terça-feira, 21 de agosto de 2007

Lararium 3


Esse é o da Kytanna... contribuição por e-mail!!


"Meu Oratório

Olha como são as coisas, tudo é adaptação... Aqui em casa meu oratório é um carrinho de chá, ou de bebidas como alguns dizem. Sempre fiz um altar, mas ele não tinha local fixo e nem aparatos, as vezes ficava na mesa de canto, as vezes na mesa da cozinha, na mesa do lado da cama e isso me incomodava, afinal meu altar era importante, e precisava de um local fixo pra mim, parecia falta de educação da minha parte mudar ele o tempo todo pq ele não tinha um canto dele.Aí um dia uma grande amiga minha me deu o carrinho de chá, era dela, antigo e com a mudança da casa dela, não tinha espaço para ficar, ela perguntou se eu queria eu disse sim, sem ao menos conhecer o carrinho.Quando bati o olho nele pensei: olha o meu oratório perfeito!!!Ele ficava dentro de casa, na subida da escada, mas mesmo assim pra mim ali não era o melhor local. E tomei uma decisão radical, coloquei ele do lado de fora da casa, na área externa, mais próximo da Natureza e está lá até hoje, cheio de simbolismos e para minha surpresa posterior, num canto tão estratégico que o vento não atrapalha e os incensos e as velas funcionam sem problemas.


O oratório tem a minnha cara, é diferente, é grande e por ter 2 andares au ainda tenho espaço para guardar outros aparatos mágicos. Enfeito ele do meu modo e estou muito feliz com ele e agradeço até hoje por essa minha amiga ter me dado esse presente. Ah sim, ela até hoje quando vem aqui em casa se sente feliz por saber que o presente dela me é tão útil!

Demorou um tempo para conseguir montar o altar do jeito que eu sempre quis, mas agora a coisa saiu dos pensamentos para o mundo real e estou muito feliz com isso!

Meu altar agora possui as deusinhas de pano da Sarah, 2 móbiles pendurados simbolizando as 3 faces da vida natural, com as deusas verdes e as 3 formas de energias fortes para mim, minha Hécate roxa, energia em movimento em azul e a Lua com Estrela com o verde.

Em cima do altar, tenho os elementos:
Representado por um aquário redondo, é a Água, dentro dele tem uma grande concha, um búzio e umas pedrinhas coloridas, a água não é da pia, é água da chuva.
Para o ArTenho meu incensário em forma de Lua, um sino antigo de minha casa (que tem um som agudo lindoooo) e uma micro corujinha insensário, que utilizo como símbolo para ajudar na minha profissão de educadora, no lugar do buraquinho do incenso coloco 3 penas de meu antigo passarinho.
Na parte destinada a Terra, ela fica próxima de uma grande árvore da felicidade, tenho um tronco com um pentagrama pintado por minha amiga Daniela, onde nele estão simbolismos sobre o ciclo da vida representado pela borboleta e suas fases, tem cristáis em formato de pedras brutas, árvores e bola de cristal.
No fogo tenho um cilindro de vidro onde acendo minhas velas todo sábado no altar, 2 velas vermelhas em formato de flor.
No meio do altar ao fundo tenho um vasinho de flores bem charmoso para colocar as flores, na frente dele um castiçal baixo, com formato de coluna grega, onde acendo as velas para minha Deusa e apoiada nesse castiçal fica a minha Boneca de Bruxinha, pessoa que converso sempre, e que ela faz questão de demonstrar que está atenta pelas feições que ela coloca no rosto.

Passo na frente do meu altar todos os dias, olho para ele e sorrio, pela felicidade de o ter montado e poder agora usá-lo dignamente.

E para aqueles que ainda não o tem, dou a dica para que o criem, para que escolham um local especial para ele, ter esse local, essa conexão física com as deidades é muito bom, faz um baita bem para nossos espíritos e nossa mente, pelo menos comigo é assim!

