segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

O que pega?

Para fechar o ano, um texto novo no Tribos de Gaia falando sobre Malocchio...

O que será que pega?

"É dado que os ítalos sempre tiveram uma grande preocupação com as questões de encantamento, inveja, mal-olhado. Para tanto existe inclusive a palavra malocchio. Deles vem um grande compêndio de como cuidar dessa questão que pode afligir as pessoas de forma física ou espiritual. Amuletos, talismãs, rezas, feitiços e benzimentos são muito conhecidos entre as famílias que têm essas práticas para lidar com o olho alheio."

Para ler, clique aqui!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Para conhecer um pouquinho de Hécate

Eu queria muito indicar para vocês o texto do Hermínio "Hécate na Minha Vida" (parte 1, parte 2 e parte 3), mas achei que a coisa não estaria completa sem uma nota minha...

Primeiro, porque as três partes da história são ótimas e eu sou uma pessoa que adora histórias. Adoro lê-las e adoro contá-las, talvez por isso eu tenha feito jornalismo. Segundo, porque o Hermínio é uma pessoa que sabe o que está fazendo e vocês podem confiar que o que está lá é verdade - não é invencionisse de um cara que caiu de pára-quedas e imaginou tudo.

Terceiro, porque Hécate é uma Deusa que mexe com a gente. Tanto que existe muitos cultuadores da Trívia por aí... eu, para falar a verdade, não me atrevo. A energia Dela não é parte da minha natureza - não que eu saiba - apesar Dela ser bem chegada com a minha querida mãe Deméter. O pouco contato que tive com essa Deusa maravilhosa foi intenso. E nesses poucos momentos sob a bênção de Hécate, eu senti uma coisa sobre essa Senhora tão imensa que me pegou: Ela é imensa!

Ela tem três em uma. Ela tem jovem, mãe e velha. Ela tem grito de coruja. Ela tem um poder que perspassa (suavemente ou não) outras Deusas. E Ela é morte. Não como a diaba que pintam, a tal "deusa negra" que querem que Hécate se torne, mas é a energia da morte, do cruzar o caminho, da encruzilhada... não a vejo como a vovozinha doce que algumas pessoas vêem, mas a vejo como um poder imenso!

Mas essa é a minha visão. Cada um sente os Deuses da sua forma, apesar Deles terem as suas próprias Naturezas, que são imutáveis.

Para ler, é só clicar nos links lá em cima, no primeiro parágrafo.

p.s.: a imagem é - lógico - da Thalia Took.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Coisinhas

Mudamos o nome da seção "Mais praticidade" para "Nós recomendamos". Aproveitando a deixa, linkamos o texto da nossa amiga Cássia Larrubia - que já foi citado aqui -, "A perfeita vida pagã" (no Tribos de Gaia), e um outro do também amigo Hermínio Portella sobre a relação entre santos e Deuses (que foi colocado em seu blog, o Boteco de Ares).

Esperamos que gostem! :)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Viver o mito, ser o mito

Todos nós carregamos o DNA Divino... temos uma herança divina.

Sinto que isso é uma coisa que vai muito além de ser filhos desse ou daquele Deus e/ ou termos essa ou aquela crença. O que eu sinto é que, quando nos propomos a efetivamente aceitarmos o que somos e assim, aceitamos nossa herança em sua totalidade, passamos a enxergar as coisas de uma forma mais clara. Nessa hora, vem o clássico, "Noooossa... como eu não me dei conta antes" e parece que os mitos da sua deidade e a sua se entrelassam magickamente.

Roberto Calasso escreve (nas Núpcias de Cadmo e Harmonia):

"(...) já Sócrates, pouco antes de morrer, havia esclarecido: "entramos no mito quando se entra no risco e o mito é o encanto que naquele momento conseguimos fazer agir em nós. Mais do que uma crença, é um vínculo mágico que nos envolve. É um trabalho que a alma realiza sobre si mesma". De fato é belo este risco e sucede com estas coisas, de certo modo, encantar (epádein) a si próprios. Epáiden é o verbo que designa o canto fascinante. Estas coisas, são os mitos". (pag. 193)

"Há séculos se fala dos mitos gregos como se fossem algo a ser encontrado, que tivesse de ser despertado. Na verdade, são aquelas fábulas que esperam ainda acordar-nos e serem vistas, como uma árvore frente ao olho que se reabre". (pag 194)

Quando eu abro meus olhos, quero que eles encontrem a árvore... o loureiro...
Ave, Phebo!!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Ler tarot sem tarot

Ok... assumo que pode parecer esquisofrênico... mas deu certo.

Na verdade, não achei que uma coisa assim daria, mas deu. E assim eu penso como a coisa do Inconsciênte Coletivo é viva e acertada e como sim, os símbolos, os arquétipos construídos pela humanidade apenas precisam de um chamamento do consciente.

Tudo começou numa manhã esquisita de novembro - aliás, o que não foi esquisito em novembro?

Bom, uma colega de trabalho parecia bastante chateada com uma situação que estava vivendo e começou a chorar de angustia. Não consegui me conter... achei que precisava dar uma ajuda para essa pessoa. Olhei para ela e disse: "Rápido, fala três números... agora, agora!", no melhor estilo capitão Nascimento.

No meio das lágrimas dela, ela começou... 3, 7, 5... Conclusão, 15, O Diabo.

Conversei com ela, ai sim, como se tivesse fazendo uma leitura de cartas para ela, falando das posturas maduras da Imperatriz, da mobilidade e do movimento do Carro e de um futuro regrado e de aprendizagens do Hierofante. E de como ela poderia fazer um movimento para se desufocar das influências do Diabo e tirar o melhor que ele tem a oferecer, em termos de viver bem no plano físico.

O entendimento da pessoa e sua gratidão foram tão grandes que mal importava se as lâminas estavam ali fisicamente.

Foi uma experiência muito diferente, que eu não tenho certeza que quero repetir todos os dias, mas que funciona, funciona =)
Se mais alguém tiver alguma coisa parecida que fez ou que vivenciou, conte pra gente!

Imagem: A Lua, de Thalia Took - http://www.thaliatook.com/

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A perfeita vida pagã - de Cássia Larrubia

"Quando comecei a estudar bruxaria, tinha um pensamento: que pessoas que trabalhavam a espiritualidade não tinham mais grandes problemas. Que conforme o tempo fosse passando, eu me tornaria uma espécie de mestre zen.

Nada mais me atrapalharia, tiraria meu sono, me faria chorar. Forte como uma rocha, eu seria profundamente intuitiva e saberia com antecedência o rumo da minha vida, flutuando por ela.

A realidade se tornou bem diferente".

Um ótimo pensamento como nos reconstruímos dentro da nossa prática...

Para ler integralmente, clique aqui!

Praticidades e praticalidades do nosso culto

Estava pensando esses dias... depois de fazer com as amigas uma "batida de cascos", fiquei olhando para aquilo e me lembrando de mts ritos e rituais que já fiz.

E todos tem uma coisa seriamente em comum: sempre acontecem como se fosse uma festa. Com roupas especiais, maquiagem, preparação de altar, comidas, oferedas... Tudo planejado para ser uma união entre o terreno e o divino. Um momento no qual as chamas internas crescem e somos tomadas pelo fogo dos nossos Deuses.

Porém, na louca vida paulistinha, paulistana, paulista-sul-sancaetanense, nem sempre podemos fazer as grandes festas que nossos Deuses e Ancestrais merecem. Tem dias que a Lua Cheia cai em plena quinta-feira de rodízio. Para mim, é aqui que entra a praticidade do nosso culto.

Sim, pq nem sempre uma magia pode esperar a próxima lua cheia... O que se faz?

Senta-se na cozinha e faz- se um chá, uma oração, uma oferenda.

E por que isso funciona como as festas?

Porque nas festas fazemos nosso contato e com as pequenas homenagens e bênçãos que fazemos e carregamos em nosso dia a dia, tenho a impressão que os Deuses passam a nos olhar com boa-vontade.

Servir aos Deuses, fazer uma homenagem digna da grandeza Deles, nos ajuda a entender a Natureza Deles e assim, ganhamos em confiança... nos tornamos efetivamente seus filhos.

Orações, ofertas de incenso, chás e ervas... rezas e a bendição de Seus nomes... é assim que com o tempo e a sinceridade dos nossos corações, os Nossos Deuses nos ouvem, nos sorriem e, algumas vezes, literalmente, nos tocam =)

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Eu me pergunto...

... quantas vezes, na comunidade do Orkut ou em qualquer outro lugar, nós vamos ter que explicar a mesma coisa, até que as pessoas entendam que a stregheria não é uma tradição única, não tem uma opinião única siobre tudo, não é constituída de práticas unificadas de magia e de que ela não é como a Wicca que vem de um cara só e segue a mesma linha de pensamento!



