ Valerius Flaccus Argo. I.194-6
No dia 23 de julho, marcamos o festival anual da Neptunalia em honra de, você já deve ter imaginado, Neptunus Pater, também conhecido como Pai Netuno na Stregheria. Esse festival antigo vem sido celebrado há muito tempo, mesmo antes dos romanos. Hoje, nós, streghe, perpetuamos essa celebração para o grande deus Netuno, com todo o seu explendor já visto em Roma e em outros locais da antiguidade. Hoje, uma vez por ano, os clários (membros da tradição da sacerdotisa) fazem uma perigrinação até um corpo de água para fazer esse ritual. Claro que não nos limitamos a visitar corpos de água apenas uma vez por ano, mas pegamos mais tempo para esse festival para podermos dividir com nosso amado Netuno, que nos traz os segredos da água e do mar.
Às vezes nós viajamos para a costa de Jersey, mas ficar por lá é um tanto caro. Eu adoraria ir ao lago Champlain novamente, uma vez que senti sua presença muito fortemente na última vez que estive por lá. Então, fomos e ficamos em uma ótima hospedaria perto do lago, que é realmente incrível. Que poder, que lugar tão sagrado.
Este ano, por conta do preço do combustível e das despesas para ir para a praia, resolvemos visitar o lago Jean, no interior da Pennsylvania. É um lugar lindo, um parque estadual cercado de trilhas e coroado com lindas cachoreiras. Ficamos em uma pensão excelente, e ainda fizemos uma visita para o Knoebels, um parque de diversões muito legal e barato com um clima de interior, de dentro da Natureza. (...)
Netuno é geralmente igualado a Poseidon, e ambos dividem muitos aspectos e atributos, porém Poseidon tem uma ligação com o mar muito maior que Netuno. Netuno é o deus de todas as águas. É o Deus dos oceanos, mares, lagos, rios, fontes. Ele se faz presente por seus muitos filhos que vivem nos corpos de água ao redor da terra. E claro que cada um desses corpos de água também é abençoado com a presença de diversos espíritos da água, com fadas e ninfas que brincam e trazem mais beleza às águas. Quando olhamos para uma paisagem de água e sentimos aquela falta de ar, de tomada pela beleza, é o presente de beleza das ninfas ao lugar.
Padre Nettuno, Neptunus Pater, Deus dos oceanos, mares, rios, lagos e fontes. Deus dos lagos e dos terremotos. Treme-terra, Segurador de terra, O que traz o crescimento das plantas, Senhor dos Cavalos. Que sua presença esteja conosco todos os dias, que sua força traga cura, entendimento, compaixão, profecia, inspiração e metamorfose. Hoje, todos O honramos. E que nossos sucessos sejam nossas oferendas, pois O amamos muito!"
http://dianasmuse.blogspot.com/2008/07/neptunalia-and-strega.html
Tradução livre: Pietra di Chiaro Luna
"O Deus, com sua cabeça mexes a espuma do mar, Tu, Neptunus, que com sua Salacia toma as terras, ouça minha oração e me traga a tua indulgência." ~ Valerius Flaccus Argo. I.194-6
No dia 23 de julho, marcamos o festival anual da Neptunalia em honra de, você já deve ter imaginado, Neptunus Pater, também conhecido como Pai Netuno na Stregheria. Esse festival antigo vem sido celebrado há muito tempo, mesmo antes dos romanos. Hoje, nós, streghe, perpetuamos essa celebração para o grande deus Netuno, com todo o seu explendor já visto em Roma e em outros locais da antiguidade. Hoje, uma vez por ano, os clários (membros da tradição da sacerdotisa) fazem uma perigrinação até um corpo de água para fazer esse ritual. Claro que não nos limitamos a visitar corpos de água apenas uma vez por ano, mas pegamos mais tempo para esse festival para podermos dividir com nosso amado Netuno, que nos traz os segredos da água e do mar.
Às vezes nós viajamos para a costa de Jersey, mas ficar por lá é um tanto caro. Eu adoraria ir ao lago Champlain novamente, uma vez que senti sua presença muito fortemente na última vez que estive por lá. Então, fomos e ficamos em uma ótima hospedaria perto do lago, que é realmente incrível. Que poder, que lugar tão sagrado.