Beijocas Enluaradas Kytanna"

domingo, 19 de agosto de 2007

Lararium 2

Seguindo a idéia, posto aqui uma das imagens do meu lararium. Essa em especial é de quando o fogo estava em recesso -antes da Festa do Fogo Novo.



Onde está o cálice com água, eu sempre deixo uma chama... a Chama Ancestral, Héstia, o Espírito da Casa, do Sangue.

Quando Heféstos apagou a forja para que fosse renovada, Héstia tb limpou seu fogo e assim, as forças da casa se fazem brancas e muito mais poderosas.

Então, ao invès de deixar o fogo e oferecer incenso aos meus Ancestrais na Lua Cheia, trabalhei com o espírito aquoso da família - nosso sangue, nossas lágrimas, nosso suor... nossas emoções de Lua.

Foi, de fato, um rito diferenciado e que nos levou a sentimentos outros... outra experiência.

Hoje, com o fogo renovado, a vela dos ancestrais está posta. E junto com elas conchas de praia, pedras, presentes, oferendas...

Com esse altar eu quero a minha família protegida e aninhada em si mesma... Somos o mesmo calor . Ele corre dentro de nossas veias e dos planos astral e divino.

O mais legal é que tb ganhei um trigo de Deméter para o lararium... Linda Deméter que faz a vida brotar. Linda Héstia que faz o coração ferver.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Lararium I

Meu altar dos ancestrais foi a primeira coisa que me ligou a bruxaria italiana. Eu ainda estava um pouco voltada para a wicca (embora já não me sentisse em casa lá), quando li um livro do Grimassi, onde ele citava a questão do altar dos ancestrais. Como sempre tive uma ligação muito intensa com minha ancestralidade, eu achei aquilo perfeito. Com o passar do tempo, fiz meu lararium, usando um bocado de referências reconstrucionistas e um pouco de adaptação...


O altar propriamente dito é um oratório de gesso, que pintei de dourado e prata. Com o tempo, a tinta dourada ficou coberta de zinabre, o que deu essa aparência verde para ele. Eu tinha comprado o oratório pensando em dar de presente para minha mãe (eu pintei um e coloquei uma Nossa Senhora dentro para ela, queria fazer um par), mas este era maior do que o primeiro. Além disso, embora visto de frente ele seja bem barroco, as laterais dele são colunas e parte de frisos greco romanos...

Em cima dele, tem um anjo que ganhei da minha prima. Eu tinha 15 anos e ela 10. Escolhi ele entre todos os anjinhos que ganhei na adolescência (como a família sabia que eu gostava de coisas "místicas", todo mundo me dava anjos de presente...) porque ele é uma versão chinesa de uma escultura romana. Eu ia colocar a comparação dos dois aqui, mas não encontro
o original romano aqui no micro. Ele segura um vaso, quase uma jarra, em uma mão e um ramo na outra. Lembra bastante a imagem dos lares.

Ela começou a ficar em cima do altar porque ele é bem pequeno em termos de espaço. Então, colocando a imagem no alto, tenho mais espaço para as oferendas.

Ele fica praticamente em cima do balcão que divide minha cozinha e minha sala. Posso dizer que ele fica no coração da casa. Antes, no tempo em que dividia a casa com meus pais, ele ficava no quarto. Quando o André nasceu, três dias depois, passamos um tremendo susto e fomos morar na casa da minha sogra por cinco meses. Eu lembro de passar pela porta dela de madrugada, carregando o altar em um braço e o bebê no outro. Desde que ele foi montado pela primeira vez, é alentador poder olhar para ele. Me transmite segurança e paz, e o sentimento de nunca estar sozinha.

Em cima dele, tem o cristal lapidado como uma estrela que meu avô me deu, um búzio quase grande, uma lasca de pedra branca, sementes, um medalhão com a imagem de um cão/lobo, um lobinho toscamente entalhado em gesso, uma chave que encontrei em uma encruzilhada de três caminhos, minha Vênus de Willendorf, que eu carregava no pescoço, mas que a argola desgastou e partiu, e minhas oferendas: paus de canela, rosas do jardim, flores da pitangueira, e uma caixinha de porcelana cheia de sal marinho. Outra caixinha de porcelana serve para acender as velas. Sempre acendo três, porque aqui em casa somos três.