A paciência que os Deuses me deram já era pouca... está se acabando...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Atualizações do site

Algumas coisas novas no Stregoneria Brasileira:

Textos:
- O caminho de Glauco, que reflete um pouco sobre como vamos iluminando nossos caminhos;
- FAQ, com perguntas q eu e a Inês ouvimos frequentemente;
- Falando sobre bruxas, que fala um pouco do processo interessante de explicar pra alguém novo, ou de fora, o que fazem as bruxas.

Práticas:
- Anos novos, que pensa um pouco sobre as passagens...

Agenda, com a colocada aqui no blog...

E links... mais links interessantes!

Confiram e querendo conversar, é só escrever!

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A cozinha da Rue a gente

Usando a cara-de-pau que a faculdade de jornalismo me deu, mandei um e-mail para a Rue, dona do site Rue's Kitchen.

Achei que ela não iria me responder, que seria mais uma mensagem perdida na caixa de alguém que eu conheço só de ler o site e as postagens no fórum Stregoneria Italiana. Mas não! A Rue me respondeu, deu sua autorização para traduzir o material do site e, ainda por cima, elogiou o nosso blog, dizendo que a forma de entender a stregheria que relatamos aqui é bem parecida com a dela.

E para inaugurar a autorização super legal da Rue, coloco um trecho de um texto dela que eu traduzi chamado "Rue's Though About Benedica and Stregoneria". Em português, o título seria algo como "Idéias da Rue Sobre Benzimento e Bruxaria".

"A melhor definição para minha prática é Magia Popular Italiana [no original: Italian folk healing/magic]. Eu não entendo o termo stregheria em um contexto religioso. O que eu pratico pode ser definido como stregoneria, que significa magia, feitiçaria, magia popular. Eu não sou wiccana. Wicca é uma religião. Stregoneria, não.

Para aqueles que ainda são céticos, magia é real. Os “feitiços” tecem uma tapeçaria em outro plano de existência e fazem com que a sua vontade retorne para morder seu traseiro se você não for cuidadoso, ou se for egoísta e irresponsável. Você conseguirá exatamente o que pediu. Mamãe e papai não estarão lá para corrigir seu feitiço, caso não seja bem isso o que você quis dizer.

Magia popular italiana é um jeito de viver. Você não tem que nascer em uma família de bruxos, você pode ser o único bruxo da sua família. Você não tem que ser iniciado em uma organização, não existe organização. Você está sozinho, a não ser que exista um praticante mais experiente para te colocar embaixo de suas asas. (...)"

Em breve, pretendo trazer mais coisas por aqui!

Thanks, Rue! ;)

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Estatuas que pulsam


Pegando um gancho no que a Inês escreveu sobre o encontro dela com Ares, fiquei pensando um pouco sobre como as estatuas, quando usadas como parte da devossão por uma deidade tornam-se quase vivas.


Eu me lembro que em 2006 fui à FAAP ver a exposição DEUSES GREGOS. Quem teve a oportunidade de ir naquela coisa - pq foi mt mais que uma exposição, foi uma experiência - lembra-se que ela estava dividida em 2 partes: uma com objetos do dia-a-dia grego e outra com um pequeno pantheon, com estatuas dos deuses dispostas em uma espécie de círculo.


Quando eu entrei, pela direita, fui "fisgada" por um sentimento e quando olhei melhor, tratava-se de uma estatua de Poseidôn, de mais ou menos 50 cm, de 3 mil anos. Mas o que vinha dali era uma energia tão tremenda que parecia que a estatua pulsava, que ela vertia sim energia do mar, uma energia de Poseidôn que vim a entender um ano mais tarde, estando em sua presença.


3 mil anos de existência e eu, na época, com 26... A estatua foi cultuada e sobrevivieu a tantas coisas na História. E assim, quando nós, devotos desses deuses, nos aproximamos de uma energia que é de nosso culto, é de nossa familiariadae, sentimos com força e praticamente vemos a emanação que está ali.


E assim, andando naquele pantheon, olhando dentro dos olhos da Górgona Medusa ou quase beijando a boca do rosto de mármore de Dionísio, é como se tivessemos a chance de voltar no tempo ou quebrar as suas barreiras e animar aquela força de devoção e amor. É como se Eles falassem conosco pelas estruturas de pedra.


Assim, eu entendo perfeitamente o que a Inês sentiu, uma vez que aquelas estatuas que convivemos e que ela abraçou é parte de um culto muito grande, forte e responsável e assim, carrega em si uma energia que nos leva a sentir aquela deidade.


Conviver com essas estatuas de culto e ter nossas experiências com elas nos ajuda, cada vez mais, a entender éntheos.


Imagem: cabeça de Dionisio jovem - Museu do Pergamon, em exposição em Niterói, RJ. Sim, foi essa que eu qse beijei...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Encontrando Ares

A noite não estava tão fria, mas o vento bateu gelado quando eu abri a porta de vidro. Ou melhor, quando mandaram que eu abrisse. Como não sou besta de desobedecer, lá fui eu, andar pela grama úmida, sentir o sereno e ir até a imagem de meu pai Ares.

Não tenho idéia de que horas eram. Devia ser mais de meia noite, já. Mas as horas não andam naquela casa. Ou se andam, nós não percebemos.

Ninguém estava por perto, nem os gatos. A imagem estava fria quando eu a toquei, mas não foi uma sensação desconfortável. Saudei sua imagem como a representação da própria divindade, dona daquela casa. Mesmo de pedra, ela me pareceu viva – não só nesse dia, mas desde o primeiro momento que a vi. O rosto voltado para o lado, a armadura, o capacete com penas...

"Marte do capacete de ouro,
Marte do coração indomável,
Marte do escudo,
Marte salvador das cidades,
Marte encouraçado de bronze,
Marte da mão poderosa"


Eu abracei a representação do meu pai. Enconstei minha cabeça na sua e chorei. Não com tristeza, mas com gratidão. Me surpreendi por isso, achei que Ares não me faria chorar como Deméter faz.

Mas ali, abraçada à sua imagem, sendo recebida em sua casa, eu chorei. E agradeci muito. Por tudo o que Ele tem feito por mim, pelo homem maravilhoso que divide sua vida comigo (e que também é Seu filho), por todas as formas belas através das quais ele tem se mostrado a mim, pela proteção sem limites que ele me trouxe, por ter sido aceita como sua neta e filha. Por tudo, eu agradeci a Ares.

E eu sei que Ele me ouviu. E eu sei que ele me protege e está comigo. Porque eu sou protegida pelas armas de Ares. Porque Ele é lindo. Porque Ares toca meu coração como nenhum outro Deus tocou até hoje. Porque eu sou forte como Ele e, com ele, sou melhor.

Viver esse sentimento e sentir essa proteção é a verdadeira magia...

Os versos que ilustram
esse texto saíram do “Hino à Marte”
traduzido pelo Hermínio em
sua coluna no Tribos de Gaia.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Árvore Genalógica

Quando se fala de ancestralidade, para muita gente o assunto é nebuloso. Família é um conceito bem complexo, e se existe uma ferramenta que ajuda uma barbaridade no nosso envolvimento com nossa ancestralidade é a construção de uma Árvore Genealógica.

Não simplesmente pela árvore em si, mas pelo conhecimento e contato que se consegue enquanto se faz a construção da dita cuja.

Inicialmente, uma árvore vai ser um gráfico onde se coloca os nomes das pessoas, suas datas de nascimento, casamento e falecimento (se houverem), os locais onde as pessoas nasceram e morreram e se casaram. Mas muito mais que isso, construir a árvore significa começar a encontrar documentos e fotografias das pessoas, conversar com as pessoas mais velhas da família (anotando ou gravando isso), conhecer as histórias pessoais de muitos deles. E no fim, o que seria um gráfico se torna um bocado de cadernos, folhas impressas, arquivos, álbuns de fotos, contando a história dos que vieram antes de nós.

Nem sempre se consegue preencher as lacunas da árvore todas. Nem sempre a gente sabe o nome do parente que conhecemos uma história. A Árvore vai se tornando uma colcha de retalhos, e quanto mais longe se vai, mais vão ficando lacunas. É um trabalho que vai se estendendo sem final, e que vai ficando maior conforme temos mais ou menos tempo para nos dedicar a isso.

Para começar uma árvore, a primeira coisa é marcar onde você está nela, e colocar as informações dos seus parentes de primeiro grau: pai, mãe, irmãos. Se não souber algum nome, coloque o que souber: ( por exemplo, “irmão, nascido em 1945, em Smallvile”), muitas vezes as informações vão chegando depois. Coloque os nomes dos avós, dos tios, dos primos. Comece por aquilo que você sabe de cabeça. Coloque as datas que souber.

Não se preocupe ainda em fazer em forma de gráfico. Vá fazendo uma lista. Existem programas e sites que podem fazer o gráfico pra você.