Este ano, por conta do preço do combustível e das despesas para ir para a praia, resolvemos visitar o lago Jean, no interior da Pennsylvania. É um lugar lindo, um parque estadual cercado de trilhas e coroado com lindas cachoreiras. Ficamos em uma pensão excelente, e ainda fizemos uma visita para o Knoebels, um parque de diversões muito legal e barato com um clima de interior, de dentro da Natureza. (...)
Netuno é geralmente igualado a Poseidon, e ambos dividem muitos aspectos e atributos, porém Poseidon tem uma ligação com o mar muito maior que Netuno. Netuno é o deus de todas as águas. É o Deus dos oceanos, mares, lagos, rios, fontes. Ele se faz presente por seus muitos filhos que vivem nos corpos de água ao redor da terra. E claro que cada um desses corpos de água também é abençoado com a presença de diversos espíritos da água, com fadas e ninfas que brincam e trazem mais beleza às águas. Quando olhamos para uma paisagem de água e sentimos aquela falta de ar, de tomada pela beleza, é o presente de beleza das ninfas ao lugar.
Padre Nettuno, Neptunus Pater, Deus dos oceanos, mares, rios, lagos e fontes. Deus dos lagos e dos terremotos. Treme-terra, Segurador de terra, O que traz o crescimento das plantas, Senhor dos Cavalos. Que sua presença esteja conosco todos os dias, que sua força traga cura, entendimento, compaixão, profecia, inspiração e metamorfose. Hoje, todos O honramos. E que nossos sucessos sejam nossas oferendas, pois O amamos muito!"
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Série: o bom da lista do Yahoo!
Inês e eu pensamos que seria interessante dividir aqui no blog algumas conversas interessantes da lista de discussão do blog.
Então, eu fiz a MINHA primeira escolha. Umas perguntas que a Carol Yara fez há poucos dias na lista e que a Inês deu umas respostas muito em cima da pinta =)
A mensagem da Carol:
carolina_carvalho@> escreveu :
Queridas amigos e amados companheiros de Stregheria. Abro esse debate novo que provavelmente já não é novocoisíssima nenhuma, hahaha. Mas para mim é! Ainda me considero "bichete" em nossas práticas e, como "café-com-leite" acho que mereço uma colher de chá para resgatar um tema "mais do mesmos" assuntos de sempre.
A resposta da Inês:
*Paganismo e bruxaria é a mesma coisa?
*Não. Não são.
*Como distingüimos uma coisa da outra?
*Paganismo é o culto as divindades naturais pré-cristãs. Bruxariaé a prática de magia com elementos naturais. Infelizmente, é comum usar as duas palavras como sinônimos, mas o conceito é diferente.
*Existe bruxaria sem paganismo e vice-versa?
* Sim! Existem muitas mulheres e homens por aí que usam ervas, poções, benzimentos e outras coisas para curar ou conseguir coisas - ou seja, fazer magia com elementos naturais - e que não cultuam divindades pagãs. Como há pagãos que não fazem magia. As práticas podem ser atreladas, mas não é uma regra. O problema é que o povo comprou um discurso "wiccanizado", mal acabado e de fundamentação histórica duvidosa de que bruxaria e paganismo são a mesma coisa e derivam de um culto ancestral a uma deusa da fertilidade. Em consequência, as pessoas acham que para você ser bruxo tem que ser pagão e cultuar uma Deusa Mãe. Isso não é verdade. Nem todo pagão cultua uma única divindade feminina, como nem todos fazem magia.
*Assim como bruxos não pagãos ou pagãos não bruxos??
*O melhor exemplo de bruxos não pagãos são as benzedeiras. Ou pessoas como a minha mãe, que tem toda uma prática de magia e cartomancia e não cultua divindade nenhuma (só santo Antônio). Os reconstrucionistas helênicos são um exemplo de pagãos não bruxos, porque eles seguem as coisas bem certinhas da religião da Grécia Antiga e lá a magia era algo proibido e marginal.
*E as nomeclaturas? Bruxaria, feitiçaria, magia... é tudo a mesmacoisa ou tem diferenças??
* O Carlos Alberto Nogueira, professor da USP da cadeira de História Medieval, tem umas definições boas pra bruxaria e feitiçaria.
Pra ele, a bruxaria é uma prática rural coletiva, de atos para se garantira fertilidade. Muitas vezes ela tem um escopo religioso por trás, não necessariamente pagão.
A feitiçaria é uma prática de magia urbana e que não tem nenhuma relação com religião ou religiosidade. Sabe aquele lance "trago seu amor devolta em sete dias"? Então, essas seriam as feiticeiras...
