quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Primeiras impressões com o Vertigo Tarot

Sexta feira chegou nas minhas mãos meu tarot vertigo. Ontem, quando um querido amigo me ligou pedindo para eu ler as cartas para ele, não pensei duas vezes sobre qual baralho eu ia usar. Ainda que eu tenha já firmado que não vou ficar usando ele para tudo, dessa vez achei que valia a pena. Pela pessoa que é, e um pouco pela vontade de experimentar como seria o trato com essas cartas – tão desejadas (foram dez anos desejando esse baralho...).


Conversamos, sentamos, e eu peguei o baralho. E ai, ele fez a pergunta que estava latejando na cabeça dele, e eu resolvi usar só os maiores dessa primeira vez, pq ainda me sinto insegura com os menores (e me sinto insegura de ler para os outros, assumo – é uma responsabilidade e tanto).

Acho que eu nunca interpretei um jogo tão bem na vida, com tanta facilidade, fluidez. Era como se o baralho falasse comigo. Era como se eu só tivesse que abrir a boca e as coisas fossem sendo ditas. Era tudo tão claro, tão fluido, e ele ia perguntando e eu ia respondendo, e o baralho parecia mostrar tudo tãããão claramente que eu fiquei bege.

Ele fez um outro questionamento, mais pessoal, e ai danou-se de vez. Porque eu olhava as cartas e era como se eu conseguisse entender muito mais profundamente que só o significado do arcano... mas o motivo pelo qual era aquele arcano, o que ele representava de uma maneira muito mais fumada e arquetípica dentro do contexto particular da conversa que a gente tinha (sobre a espiritualidade dele).

De repente, eu estava divagando com ele sobre o significado daquilo e sobre como aquilo refletia as coisas, e cara, foi muito, muito legal. Toda a insegurança que eu sinto lendo para os outros não estava lá. Era natural estar falando aquilo, transmitindo aquela mensagem, colocando as coisas para ele.

Meu baralho além de lindo, é muito especial de ler.


Postei algo semelhante a este texto no meu blog pessoal, e isso gerou uma conversa muito bacana sobre como encontramos nossos rumos com o oráculo, e em como a entrega que certos baralhos que são, por algum motivo, “especiais” gera torna a leitura muito mais profunda e envolvente. Como é importante esse deixar fluir – e como isso se dá, profundamente, quando existe entrega – quando nos deixamos levar pelo que estamos fazendo e pela maneira certa de encarar o oráculo.


É fácil pensar em Apolo quando se pensa em oráculo – e esse é um jeito de se encarar a coisa. Mas existem outros – para mim, ainda mais usando um baralho como esse – é Dionisio Mantis, o Vidente, quem comanda a festa. Assim como em Delfos, Phoebe, Gaia, Thêmis, Dionisio, todos tinham um papel. E Zeus tinha um oráculo em Dodona. E isso é só um pedacinho... dentro de um contexto helenista que é o meu... mas poderia olhar ainda maior... sobre a multiplicidade que o oráculo pode ter, e que vai tão além da obviedade... e se ficamos só naquilo que é esperado, não vamos tão longe quanto podemos ir.

E eu agradeço, a meu Pai e Amado, por permitir que eu encontrasse meu rumo com o oráculo.

2 comentários:

Pietra disse...

Quanto aos oráculos e as visões oraculares, o que é bacana é que existem mts coisas que podem ser vistas e pensadas em relação aos deuses... Hermes, e os oráculos com jogos, Pã e seus oráculos da floresta... Astréia e Hécate e as visões da noite e dos mortos...

Sem dúvida, Delfos foi o mais famoso, mas os outros não podem ser diminuidos, pois as visões e as palavras eram diferentes em propósitos... Precisamos de coisas diferentes em diferentes momentos da vida, do ano...

Amei seu relato, Sarita.

Anônimo disse...

Acho muito importante o seu relato. Cada um usa os instrumentos com os quais se sente mais à vontade! Eu mesma tenho o tarô clássico, o tarô cigano (ambos comprados há uma pá de anos) e um baralho que eu mesma fiz usando imagens de obras de arte famosas que eu garimpei na internet para representar os arcanos maiores e depois imprimi em uma gráfica (em papel de alta gramatura) e envernizei. Dos três, o último é de longe o que eu mais uso, pois, tendo sido confeccionado por mim, eu sinto mais afinidade com ele do que com os outros, embora todos sejam oráculos da mesma forma.

Saudações!
Bruxa Allura