Eu, em particular, tenho feito o seguinte. Aquelas pessoas que não fazem parte da família de sangue, mas são “agregados” (e minha família tem muito disso), eu anoto também o que eu souber.

Vá colocando as histórias que lembrar.

Então, vem a parte mais gratificante e mais maluca. Começar a perguntar, entrevistar os parentes vivos. Sempre tem alguém que conhece mais histórias. Outro que tem algum documento guardado. Ou umas fotos. Xeroque e tire cópias de tudo que puder. Anote quem são as pessoas nas fotos. Se tiver algo escrito no verso da foto, xeroque também. Eu tenho a caligrafia da minha tataravô, linda, “Minha photo, para todos berem e depois o Manuel fique com ella”, de uma foto tipo cartão postal que ela mandou de Portugal. E tenho a filmagem da minha bisavó explicando sobre como era a escola no seu tempo de menina. E ensinando a fazer pamonha (a família do meu pai se reunia toda para fazer pamonha, com sacas e sacas de milho).

De repente, aquelas pessoas que eram totais desconhecidos passam a ter histórias. Sei que a Angelina era muito brava e centralizadora, sei que a Maria Júlia ria como criança, era doce, meiga e dizem que herdei dela esse fascínio pelas histórias folclóricas, que o Manuel disse que ia casar com a Judith quando ele tinha doze e ela seis anos. Que a vó Odília fugiu levando a vó Mercedes, minha bisavó, porque o marido era muito ruim e ele colocou gente armada perseguindo ela por seis anos até conseguir reaver a filha.

E então, quando eu estou rezando em frente ao meu oratório, essas presenças se descortinam com muito mais facilidade em minha mente do que antes de eu começar a buscar por eles...

Para começar...

O site Ancestry é em inglês, mas muito bom para montar sua árvore on line. E ovcê pode convidar outras pessoas da família, via email, para participarem da construção.

Aqui, algumas informações bem úteis.

E lembrando que os Mórmons tem um registro genealógico gigantesco que qualquer um pode pesquisar...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Astrologia e Horóscopo


Como estou pensando muito no que o Quiroga tem me colocado como libriana - e que tem feito muito sentido - pergunto aos amigos visitantes, habituês e internautas...


Vc consulta horóscopo?


Tem algum astrólogo de preferência?


Já fez mapa astral?


Consulta os astros para ritualizar?


Ritualiza algum movimento astral?


Curiosidades sobre o quão curiosos outros stregoni são sobre o céu...


PS: prometo que me coloco sobre o assunto nos comentários.

sábado, 6 de outubro de 2007

Grupo - Stregheria Pratica

Um espaço onde podemos deixar arquivos, colocar fotos e conversar mais sobre Stregheria.

Sejam bem-vindos ao grupo Stregheria Pratica!

http://br.groups.yahoo.com/group/stregheria_pratica/

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Stregheria Prática na Marie Claire


Com a saída dessa que vos escreve na edição de outubro da revista Marie Claire, sai tb a menção ao nosso querido e cuidado blog.

Junto com outros sites de referência como o Tribos de Gaia e o da Hera Mágica e o da Márcia Frazão, estamos publicadas como uma referência de Bruxaria na web.

Hoorey!!!

domingo, 30 de setembro de 2007

Stregoneria Brasileira


Meu site chegou!!! Nele falo um pouco sobre as práticas de Bruxaria Italiana das streghe brasileiras...


Coisas nossas...


Esse espaço ganha mais uma possibilidade: falar sobre o que está escrito no site ou mesmo colocar sugestões...


Sejam mais que bem vindos ao Stregoneria Brasileira!!

Textos no Tribos de Gaia

Inês e eu publicamos novos textos no Tribos...

O meu, "Visões comuns sobre a Bruxaria Italiana", faz uma micro investigação sobre como as streghe terminaram com certas famas, como serem adoradoras de Diana...

O da Inês, "Cisma ou Amor", fala de como uma devoção pode se tornar uma coisa não pensanda... e assim, sem sentido.

Claro que existem outras atualizações... então, confiram e divirtam-se!!!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Do respeito e da Didática com o Outro - texto da Dançarina da Lua

Um texto que eu achei muito legal, sobre contar nossos mitos para outras pessoas e como isso explica nossas crenças. É da Dançarina da Lua e foi postado do Pan Dea.

O link segue aí ao lado, parte da nossa seção "Nós recomendamos"... ;)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Lararium - Deuses


Pensando nos larariuns, encontrei um texto mt interessante no site da Thalia Took falando sobre a Deusa romana Caca ou Cacia, uma predecessora de Vesta. Fiz uma tradução mais livre do que literal =)


"(...) uma antiga deusa romana da despensa, posteriormente suplantada por Vesta. Ela é considerada como uma das Penates, ou os deuses da casa que olhavam pelos estoques, ou os locais onde se guardavam comida. Eles trazem prosperidade e boa sorte e mantém as cozinhas sempre bem abastecidas, e imagens dos Penates eram mantidas em um local da casa chamado penetralia ou altar interno. A própria Vesta era considerada uma Penate, talvez por sua conexão com Caca e o pennus era um local especial dentro do templo das vestais. Um local onde ficam relíquias, as quais, de acordo com a lenda, foram trazidas por Enéas de Tróia. Como Vesta, Caca era adorada com um fogo perpétuo cuidado pelas virgens.


De acordo com um mito de Virgílio, Caca era irmã de Cacus, um gigante devorador de homens que cuspia fogo. Ele morava nos campos ao redor de Roma e geralmente ameaçava seus pastores e animais. Cacus era dado ao roubo e era muito odiado pelos que viviam por ali. Um outro gigante, este pastor, chamado Recaranus (um antigo deus ítalo, posteriormente sincretizado com Hércules) tinha um pasto com gado que um dia andou até o Circus Maximus. Cacus roubou alguns animais, os arrastando pelo rabo até sua caverna, engando todos os que seguiam a sua trilha. Caca, porém, amava Recaranus e contou a ele o que o irmão havia feito e onde havia escondido os animais. Recaranus recuperou seus animais e matou Cacus. Os locais ficaram muito felizes e passaram a celebrar Caca como uma deusa.


Mesmo que Cacus fosse considerado filho de Vulcanus, também era filho de uma mortal, então Caca talvez fosse sua meia-irmã por Vulcanus (algumas lendas contam que ela era filha de Medusa e Vulcanus). É claro que as duas deidades têm uma relação com o fogo, aliás, deuses primais do fogo na Itália. Seus nomes parecem derivar de caleo, manter aquecido, ou de coquo, cozer ou queimar. Alguns estudiosos dizem que o nome de Caca é bastante primitivo e que pode vir de cacare, defecar, fazendo dela uma deusa de excrementos.


Seu templo em Roma ficava no monte Palatino, perto de scalae Caci, as escadas de Cacus, supostamente perto de onde seu irmão morava. Dizem que o templo foi erguido por Recaranus e que sacerdotisas virgens eram suas oficiais".

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Lilith é a Mãe! - de Gwydyon Drake

Já que estamos pensando nos equívocos e na "demonização" dos Deuses antigos, vale a pena conhecer um pouco mais sobre Lilith, não a lua nova, mas a resplandecente Lua Cheia...

O texto é do Gwydyon Drake e está no site do Tribos de Gaia! Have fun!!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Lúcifer, fire from Heaven

Esse texto rolou na lista Dionísio e acho mt bacana dividir com outros praticantes da BI... para dar uma luz sobre essa coisa toda de Lúcifer, demonização e afins...

Salve, Eósforos! Nos traga luz e inspiração!

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Por Marcos Torrigo
Revista Sexto Sentido
Ano 5 - Número 54


Por milênios, uma figura tem suscitado diferentes emoções no imaginário ocidental, em especial nos domínios da cristandade.

Esta figura é Lúcifer, o arqui-demônio, Senhor das hostes infernais, tentador e inimigo mor da humanidade, o mais belo Anjo, precipitado no abismo por sua soberba. O fogo divino, o brilho do Sol, o Logos transubstanciado no fogo infernal, o fogo que redime transformado no fogo da danação eterna.

Mas o quanto disso é real, ainda mais quando estamos abordando o terreno movediço do mito, da religião e, por conseguinte, da demonologia. O nome Lúcifer é composto pelo prefixo indo-europeu Leuk, que determina um ser luminoso, claro e puro, origem da palavra lux e, consequentemente, de luz e lucidez. O sufixo latino fero, por sua vez, significa trazer, portar.
Lúcifer (Eósforos, Fósforos) dos romanos, filho de Zeus e de Aurora, era o deus que anunciava um novo dia. É conhecido como o portador do Archote, da Luz, o que anuncia a vinda do Sol , a estrela-d'alva. Na astronomia, é o planeta Vênus que se torna visível nos crepúsculos. No nascer, é conhecido como a estrela d'alva e, no poente, como Vésper. Vênus é a deusa do amor em todas as suas formas, aparentada com as mesopotâmicas Ishtar e Inanna.