Magia é, como diz o Aleister Crowley, a arte de fazer transformações de acordo com a vontade. Bruxaria é um sistema de magia. Há vários outros, como os sistemas usados pela Rosa-Cruz, ou pelo pessoal da Alta Magia. Como eu disse, acho as benzedeiras "um must" em matéria de bruxaria não-pagã. Elas sabem usar ervas, curar ou fazer adoecer, e para isso usam os santos e os anjos.
Na Sicília, tem uma tradição bem similar chamada de Benedicaria. É magia cristã, baseada em elementos naturais, mas que não tem nenhuma relação com os deuses pagãos. Eu comecei a me tocar de todas essas diferenças depois que li "Stregheria e Magia Vernacular: Uma Comparação" (Stregheria and VernacularMagic: A Comparision) da antropóloga Sabina Magliocco. Tem nos arquivos da lista e na parte da Pietra no Tribos de Gaia (www.tribosdegaia.org). Eu recomento 100% pra quem já tem uma noção de stregheria e bruxaria tradicional e quer se aprofundar.
Fora que eu quero ser que nem a profª Magliocco quando eu crescere largar o jornalismo!!! rs
Expliquei direito? Eu sou meio cri-cri com esses conceitos, sabe?Realmente me irrita ver as pessoas usando paganismo, bruxaria e magia como sinônimos, quando são conceitos diferentes que podem ou não vir aliados.
Eu sei que fui super acadêmica, mas uso essas definições no meu dia-a-dia... tanto que eu sou muito pagã e pouco bruxa.
Beijos!!
Inês
Então, eu fiz a MINHA primeira escolha. Umas perguntas que a Carol Yara fez há poucos dias na lista e que a Inês deu umas respostas muito em cima da pinta =)
A mensagem da Carol:
carolina_carvalho@> escreveu :
Queridas amigos e amados companheiros de Stregheria. Abro esse debate novo que provavelmente já não é novocoisíssima nenhuma, hahaha. Mas para mim é! Ainda me considero "bichete" em nossas práticas e, como "café-com-leite" acho que mereço uma colher de chá para resgatar um tema "mais do mesmos" assuntos de sempre.
A resposta da Inês:
*Paganismo e bruxaria é a mesma coisa?
*Não. Não são.
*Como distingüimos uma coisa da outra?
*Paganismo é o culto as divindades naturais pré-cristãs. Bruxariaé a prática de magia com elementos naturais. Infelizmente, é comum usar as duas palavras como sinônimos, mas o conceito é diferente.
*Existe bruxaria sem paganismo e vice-versa?
* Sim! Existem muitas mulheres e homens por aí que usam ervas, poções, benzimentos e outras coisas para curar ou conseguir coisas - ou seja, fazer magia com elementos naturais - e que não cultuam divindades pagãs. Como há pagãos que não fazem magia. As práticas podem ser atreladas, mas não é uma regra. O problema é que o povo comprou um discurso "wiccanizado", mal acabado e de fundamentação histórica duvidosa de que bruxaria e paganismo são a mesma coisa e derivam de um culto ancestral a uma deusa da fertilidade. Em consequência, as pessoas acham que para você ser bruxo tem que ser pagão e cultuar uma Deusa Mãe. Isso não é verdade. Nem todo pagão cultua uma única divindade feminina, como nem todos fazem magia.
*Assim como bruxos não pagãos ou pagãos não bruxos??
*O melhor exemplo de bruxos não pagãos são as benzedeiras. Ou pessoas como a minha mãe, que tem toda uma prática de magia e cartomancia e não cultua divindade nenhuma (só santo Antônio). Os reconstrucionistas helênicos são um exemplo de pagãos não bruxos, porque eles seguem as coisas bem certinhas da religião da Grécia Antiga e lá a magia era algo proibido e marginal.
*E as nomeclaturas? Bruxaria, feitiçaria, magia... é tudo a mesmacoisa ou tem diferenças??
* O Carlos Alberto Nogueira, professor da USP da cadeira de História Medieval, tem umas definições boas pra bruxaria e feitiçaria.
Pra ele, a bruxaria é uma prática rural coletiva, de atos para se garantira fertilidade. Muitas vezes ela tem um escopo religioso por trás, não necessariamente pagão.