Ainda não tem tudo que quero que tenha, principalmente por ser bem pequeno. Mas espero logo conseguir uma prateleira para por junto com ele, que vai me permitir deixa-lo mais completo.

Nele, o fogo queima e me lembra do fogo da família, das chamas que aqueceram meus ancestrais e hoje me aquecem. Nele, deixo as vezes fotos de meus antepassados, ou objetos que pertenceram a eles. Nele deixo minhas orações e um pouco do que existe de melhor em mim, minha fé e meu amor.

domingo, 12 de agosto de 2007

Coisas que me irritam...

Algumas frases e conceitos que lemos por aí no nosso "mundinho pagão" que me incomodam profundamente:

- "Sociedade patriarcal" - e suas variantes
A vida política na Grécia e em Roma eram centradas nos homens. Eles eram pagãos.
Não é um conceito cristão, nem foi algo imposto pelo Cristianismo.

- "A religião mais antiga do mundo"
O culto à uma divindade da fertilidade pode ser o culto mais antigo do mundo. Não a Wicca ou qualquer outra vertente do Neo-paganismo.

- Inquisição
Não morremos queimadas em outras vidas. Nossas ancestrais também não.
Está provado, em diversos países, que as maiores vítimas da Inquisição foram os judeus e ciganos.
Dica: "A Inquisição", de Anita Nowinsky - coleção "Primeiros Passos", da Editora Brasiliense.

- "O Cristianismo matou as práticas pagãs"
Na minha opinião, ele as reformulou à sua maneira.

- "Deusa Negra"
Sem comentários...

- "Strega cultua Diana e Lúcifer"
Não necessariamente...

- "Bruxas cultuam uma Deusa e um Deus".
Idem. Podem cultuar um casal divino, mas não uma Grande Deusa e um Grande Deus. Os que eu conheço, nomeiam suas divindades e seguem um panteão específico.


Por hora, é o que eu consigo lembrar... mas nada impede que haja uma continuação deste tópico.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Segredos das Streghe


Inês e eu tivemos a chance maravilhosa de estarmos presentes numa celebração na casa da tribo de Hermínio Portella. O que significa que não era nem na minha casa, nem na dela... era um grupo externo aos que nos estabelecemos.


Estar na casa dos outros requer uma certa etiqueta e cerimônia - sim, eu tenho Capricórnio de casa 10! Você não põe o pé no sofá, não vai ao banheiro de porta aberta e procura observar, ao máximo, como as coisas naquela família funcionam.


E quando somos convidados a uma ritualística, a etiqueta tem de ser mágicka.
Como eu venho escrevendo, as streghe têm sim uma coisa de casa fechada, porque ninguém quer sair na revista Caras. Ou sejam, prezam pelos seus caminhos, pelo sussego do lar. É a privacidade, a liberdade de poder calar.


Assim é com a casa alheia. É feio quando saímos da casa de alguém colocando no jornal ou na web o que acontece de mais íntimo por lá. Não fazemos com a nossa, imagina com a dos outros.
A questão toda é que aqui no blog gostamos de compartilhar nossas idéias e experiências, o que sentimos... Mas partilhamos exatamente tudo? Não... Porque algumas coisas podem soar "esquisofrênicas". É como nas antigas ordens, como a Maçonaria ou a Rosacruz... Discrição.
Penso que partilhar seja importante para, inclusive, encontrarmos os nossos pares. Porém confiança é um sentimento construído.


Quando somos convidados em honra, nos portamos com honra. Se uma pessoa confia em nós o suficiente para nos mostrar o que faz, nós somos honradas o suficiente para conversar e comentar a medida que não compromete essa confiança. É, eu sinto, um dos objetivos desse blog.
Pode ser que isso dificulte o acesso à informação, mas também agrega valor a ela, pois quando estamos no ponto, ela simplesmente vem, como uma doce brisa de verão.