Lúcifer nunca foi tido por maléfico, muito menos associado com as potências infernais, tanto é assim que havia um bispo em Cagliari chamado Lúcifer, que viveu por volta do ano 300 E.V.* fundador do Luciferianismo. A atribuição de Lúcifer como Demônio e Anjo caído veio depois, e foi criada pelos "pais da Igreja". A Igreja adaptou a sua maneira passagens do Antigo Testamento para serem atribuídas à Queda de Lúcifer. Eles "interpretavam" (hermenêutica) as escrituras do Antigo Testamento pelas do Novo Testamento.

Desta forma, passagens do Novo Testamento, como: "Mas ele lhes disse: Eu vi Satanás caindo do céu como um relâmpago" (Lc 10: 18), influenciaram o Antigo Testamento: "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Tu que destruía as nações! Tu dizias em seu coração: Subirei ao céu, acima do firmamento das estrelas de Deus, exaltarei meu trono, e no monte da congregação me sentarei nos limites do norte. Subirei acima das nuvens mais altas, e serei igual ao Altíssimo. Em verdade fosse precipitado para o reino dos mortos, no abismo mais profundo.
(Isaías 14: 12 a 15).

Essas passagens de Isaías eram destinadas ao célebre rei babilónico Nabucodonosor, que havia destruído Jerusalém. Helel bem Shahar é a designação hebraica referindo-se, de forma alegórica, à "Queda da Estrela Dalva" .

Há outras passagens interessantes, como uma endereçada ao rei de Tiro. Por mais que ela tenha alvo definido (o rei), ela evoca talvez uma lenda anterior, unindo o destino do monarca ao de um Querubim expulso das hostes celestes. Tu eras Querubim da guarda ungido, te estabeleci, ficaste no monte santo de Deus, entre as pedras brilhantes caminhava. Tu eras perfeito em teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se encontrou iniqüidade em ti. Multiplicando vosso comércio encheu seu âmago de violência, e pecaste; por causa disso te deitarei profanado fora da montanha de Deus, te farei perecer, ó Querubim da guarda, em meio ao brilho das pedras. Elevaste teu coração por causa da tua beleza, conspurcaste vossa sabedoria por causa de teu resplendor. (Ez 28:14-17)

Mas qual teria sido o motivo da Patrística ter escolhido Lúcifer, e não qualquer outro? Existem alguns pontos Mágickos e Ocultos que devem ser abordados. Especialmente a relação entre Vênus e Lúcifer, e conseqüentemente com o demoníaco. Há um fato peculiar, a criação dos demônios, (Qliphoth, conchas, força desequilibrada) , de acordo com o Judaísmo, deu-se na sexta-feira da criação (os sete dias em que, de acordo com a Torah, Deus criou o mundo), momentos antes do sagrado Shabat. Neste mesmo dia, foi criada a raça humana, e se deu a sua Queda . Ou seja, na mesma sexta-feira, Adão foi criado e cedeu a concupiscência. No calendário judaico, Adão pecou no primeiro dia de Tishrei (Rosh Hashaná, primeiro e segundo dia de Tishrei), e é justamente neste dia, todos os anos, que os homens são julgados por seus atos.
O mês de Tishrei corresponde à tribo de Dan, esta por sua vez ao signo de Libra, que é regido por Vênus. Sem falar que, tradicionalmente, a sexta-feira é o dia consagrado à Vênus (dia de Vênus, Hemera Aphrodites grego, Vendredi, francês e Venerdi em italiano).

Dando asas à imaginação, notaremos que o pecado original estava envolto em correlações venusianas. A maçã é dada ao homem por sua companheira, o resultado da Queda é a descoberta da sexualidade, a sedução da serpente, dentre outros.

Outro elemento de ligação entre Vênus e o demoníaco é a Queda dos Anjos. Eles caíram justamente por acharem belas as mulheres humanas e serem atraídos por elas. Os Anjos as possuíram e desta união nasceu uma raça de gigantes, fortes e poderosos, os Nephilins (ver Gênesis 6:1 a 4). A palavra deriva de Naphal, descer, sendo que podemos entender Nephilins como os que desceram ou caíram. Na Bíblia, são citados os Filhos de Deus (os Anjos), em hebraico Beni Elohim (possivelmente a melhor tradução fosse filhos dos deuses).
Os Beni Elohins são correspondentes a Sephira Hod (que tem como planeta Mercúrio, o tradicional mensageiro dos deuses) na Cabala, o complemento de Netzach, que é Vênus e os próprios Elohins.

Inferimos que os caídos são Arcanjos, que são a Hoste de Hod, e não só por isso, pois no Livro de Enoch** é mencionado que Miguel, Uriel, Rafael e Gabriel (Arcanjos) observaram do céu os efeitos dos caídos. O Livro de Enoch é um apócrifo e uma pseudoepigrafia, e narra, dentre outras coisas, a Queda dos Anjos chefiados por Semjâzâ (um proto-Lúcifer? ). Os Anjos Caídos ensinaram inúmeras artes a humanidade, Azazel como trabalhar os metais, e Semjâzâ, a Magia. Os outros ensinaram astrologia, astronomia e signos. Azazel continuou seu magistério ensinando aos humanos os segredos sagrados que estavam guardados no Paraíso.

O titã Cronos castra seu pai Urano e joga seus genitais no mar. Do sangue misturado a espuma do mar nasce Afrodite (Vênus). Logo em seguida ela foi saudada pelas criaturas do mar, nereidas, tritões. A deusa surge de dentro de uma concha. Teve como irmãs as infernais Erínias (Fúrias), criadas pelas gotas do sangue de Urano caídas na terra. As Erínias eram seres que até Zeus respeitava os desígnios. São representadas como mulheres aladas, porém serpentes.
Retomando a Igreja, notaremos que estes pontos expostos podem ter motivado a "escolha" de Lúcifer.

Que os cristãos sabiam das implicações de Vênus, é evidente pelo título conferido a Lúcifer, príncipe da luxúria espiritual. Cada Sephiroth da Árvore da Vida cabalística tem um "vício" e o de Netzach (Vênus), por sua vez, é a Luxúria. De acordo com o Concílio de Latrão, os poderes do demônio são iguais aos dos outros anjos, possivelmente devido a sua origem comum. Igualmente para a Igreja, diabos e demônios são a mesma coisa. O conceito de Mal se modificou com o passar do tempo. Notamos que no mundo antigo o que prevalecia era o monismo.

Deus ou os deuses eram responsáveis tanto pelo bem como pelo mal, sendo a fonte de tudo. O Universo era percebido como uno e não dividido entre um deus do bem e um deus do mal, ou entre Deus e o diabo. Podemos tomar por base o próprio Iavé do Antigo Testamento, que em suas próprias palavras dizia: "Eu sou o Senhor e não há outro, alem de mim não existe Deus"; "Eu sou o Senhor e não há outro, Eu formo a luz e crio as trevas, Eu faço o bem e crio o mal, Eu, o Senhor, faço todas estas coisas" (Isaías 45:5-7).Quando eu afiar a minha espada reluzente, e tomar em mãos o juízo, tomarei vingança contra meus inimigos e darei o merecido castigo aos que me odeiam. Encharcarei as minhas setas de sangue, e minha espada se fartará de carne, do sangue dos mortos e dos cativos, das cabeças dos chefes inimigos. (Dt 32: 41,42).
Suas crianças serão esmagadas em frente a eles, suas casas saqueadas, e suas mulheres estupradas. (Isaías 13:16)

Em um dia em que os filhos de Deus apresentaram- se diante do Senhor, Satanás veio com eles.
O Senhor perguntou a Satanás: "Por onde andastes?". Satanás respondeu: "De passear pela terra". O Senhor continuou: "Viste meu servo Jó? Não há na terra ninguém semelhante a ele, integro, correto e temente a Deus, e não trilha o caminho do Mal". Então Satanás falou: "Por que Jó teme a Deus? Por acaso não o protegeu de todas as formas, a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e multiplicaram seus bens na Terra. Estende tua mão e toca-lhe em tudo que é dele, e verás que blasfemará contra Ti". Disse o Senhor a Satanás: "Tudo que é dele está em seu poder, mas contra ele não faça nada, e Satanás sai para cumprir a sua missão. (Jó 1: 6-12). Reforcei os aspectos "negativos" de Jeová demonstrando o lado sombrio do Deus de judeus, cristãos e muçulmano.