A feitiçaria é uma prática de magia urbana e que não tem nenhuma relação com religião ou religiosidade. Sabe aquele lance "trago seu amor devolta em sete dias"? Então, essas seriam as feiticeiras...
Magia é, como diz o Aleister Crowley, a arte de fazer transformações de acordo com a vontade. Bruxaria é um sistema de magia. Há vários outros, como os sistemas usados pela Rosa-Cruz, ou pelo pessoal da Alta Magia. Como eu disse, acho as benzedeiras "um must" em matéria de bruxaria não-pagã. Elas sabem usar ervas, curar ou fazer adoecer, e para isso usam os santos e os anjos.
Na Sicília, tem uma tradição bem similar chamada de Benedicaria. É magia cristã, baseada em elementos naturais, mas que não tem nenhuma relação com os deuses pagãos. Eu comecei a me tocar de todas essas diferenças depois que li "Stregheria e Magia Vernacular: Uma Comparação" (Stregheria and VernacularMagic: A Comparision) da antropóloga Sabina Magliocco. Tem nos arquivos da lista e na parte da Pietra no Tribos de Gaia (www.tribosdegaia.org). Eu recomento 100% pra quem já tem uma noção de stregheria e bruxaria tradicional e quer se aprofundar.
Fora que eu quero ser que nem a profª Magliocco quando eu crescere largar o jornalismo!!! rs
Expliquei direito? Eu sou meio cri-cri com esses conceitos, sabe?Realmente me irrita ver as pessoas usando paganismo, bruxaria e magia como sinônimos, quando são conceitos diferentes que podem ou não vir aliados.
Eu sei que fui super acadêmica, mas uso essas definições no meu dia-a-dia... tanto que eu sou muito pagã e pouco bruxa.
Beijos!!
Inês
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Qual é o seu sabor?
Ultimamente numa lista de discussão do Yahoo sobre Stregheria - que se chama Traditional Stregheria - uma pessoa ia dar uma entrevista e queria saber de diferentes práticas de Bruxaria Italiana entre os praticantes. E a pergunta que ele usou me chamou muito a atenção: What is the flavor of your practice?
E, ai, as pessoas diziam nesta pergunta um pouco sobre como as suas filosofias de prática se davam, mais cristãs, mais pagãs, misturadas...
E eu achei isso muito interessante, pq as coisas acabam mesmo não sendo absolutas quando tratamos de Bruxaria Italiana - PRINCIPALMENTE no Brasil, que é sim um país que entende de misturas...
O sabor da minha prática é de azeite e azeitona... ou seja, o politeísmo grego (ou greco-romano, mas como eu gosto de chamar: helênico). Tem também um gosto de oregano... afinal de contas é a minha ancestralidade - uma parte do norte, outra, do sul. Minha prática tem sabor de vinho seco, dos ancestrais do norte que cuidavam de vinhas até a guerra estourar e eles virem para o Brasil. Tem ainda gosto de pão integral ou qualquer pão quente, pois a família de Roma quando aqui chegou, abriu uma padaria (padaria italiana!!!). Por fim, tem gosto de café, dos lavradores do interior que fizeram suas vidas... e graças a eles, aprendi sobre curas como ovos e panos brancos e como segurar tempestades.
Nossa. Dá até pra sentir o cheiro... e é coisa gostosa de Dioniso Baco! Evoé!
Para conhecer a lista Traditional Stregheria, clique aqui!
E, ai, as pessoas diziam nesta pergunta um pouco sobre como as suas filosofias de prática se davam, mais cristãs, mais pagãs, misturadas...
E eu achei isso muito interessante, pq as coisas acabam mesmo não sendo absolutas quando tratamos de Bruxaria Italiana - PRINCIPALMENTE no Brasil, que é sim um país que entende de misturas...
O sabor da minha prática é de azeite e azeitona... ou seja, o politeísmo grego (ou greco-romano, mas como eu gosto de chamar: helênico). Tem também um gosto de oregano... afinal de contas é a minha ancestralidade - uma parte do norte, outra, do sul. Minha prática tem sabor de vinho seco, dos ancestrais do norte que cuidavam de vinhas até a guerra estourar e eles virem para o Brasil. Tem ainda gosto de pão integral ou qualquer pão quente, pois a família de Roma quando aqui chegou, abriu uma padaria (padaria italiana!!!). Por fim, tem gosto de café, dos lavradores do interior que fizeram suas vidas... e graças a eles, aprendi sobre curas como ovos e panos brancos e como segurar tempestades.