O monismo tem uma vantagem óbvia, não há o mal absoluto. Desta forma, tanto os princípios que compõem o Cosmos quanto os que compõem o indivíduo podem ser harmonizados e integrados, sem maiores prejuízos. Justamente o contrário do que aconteceu no seio do Cristianismo, por exemplo, com inquisições, "guerras santas" e outros. O mal é vivenciado no outro, e assim, pode ser erradicado (assim como outro pode ser morto). A primeira religião a quebrar a harmonia do monismo foi o Zoroastrismo, criado no Irã por volta de 600 a.C . Nele há início o dualismo; o Universo está fragmentado em duas partes, uma "boa" e outra "má", um deus da luz e um deus das sombras. Este pensamento influenciou os judeus e os gregos e, conseqüentemente, os cristãos.

No Cristianismo, o mal é atribuído e projetado ao Diabo, enquanto Deus só faz coisas boas.
Assim, o diabo ganha autonomia e poder perante Deus, remetendo-nos novamente a uma forma de pensar que lembra o dualismo iraniano.

Por mais que o diabo seja inferior a Deus, ele pode corromper a criação e torna-se o senhor do mundo. Partindo do pressuposto de que a matéria é essencialmente má, assim como as "necessidades da carne", o campo de batalha é a alma humana, afinal de contas, a corrupção principia mesmo no Antigo Testamento, com o ato de insubordinação de comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, o que poderia, de acordo com as palavras da serpente confirmadas por Deus, transformá-los em deuses. (Genesis 3: 22) Então disse o Senhor Deus: "Eis que o homem se tornou igual a um de nos, conhecedor do bem e do mal; assim sendo, para evitar que tome da Árvore da Vida e coma o seu fruto e viva eternamente" . O Senhor Deus o lançou fora do Jardim do Éden...

Deus é onisciente, onipresente e onipotente, desta forma, o diabo age por que Deus permite. Se Deus fosse humano, poderia-se acusá-lo legalmente de cumplicidade em todos os "delitos" do maléfico. A desculpa descoberta pelos cristãos é a seguinte: Deus criou o diabo, mas ele, em origem, não era Mal, o diabo escolheu ser mal. Isso tecnicamente isentaria Deus do problema de ter criado o Mal ao criar o diabo. Só que esta história tem problemas óbvios, se Deus é onisciente, ele saberia o que estava por vir e mesmo assim não fez nada. Tratando o assunto de uma forma mais leve, é de se imaginar que um filho traga a genética do Pai, então, mesmo o diabo tendo se tornado " Mal" depois, este predicado já estaria em latência nele. Dionísio, um monge sírio do século VI, foi o primeiro a detalhar as hierarquias dos Anjos. São divididos em três tríades, sendo elas (em grau de grandeza) Serafins, Querubins e Tronos, a intermediária Dominações, Virtudes e Potestades e a última composta de Principados, Arcanjos e Anjos.

Desta forma, nos séculos subseqüentes, quando Lúcifer foi precipitado dos céus, ele, sendo o mais importante entre os Anjos, naturalmente foi associado aos Serafins (há referências a Lúcifer também como um Querubim). Miguel Psellos (século XI), de Constantinopla, criou uma "hierarquia demoníaca", de influência neoplatônica; a distribuição das hostes dos caídos se espelha no Paganismo (DAIMONS). Então, teremos os demônios sendo distribuídos pelos elementos (inclusive o Éter). Encontraremos ecos do mito de Lúcifer em Iblis, o diabo muçulmano. Iblis recusou a se curvar perante o homem e isto acarretou a sua Queda. Tudo leva a crer que Iblis fosse um Anjo, já que sua história está ligada à ordem dada por Allah para que os Anjos se curvassem perante Adão (ou se preferirmos a raça humana). Todavia, há citações do Alcorão que o nomenclaturam de Djinn, um ser aparentado aos Daimons gregos, ou seja, tanto bom como mau.

Os Djinn foram criados do fogo enquanto os Anjos, da luz. Curiosamente, as palavras fogo e luz são em etimologia aparentadas — Nur, luz e Nar, fogo. O problema do mal no Islã é até mais veemente que no Cristianismo devido ao seu monoteísmo total, desta forma, Allah é a fonte do mal. Há todo um debate semântico do porquê da existência do mal e por corolário do diabo, Iblis, não se chegando a um bom termo da questão.

Outra questão veemente é que no Islã somente Allah é passível de adoração, então, ao negar a curvar-se perante o homem, Iblis foi o único que agiu corretamente? Transformar deuses e deusas em demônios foi prática corrente do Cristianismo. Com um único golpe, eles reforçavam a sua fé e destruíam os ícones do Paganismo. Por outro lado, a própria Igreja contribuía para "gerar" as manifestações do demônio. Afinal de contas, os sete pecados capitais são os maiores criadores de diabolismo. Buda, séculos antes, compreendeu que se a corda estiver muito esticada arrebenta, se estiver frouxa não toca: o famoso caminho do meio.
Justamente as privações criavam sonhos luxuriosos e recheados de glutonaria, sem esquecer, é claro, o fenômeno da histeria.

A imagem do diabo clássico foi tomada de empréstimo de deuses como Pã e Cernnunos. E não só isso, o culto aos antigos deuses foi tido pela Igreja como, em verdade, um culto diabólico. Os deuses eram para a Igreja demônios a serviço do senhor das trevas.
A medida que ocorria a conversão dos povos ao Cristianismo, os atributos positivos dos deuses foram incorporados ao Deus cristão e os negativos, ao Diabo.
As capacidades xamânicas, como se converter em animais, viajar pelos mundos, foram atribuídas ao diabo e aos que pactuavam (ou malditos como ele) com ele, licantropos, bruxas e vampiros.

Curiosamente, o inexplicável, o misterioso, os grandes desastres naturais são do Malefício. O diabo toma as funções dos Titãs, Gigantes do gelo, deuses ctônicos e primordiais.
O diabo e o mal dinamizam o Cosmos. Na lenda da Queda, Eva e Adão viveriam eternamente em um estado de graça. Por mais que este estado fosse "perfeito", era imutável. A alma humana era como uma donzela em uma torre de cristal. Foi justamente o mal que rompeu este estado de coisas e impulsionou a humanidade à existência objetiva e, conseqüentemente, à evolução.
A teoria da relatividade levou Einstein a imaginar que o Universo estaria entrando em colapso ou expandindo-se. A expansão do Universo é um fato (ao menos as teorias atuais assim entendem) devido ao Big Bang, a explosão que deu origem ao Cosmos e "promoveu" a expansão. Logo após o Universo ter origem por um infinitamente minúsculo tempo, o Universo foi simétrico e, conseqüentemente, perfeito; em seguida houve uma ruptura e, em conseqüência, a assimetria. Caso esta quebra não ocorresse, as inimagináveis combinações que se seguiram não teriam ocorrido.

Para algumas vertentes do Catarismo, Jesus era irmão de Lúcifer. Vale lembrar que Jesus se autodenomina "a brilhante estrela da manha" (Apocalipse 22:16).
Esta passagem é encontrada mesmo na Vulgata, criando, no mínimo, estranheza. Se lembrarmos o significando da palavra Lúcifer e os seus atributos em muitos aspectos, eles se casam com os de Jesus.

Jesus é o verbo encarnado, ou seja, a manifestação do Logos e o Logos é a inteligência cósmica (Deus). Jesus é o portador desta Luz. Sua correspondência pela patrística no ser humano é a inteligência.

Creio não ser necessário traçar os paralelos entre o escrito acima e Lúcifer. Sem falar que Jesus é conhecido por trazer uma lei de amor (Vênus), trocando os 10 mandamentos por "Ame teu Deus sobre todas as coisas e teu próximo como a ti mesmo". A era cristã é correspondente à Era de Peixes, signo regido por Netuno que, na astrologia esotérica, é a oitava superior de Vênus.
Os cristãos primitivos acreditavam que o diabo queria ser Jesus, o elo entre o homem e Deus. Desta forma, tanto Jesus quanto o diabo foram empurrados para perto do conceito de demiurgo.
Demiurgo (Demiurgós em grego) é uma espécie de administrador da criação de Deus. Para Platão, era o artífice da criação, que, apesar de não ter criado o Cosmos, o ordena. Em verdade, mantendo e repetindo padrões.

Para os gnósticos, o termo ganha um caráter mais Maléfico, sendo o "demiurgo" o responsável pelo aprisionamento do homem (da alma na matéria). Esta visão gnóstica é importante tratando-se da mitologia cristã, que nasce e se desenvolve em um ambiente grandemente influenciado pelo pensamento gnóstico. A demonologia cristã herdou vários elementos dos gregos e judeus, estes, por sua vez, dos mesopotâmicos (em especial dos sumerianos via cananaeus). Então, nada melhor que nos voltarmos às origens.
Os acadianos, assírios e babilónicos tinham um sistema complexo de Magia, demonologia e angelologia.