Nossa. Dá até pra sentir o cheiro... e é coisa gostosa de Dioniso Baco! Evoé!
Para conhecer a lista Traditional Stregheria, clique aqui!
domingo, 14 de setembro de 2008
Streghe que são streghe sem saber
Foi numa conversa esta semana que eu tive a confirmação de uma coisa que eu imaginava que acontecia, mas não tinha certeza... Das pessoas que são iniciadas sem muita certeza ou sem saber que o são. E não por ignorância pessoal, mas pelo andar d carruagem, das coisas acontecerem como tem de acontecer.
Iniciações sempre são um assunto controverso. Quando eu penso nisso, eu sempre penso na frase do Roberto Calasso, "iniciado é aquele que viu". E a pessoa com a qual eu conversei, viu.
A questão dessa pessoa que passou por isso é que ela recebeu um grande presente. E o recebeu das mãos de Saturno, o Grande Mestre, que mostrou com o tempo como abrir este presente. Tanto que ela o está fazendo agora. Talvez porque não tivesse o que fazer com isso antes, talvez porque precisasse que acontecesse naquele momento, pois não aconteceria em outro momento.
Uma coisa é muito certa. Os Deuses sabem o que fazem. E se o fizeram assim para ela, é pq tinha que ser assim... e tinhamos que ser nós que a ajudaríamos a soltar os laços desse pacote. E que agora é o momento.
Em muitas famiglias, isso acontece... pessoas inciadas muito novas por suas avós que sabiam que não teriam muito tempo por aqui. Coisa de Strega Nona mesmo (história no podcast ep. 2).
Bem vinda, amiga... tenho certeza que os Deuses te encaminharão da melhor forma possível.
domingo, 20 de julho de 2008
Do último dia de curso
Semana passada havíamos combinado que faríamos um ritual para a lua cheia e, nele, energizaríamos objetos que seriam nossos protetores contra o mal olhado.
As conversas começaram a hora que eu me sentei com as meninas. Elas vieram me mostrar o que haviam comprado para esse momento. Tesouras e nazars foram as nossas vedetes e nosso padroeiro, o Protetor de Têmis.
Com as palavras que eu ouvi do Quiroga essa semana, não pude deixar de pensar como a Lua Cheia seria importante para esse momento. Um momento de preservar nossas famílias e de querer e de galgar mais longe. Foi nessa toada que seguimos o nosso dia com pimentas, cravos e uma linda espada.
E em nossa manifestação ritual, cada uma de nós pôde tomar um papel... Aliás, muito obrigada à Carol por me ajudar tanto na limpeza e no trazer das ondas do mar num pilar do templo; obrigada a Aglaia Madora por trazer a força e a constância da terra num outro pilar do templo; e à Eliane, que teve sua primeira experiência numa construção como essas e trouxe a limpeza e a consciência do ar lindamente!
Quando podemos estar juntas entre paredes tão seguras e sob um céu tão aberto, as diferenças aparecem, as similaridades afloram e muitas idéias se colocam.
Sabe, dar um curso tem claro há ver com um trabalho, com um construir de conhecimentos, inclusive de trocas, afinal de contas, não foi um curso gratuito. Mas tem muito mais a ver com dedicação de tempo, de atenção e de energias. E nisso, como eu aprendo. Como eu olho para as pessoas e as admiro em suas vontades de ir além e, principalmente, de exporem o que pensam.
E o dar seus pensamentos e idéias é um presente muito valioso... obrigada, meninas, pela confiança, pelo carinho e pelo compromisso.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Da primeira parte do curso que estou ministrando
Este sábado dei a primeira parte do meu curso sobre Bruxaria Italiana. Foram 4 horas muito interessantes. Levei uma apostila com algumas idéias e conceitos, por exemplo, o que é Bruxaria, Magia e Feitiçaria ou por que existe Stregoneria e alguns dizem Stregheria. A apostila é interessante e, embora seja curtinha, traz algumas idéias sobre os principais pilares da Bruxaria Italiana, como os cultos, os ancestrais, a devoção aos deuses.
Mas, acreditam que eu mal e mal abri a apostila?
Dentro do grupo, havia pessoas que buscavam, cada uma dentro de uma linha... uma mais curiosa... outra querendo somar conhecimentos... mas todas buscando coisas a mais, pensando no que é o intocado, o obscuro.