Assurbanipal, o célebre rei Assírio, responsável pela biblioteca de Nínive, teve uma especial preocupação com textos de Magia. O rei instruiu seus escribas para que reproduzissem em inúmeras cópias um livro com a parte velada da religião mesopotâmica (Magia). Este tratado versa, dentre outras coisas, sobre uma grande diversidade de seres. Muitos deles serviriam de inspiração para os futuros Anjos, demônios, íncubos, súcubos, Lilith e outros das religiões atuais.
Este livro era uma cópia remanescente de Uruk, na Caldeia, onde houve um profundo estudo das Artes Mágickas.

O tomo era composto de três partes, sendo que uma delas é dedicada inteiramente aos espíritos malignos. Vale lembrar que estamos falando das "tabuinhas cuneiformes" , ou seja, de placas de barro em que eram escritos os textos.

Na visão de Ezequiel, é facil observamos elementos assírios. Ele vê os Cherub, dos quais vem o termo Querubim. A palavra é assíria, kirubu, do karâbu, significando estar perto, os seres que estavam mais perto do Divino.

Cherub tem origem da palavra egípcia Xefer. Na arte de ambos (mesopotâmicos e egípcios), há seres alados e com rostos humanos. Usualmente, o Cherub também era usado como montaria do deus, o que culminou na visão da Merkavah por Ezequiel. Sukallin é o mensageiro (Anjo) babilônico. Encontraremos ecos da divisão entre os "celestes" Igigi e os subterrâneos Annunaki. Os Sukallin, "os filhos dos deuses" (importante notar esta designação e nos lembrarmos dos Beni Elohns), são o modelo do qual saíram os anjos judeus, cristãos e muçulmanos.
Alguns "demônios" tiveram sua origem nas mesmas fontes. Asmodeus pode ser a derivação de um ser relatado no Avesta, Aeshmo Daeva. Belzebu, Ba'al Zebul, o senhor da montanha ou da morada elevada; Beel é a forma aramaica de Baal .

Outra curiosidade, no mínimo intrigante, é a semelhança entre Shell, concha em inglês, e Sheol, o inferno hebreu, ainda mais quando Sheol determina algo oco, interno. Sem falar, como já vimos, que demônio em hebraico é Qliphoth, que significa concha. Não falarei da empresa Shell e do fato dela vender combustíveis e derivados de petróleo. Que nada mais são do que restos daquilo que um dia foi vivo, retirados das profundezas da terra. A palavra Sheol era usada para determinar o local dos mortos. Muitas vezes, os fantasmas dos vivos são chamados Qliphoth também, uma referência a um cadáver astral.

Das figuras que nos remetem a Lúcifer, Prometeu é uma das mais instigantes. Ele era um titã, um ser tão poderoso quantos os deuses ou até mais. Os Titãs eram gigantes que regeram a Terra antes dos deuses. Prometeu (percepção avançada) foi o criador da raça humana, feita a partir do barro. Só que os humanos pouco se diferenciavam dos animais. Então, Prometeu profetizou um futuro melhor para a sua criatura. Mas para tal seria necessário que o homem tivesse algo mais, e este algo mais era o intelecto, o dom da inteligência, a lucidez, o fogo dos deuses.

Por analogia, podemos imaginar que o fogo, essência divina, Agni conferiria a capacidade aos humanos de se tornarem deuses. Prometeu foi até o Olimpo e, do carro de Apolo (o deus sol), ele "roubou" o fogo para humanidade. Como castigo, ele foi condenado por Zeus ao Cáucaso.
O termo Zeus é de origem indo-européia, da antiga palavra para céu, Deiuos. Encontraremos originados nela o Deva sânscrito, Deus latim, sendo associado à claridade e à luz.

Lúcifer é um arquétipo que suscita infinitas especulações, essas norteadas pelos sentimentos mais díspares. Não é à toa que tanto se falou sobre este "Anjo caído", e muito há a ser dito.

domingo, 26 de agosto de 2007

Lararium 5


Enviado pela TRIO =)


"Então, eis o meu altar "familiar". Fica no centro da casa, e todos tem acesso.
Não é especificamente um lararium, foi montado por todos nos, e cada um deu alguma coisa.

Os elementos , estão presentes da seguinte forma:
Fogo , a vela- sempre acesa
água , é água mesmo rsss
ar , o incenso- a bruxa é um incensário e ganhei de presente do meu marido
terra - pelos duendes, que para mim tb representa o casal
O caldeirão , é herança da família e só cozinho nele em dias especiais.
Pedrinhas, pingente de pentagrama , conchinhas, presente dos meus filhotes.
E a fadinha que acabei de ganhar.

Atrás do altar tem um painel que coloco fotos, depende da época e da comemoração.Este altar, é um espaço sagrado para todos os membros da minha família pois é a nossa conexão com os Deuses. Tb significa a importância dos elementos na nossa vida.
Ele me transmite muita paz, aconchego e acalento, e espero que para todos que vierem a minha casa. "

Lararium 4

Não reparem nos porta-velas horríveis. Eu estou para comprar novos. Mas na limpeza do altar dessa semana eu os substitui por pedra, que são mais bonitas e mais fáceis de limpar. Elas ficam na frente de Ares e Deméter, meus pais divinos e figuras centrais de meu altar.
A volta desses dois Deuses, tenho duas Serpentes, uma imagem da Deusa Serpente (identificada como Cibele), Perséfone, Ártemis Efesina (cultuada em Éfeso), uma maçã para Nêmesis e recentemente foi acrescentada uma imagem de Aphrodite.

Tenho os símbolos dos meus pais: trigo, grãos e uma cornucópia de Deméter e uma foice (de verdade), que representa ambas as divindades. Tenho os quatro elementos - terra onde ficam as oferendas de ervas e flores, água onde fica um copo com água potável e conchas, ar com os incesários e os oráculos e fogo.

O fogo é a parte dedicada aos meus ancestrais. É onde acendo a chama de Héstia, do Lar, da proteção familiar. É o fogo de Héstia que me liga aos meus ancestrais e ao meu sangue. Antes de chamar qualquer divindade, eu chamo por Héstia e pelos meus ancestrais na frente de seu fogo. Esse elemento é representado apenas pelo pequeno caldeirão onde ele é aceso.
No mesmo altar tenho ainda objetos que me lembram meus ancestrais, como um rosário que veio de Portugal, um broche que era da minha tia-avó, uma coruja que ganhei da minha tia e algumas ervas.
Mais fotos em La Céleste Praline.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Lararium 3


Esse é o da Kytanna... contribuição por e-mail!!


"Meu Oratório

Olha como são as coisas, tudo é adaptação... Aqui em casa meu oratório é um carrinho de chá, ou de bebidas como alguns dizem. Sempre fiz um altar, mas ele não tinha local fixo e nem aparatos, as vezes ficava na mesa de canto, as vezes na mesa da cozinha, na mesa do lado da cama e isso me incomodava, afinal meu altar era importante, e precisava de um local fixo pra mim, parecia falta de educação da minha parte mudar ele o tempo todo pq ele não tinha um canto dele.Aí um dia uma grande amiga minha me deu o carrinho de chá, era dela, antigo e com a mudança da casa dela, não tinha espaço para ficar, ela perguntou se eu queria eu disse sim, sem ao menos conhecer o carrinho.Quando bati o olho nele pensei: olha o meu oratório perfeito!!!Ele ficava dentro de casa, na subida da escada, mas mesmo assim pra mim ali não era o melhor local. E tomei uma decisão radical, coloquei ele do lado de fora da casa, na área externa, mais próximo da Natureza e está lá até hoje, cheio de simbolismos e para minha surpresa posterior, num canto tão estratégico que o vento não atrapalha e os incensos e as velas funcionam sem problemas.


O oratório tem a minnha cara, é diferente, é grande e por ter 2 andares au ainda tenho espaço para guardar outros aparatos mágicos. Enfeito ele do meu modo e estou muito feliz com ele e agradeço até hoje por essa minha amiga ter me dado esse presente. Ah sim, ela até hoje quando vem aqui em casa se sente feliz por saber que o presente dela me é tão útil!

Demorou um tempo para conseguir montar o altar do jeito que eu sempre quis, mas agora a coisa saiu dos pensamentos para o mundo real e estou muito feliz com isso!

Meu altar agora possui as deusinhas de pano da Sarah, 2 móbiles pendurados simbolizando as 3 faces da vida natural, com as deusas verdes e as 3 formas de energias fortes para mim, minha Hécate roxa, energia em movimento em azul e a Lua com Estrela com o verde.

Em cima do altar, tenho os elementos:
Representado por um aquário redondo, é a Água, dentro dele tem uma grande concha, um búzio e umas pedrinhas coloridas, a água não é da pia, é água da chuva.
Para o ArTenho meu incensário em forma de Lua, um sino antigo de minha casa (que tem um som agudo lindoooo) e uma micro corujinha insensário, que utilizo como símbolo para ajudar na minha profissão de educadora, no lugar do buraquinho do incenso coloco 3 penas de meu antigo passarinho.
Na parte destinada a Terra, ela fica próxima de uma grande árvore da felicidade, tenho um tronco com um pentagrama pintado por minha amiga Daniela, onde nele estão simbolismos sobre o ciclo da vida representado pela borboleta e suas fases, tem cristáis em formato de pedras brutas, árvores e bola de cristal.
No fogo tenho um cilindro de vidro onde acendo minhas velas todo sábado no altar, 2 velas vermelhas em formato de flor.
No meio do altar ao fundo tenho um vasinho de flores bem charmoso para colocar as flores, na frente dele um castiçal baixo, com formato de coluna grega, onde acendo as velas para minha Deusa e apoiada nesse castiçal fica a minha Boneca de Bruxinha, pessoa que converso sempre, e que ela faz questão de demonstrar que está atenta pelas feições que ela coloca no rosto.

Passo na frente do meu altar todos os dias, olho para ele e sorrio, pela felicidade de o ter montado e poder agora usá-lo dignamente.

E para aqueles que ainda não o tem, dou a dica para que o criem, para que escolham um local especial para ele, ter esse local, essa conexão física com as deidades é muito bom, faz um baita bem para nossos espíritos e nossa mente, pelo menos comigo é assim!

Beijocas Enluaradas Kytanna"

domingo, 19 de agosto de 2007

Lararium 2

Seguindo a idéia, posto aqui uma das imagens do meu lararium. Essa em especial é de quando o fogo estava em recesso -antes da Festa do Fogo Novo.



Onde está o cálice com água, eu sempre deixo uma chama... a Chama Ancestral, Héstia, o Espírito da Casa, do Sangue.

Quando Heféstos apagou a forja para que fosse renovada, Héstia tb limpou seu fogo e assim, as forças da casa se fazem brancas e muito mais poderosas.

Então, ao invès de deixar o fogo e oferecer incenso aos meus Ancestrais na Lua Cheia, trabalhei com o espírito aquoso da família - nosso sangue, nossas lágrimas, nosso suor... nossas emoções de Lua.

Foi, de fato, um rito diferenciado e que nos levou a sentimentos outros... outra experiência.

Hoje, com o fogo renovado, a vela dos ancestrais está posta. E junto com elas conchas de praia, pedras, presentes, oferendas...

Com esse altar eu quero a minha família protegida e aninhada em si mesma... Somos o mesmo calor . Ele corre dentro de nossas veias e dos planos astral e divino.

O mais legal é que tb ganhei um trigo de Deméter para o lararium... Linda Deméter que faz a vida brotar. Linda Héstia que faz o coração ferver.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Lararium I

Meu altar dos ancestrais foi a primeira coisa que me ligou a bruxaria italiana. Eu ainda estava um pouco voltada para a wicca (embora já não me sentisse em casa lá), quando li um livro do Grimassi, onde ele citava a questão do altar dos ancestrais. Como sempre tive uma ligação muito intensa com minha ancestralidade, eu achei aquilo perfeito. Com o passar do tempo, fiz meu lararium, usando um bocado de referências reconstrucionistas e um pouco de adaptação...


O altar propriamente dito é um oratório de gesso, que pintei de dourado e prata. Com o tempo, a tinta dourada ficou coberta de zinabre, o que deu essa aparência verde para ele. Eu tinha comprado o oratório pensando em dar de presente para minha mãe (eu pintei um e coloquei uma Nossa Senhora dentro para ela, queria fazer um par), mas este era maior do que o primeiro. Além disso, embora visto de frente ele seja bem barroco, as laterais dele são colunas e parte de frisos greco romanos...

Em cima dele, tem um anjo que ganhei da minha prima. Eu tinha 15 anos e ela 10. Escolhi ele entre todos os anjinhos que ganhei na adolescência (como a família sabia que eu gostava de coisas "místicas", todo mundo me dava anjos de presente...) porque ele é uma versão chinesa de uma escultura romana. Eu ia colocar a comparação dos dois aqui, mas não encontro
o original romano aqui no micro. Ele segura um vaso, quase uma jarra, em uma mão e um ramo na outra. Lembra bastante a imagem dos lares.

Ela começou a ficar em cima do altar porque ele é bem pequeno em termos de espaço. Então, colocando a imagem no alto, tenho mais espaço para as oferendas.

Ele fica praticamente em cima do balcão que divide minha cozinha e minha sala. Posso dizer que ele fica no coração da casa. Antes, no tempo em que dividia a casa com meus pais, ele ficava no quarto. Quando o André nasceu, três dias depois, passamos um tremendo susto e fomos morar na casa da minha sogra por cinco meses. Eu lembro de passar pela porta dela de madrugada, carregando o altar em um braço e o bebê no outro. Desde que ele foi montado pela primeira vez, é alentador poder olhar para ele. Me transmite segurança e paz, e o sentimento de nunca estar sozinha.

Em cima dele, tem o cristal lapidado como uma estrela que meu avô me deu, um búzio quase grande, uma lasca de pedra branca, sementes, um medalhão com a imagem de um cão/lobo, um lobinho toscamente entalhado em gesso, uma chave que encontrei em uma encruzilhada de três caminhos, minha Vênus de Willendorf, que eu carregava no pescoço, mas que a argola desgastou e partiu, e minhas oferendas: paus de canela, rosas do jardim, flores da pitangueira, e uma caixinha de porcelana cheia de sal marinho. Outra caixinha de porcelana serve para acender as velas. Sempre acendo três, porque aqui em casa somos três.

Ainda não tem tudo que quero que tenha, principalmente por ser bem pequeno. Mas espero logo conseguir uma prateleira para por junto com ele, que vai me permitir deixa-lo mais completo.

Nele, o fogo queima e me lembra do fogo da família, das chamas que aqueceram meus ancestrais e hoje me aquecem. Nele, deixo as vezes fotos de meus antepassados, ou objetos que pertenceram a eles. Nele deixo minhas orações e um pouco do que existe de melhor em mim, minha fé e meu amor.

domingo, 12 de agosto de 2007

Coisas que me irritam...

Algumas frases e conceitos que lemos por aí no nosso "mundinho pagão" que me incomodam profundamente:

- "Sociedade patriarcal" - e suas variantes
A vida política na Grécia e em Roma eram centradas nos homens. Eles eram pagãos.
Não é um conceito cristão, nem foi algo imposto pelo Cristianismo.

- "A religião mais antiga do mundo"
O culto à uma divindade da fertilidade pode ser o culto mais antigo do mundo. Não a Wicca ou qualquer outra vertente do Neo-paganismo.

- Inquisição
Não morremos queimadas em outras vidas. Nossas ancestrais também não.
Está provado, em diversos países, que as maiores vítimas da Inquisição foram os judeus e ciganos.
Dica: "A Inquisição", de Anita Nowinsky - coleção "Primeiros Passos", da Editora Brasiliense.

- "O Cristianismo matou as práticas pagãs"
Na minha opinião, ele as reformulou à sua maneira.

- "Deusa Negra"
Sem comentários...

- "Strega cultua Diana e Lúcifer"
Não necessariamente...

- "Bruxas cultuam uma Deusa e um Deus".
Idem. Podem cultuar um casal divino, mas não uma Grande Deusa e um Grande Deus. Os que eu conheço, nomeiam suas divindades e seguem um panteão específico.


Por hora, é o que eu consigo lembrar... mas nada impede que haja uma continuação deste tópico.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Segredos das Streghe


Inês e eu tivemos a chance maravilhosa de estarmos presentes numa celebração na casa da tribo de Hermínio Portella. O que significa que não era nem na minha casa, nem na dela... era um grupo externo aos que nos estabelecemos.


Estar na casa dos outros requer uma certa etiqueta e cerimônia - sim, eu tenho Capricórnio de casa 10! Você não põe o pé no sofá, não vai ao banheiro de porta aberta e procura observar, ao máximo, como as coisas naquela família funcionam.


E quando somos convidados a uma ritualística, a etiqueta tem de ser mágicka.
Como eu venho escrevendo, as streghe têm sim uma coisa de casa fechada, porque ninguém quer sair na revista Caras. Ou sejam, prezam pelos seus caminhos, pelo sussego do lar. É a privacidade, a liberdade de poder calar.


Assim é com a casa alheia. É feio quando saímos da casa de alguém colocando no jornal ou na web o que acontece de mais íntimo por lá. Não fazemos com a nossa, imagina com a dos outros.
A questão toda é que aqui no blog gostamos de compartilhar nossas idéias e experiências, o que sentimos... Mas partilhamos exatamente tudo? Não... Porque algumas coisas podem soar "esquisofrênicas". É como nas antigas ordens, como a Maçonaria ou a Rosacruz... Discrição.
Penso que partilhar seja importante para, inclusive, encontrarmos os nossos pares. Porém confiança é um sentimento construído.