O que eu acho que foi o mais gostoso desse encontro foi que as pessoas se colocaram e participaram como poucas vezes eu vi.
Em termos de entendimento, me pareceu que as coisas iam sendo ditas e assim, complementadas pelos outros, ajudando cada um a construir novos conhecimentos.
Perguntas muito interessantes surgiram... E como sabemos que os Deuses nos favorecem?
E será que realmente Eles ouvem o que dizemos?
E quem busca algo que não tem nome?
Uau... foi uma delícia pensar junto sobre tudo isso...
Semana que vem, vamos fazer uma celebração para a Lua Cheia e energizar um objeto contra o mal olhado.
Ah, é... por fim, lemos uma história da Strega Nona para conhecer o básico das senhoras sábias da Italia. Que gostoso ouvir histórias!
Semana que vem, tem mais!
domingo, 15 de junho de 2008
Malocchio, lidando magicamente com o mal olhado
Eu escolhi esse tema pq eu acredito que seja uma das principais crenças e preocupações mágickas dos ítalos. Afinal de contas, é dado que a falta de cuidado com o olho gordo pode ter consequências bem sérias, pois essa secura é a morte...
A palestra foi por um pequeno viés histórico que foi pensando em como a crença no mal olhado se mostra com força na Ìndia e passa a viver entre os indo-europeus, sendo uma grande preocupação mediterrânea.
Então, convidei o grupo a pensar sobre formas de pensar no mal olhado como manifestação física, energética e espiritual, se mostrando como mal estar, confusão e sensação e estar sendo vigiado, respectivamente.
A interação do pessoal que veio com muitas vivências e experiências em termos de como perceber e lidar com o mal. Assim, relatos de formas de benzimento ou explicações super interessantes do pq bocejamos tanto quando estamos com quebranto, vieram a tona.
Aliás, notaram como existem tantas palavras para a mesma coisa? Evil eye, el ojo, jetattura, olho gordo, invidia, quebranto...
Mas o maravilhoso é que existem muitas formas de lidar com ele... da figa aos chifres... do alho à pimenta... da cimaruta a cornicello... Como é importante não se deixar pegar pelos olhos dos outros...
Ah, claro... e como é importante cuidarmos do que pensamos em como lidamos com as nossas emoções, afinal de contas, o quebranto que podemos pensar ter vindo de outro, pode estar vindo de nós mesmos. E mais que isso ainda, que podemos estar jogando nos outros...
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Eu me pergunto...
... quantas vezes, na comunidade do Orkut ou em qualquer outro lugar, nós vamos ter que explicar a mesma coisa, até que as pessoas entendam que a stregheria não é uma tradição única, não tem uma opinião única siobre tudo, não é constituída de práticas unificadas de magia e de que ela não é como a Wicca que vem de um cara só e segue a mesma linha de pensamento!
A paciência que os Deuses me deram já era pouca... está se acabando...
A paciência que os Deuses me deram já era pouca... está se acabando...
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
Novo projeto!
Bem vindos ao nosso novo projeto!
Nosso objetivo é falar da Stregheria, a Bruxaria Tradicional Italiana, de uma maneira prática.
Queremos mostrar como a Bruxaria, o Sagrado, a Magia e o amor aos nossos ancestrais fazem parte do nosso dia-a-dia, do nosso cotidiano.
Somos streghe (bruxas), que moram no Brasil, que tem origens, práticas e crenças diferentes, e que vão contar aqui um pouco do que é ser uma strega (bruxa).
Esperamos sinceramente que vocês gostem deste projeto e ajudem-nos a construí-lo.
Bênçãos de Apolo e Diana,
Colaboradoras do Stregheria Pratica.
Nosso objetivo é falar da Stregheria, a Bruxaria Tradicional Italiana, de uma maneira prática.
Queremos mostrar como a Bruxaria, o Sagrado, a Magia e o amor aos nossos ancestrais fazem parte do nosso dia-a-dia, do nosso cotidiano.
Somos streghe (bruxas), que moram no Brasil, que tem origens, práticas e crenças diferentes, e que vão contar aqui um pouco do que é ser uma strega (bruxa).
Esperamos sinceramente que vocês gostem deste projeto e ajudem-nos a construí-lo.
Bênçãos de Apolo e Diana,
Colaboradoras do Stregheria Pratica.
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palavras-chave:
ancestrais,
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neo-paganismo,
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