Quando somos convidados em honra, nos portamos com honra. Se uma pessoa confia em nós o suficiente para nos mostrar o que faz, nós somos honradas o suficiente para conversar e comentar a medida que não compromete essa confiança. É, eu sinto, um dos objetivos desse blog.
Pode ser que isso dificulte o acesso à informação, mas também agrega valor a ela, pois quando estamos no ponto, ela simplesmente vem, como uma doce brisa de verão.

domingo, 5 de agosto de 2007

Mentiras e ancestrais

Lisa acha que sua família é chata. Principalmente quando ela precisa fazer uma redação sobre sua família e, obviamente, tem que ao mesmo tempo manter seu posto de melhor aluna da escola. O que ela faz? Inventa uma ancestralidade indígena que não existe.

Este é o enredo de mais um episódio de Os Simpson. Pode parecer bizarro, mas mais uma vez eu paro para refletir sobre nossas práticas baseando-me em algo comum.

Ultimamente, tem aparecido um monte de gente que diz que tem ancestralidade bruxa. Já teve até fulano que disse que sua família tem uma linhagem de 300 anos.

Creio que existam família de bruxos. Creio não, existem! E há pessoas maravilhosas que saem dessas família, gente que tem conhecimento e sabedoria para traçar seu caminho e reverenciar seus ancestrais.

Mas quem não tem, porque diz isso? O que acrescenta na minha vida tentar buscar legitimidade em uma família antiqüíssima de bruxas que nunca existiu? Necessidade de ser aprovado pelos outros? Necessidade de se incluir entre os seguidores das chamadas "Bruxaria Tradicional" e "Bruxaria Herediária"?

Faz diferença o que os outros pensam das minhas práticas? Não, não faz... porque o caminho individual, por mais que você o divida com outras pessoas. No final, você está com seus Deuses e seus ancestrais, e é com eles que você vai ter que se virar.

Meus ancestrais ficariam tristes se eu mentisse sobre minha origem, ou se eu aumentasse o que eles realmente foram. Que mal há em ser um vira-lata? Que mal há em ser o primeiro a iniciar um caminho, sem o respaldo dos que vieram antes?

Antes de serem bruxos, católicos, negros, brancos ou qualquer outra coisa, nossos ancestrais são nossa família, nosso sangue, nosso fogo... são aqueles sem os quais não estaríamos aqui. E isso é o mais importante de tudo.


Simpsons vestidos de índio. Do site Blue Comics.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Éntheos


Quando Roberto Calasso fala, em seu livro As núpcias de Cadmo e Harmonia, sobre as relações de amado e amante, ele fala de uma forma de relacionamento entre homens... entre os mais velhos e os jovens nas acadêmias.


Era um tempo no qual não havia bandeiras ou rótulos... havia papéis sociais nos quais, a medida que cresciam, os homens iam assumindo.


O amante quando tomava o amado para si tornava-se vaso do êxtase de Afrodite e assim, tornava-se éntheos. Isso significa estar cheio de deus.


Eu sinto que esse é aquele momento no qual parece que a nossa pele vai rasgar, que a existência dos Deuses se faz totalmente a mostra nas nossas vidas... Seja da presença emocionante de nossos Ancestrais conosco. Seja pelo jorro de Hades, o grito de Ares, o êxtase de Dionísio ou o "as coisas" de Afrodite... É quando estamos junto com Eles... quando a nossa faísca divina torna-se uma chama.


É uma chuva de pérolas mandada por Afrodite para Ela mesma.


Talvez esse seja o resumo d'A Sacerdotisa: estar éntheos.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Silêncio e Lua Cheia

Todo dia entro nesse blog para ver o quanto a Lua está cheia (no momento que escrevo, ela está em 80%). Sou obrigada a fazer isso desde que esqueci onde guardei minha agenda, que tem as Luas certas. Também entro no blog da Pietra, porque sei que ela coloca a Lua e suas influências astrológicas todo mês.

Espero a mudança das luas com uma certa ansiedade. Principalmente em tempos de ansiedade permanente, como os da semana passada: pouco sono, muito pensamento, preocupação em demasia - sabe como é, coisa de virginiana prestes a embarcar no Inferno Astral e influenciada pelo arcano IX.

Mas aí a Lua Nova passou, a Crescente foi inflando com a luz refletida do Sol e eu fui melhorando. Com a ajuda dos calmantes (fitoterápicos), essa Deusa de muitos rostos parou de me mandar insônia e entrou em acordo com Morpheus.

Falando assim, parece loucura. Ou como dizemos: "se a gente começar a falar tudo o que acontece, iam dizer que somos esquizofrênicas"...

Essa frase faz com que eu pense na música do Depeche Mode, "Enjoy the Silence", que diz que sentimentos são intensos, mas palavras são triviais. (feelings are intense/words are trivial).

Ultimamente - nada... sempre foi assim! -, eu não falo com a Lua. Eu penso Nela. "Words are very unecessary" (DM de novo...) quando estabelecemos esse tipo de conexão. É como quando temos um relacionamento muito próximo de alguém: você não precisa falar, não precisa ficar constrangido com o silêncio. Ela vai enteder, vai saber, vai ouvir esse silêncio e saber o que ele significa.

Espero dia 29, Lua Cheia em Aquário, para silencar de novo diante Dela e deixar que venha mais uma carta...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Magia Simpática e analogias


Uma das teorias mais aceitas sobre as obras rupestres paleolíticas liga essas pinturas primeiras ao início dos conceitos de magia e religião. Ao invés de serem feitas em locais de fácil acesso e visibilidade, são pinturas que ficam quase sempre escondidas. Acho que o melhor exemplo é a gruta de Lascaux. Lá, temos um corredor estreito, que leva para uma câmara onde touros e bisões correm em torno de nós. A intensidade das pinturas e seu naturalismo são impactantes. Mas porque uma obra de arte tão maravilhosa ficaria em um lugar tão escondido?

As pinturas atuariam como uma forma de “magia simpática”

Simpatia no sentido que fica aqui, vem de semelhança. Assim, por analogia, o pintor ao produzir imagens de animais que precisa caçar no ventre da terra, poderia “invocar” esses animais: pinturas na caverna, novos animais em úteros. Do mesmo modo, ao pintar um caçador ferindo sua caça, podia auxiliar que a caçada real fosse bem sucedida.

Na mesma linha de pensamento, temos a maravilhosa arte dos aborígenes australianos: para eles, o Tempo do Sonho, o tempo em que o mundo foi criado, continua acontecendo, e suas pinturas e esculturas participam na criação do mundo: se pararem de ser feitas, o mundo entrará em colapso.

A magia tradicional tem uma forte referência de magia simpática. Também entra aqui o uso de efígies, imagens para proteger ou causa o mal a uma pessoa: bonecos de barro, tecido, palha ou cabelos, que servem como elemento simpático da pessoa que é representada.

As “simpatias” populares são feitiços simpáticos, Trabalham com analogias, sempre: simpatias de amor usam rosas, mel, nomes escritos, coisas que popularmente são análogas a amor e relacionamentos. Para afastar alguém, rasgam uma foto onde se está junto da pessoa, uma perfeita analogia ou metáfora de afastamento.

Tanto o elemento análogo pode ser um objeto, como uma atitude ou situação. O que importa é que se trace na mente de quem faz o feitiço uma analogia, uma referência clara. A riqueza de elementos nem sempre é necessária, porque uma aliança passada em um fio de cabelo pode representar perfeitamente bem um casamento.

Assim, quando conhecemos esse princípio das analogias, conseguimos enxergar muitos elementos da sabedoria popular com clareza: a tesoura que corta os pesadelos, a vassoura atrás da porta para varrer os indesejados (e posta de ponta cabeça, o que geraria incômodo, como elemento análogo também da pessoa que se quer mandar embora), o espelho que reflete longe as más influências.

E do mesmo modo, quando se precisa de algo, a magia simpática e as analogias vem em nossa prática: os sapatinhos vermelhos que meu filho ganhou ao nascer, o sal que jogo no telhado para afastar a chuva, os símbolos que uso para representar os Deuses, como o machado que para mim é analógico de Diana. Muito mais eficaz que copiar um feitiço que não significa nada para você, é seguir essa trilha, e buscar pela magia simpática e as analogias.

Para uma visita virtual a Gruta de Lascaux, (em francês ou inglês), olhe aqui.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Vassoura


Colocar uma vassoura com o cabo virado
para baixo, atrás da porta, faz visitas
indesejáveis irem embora logo.
A vassoura deve ser guardada na
posição vertical para evitar desgraças.
Crianças que montam em
vassouras serão infelizes.
Varrer a casa à noite expulsa tranqüilidade
e varrer o pé de uma pessoa faz com
que ela nunca se case.

Retirado do Guia dos Curiosos

terça-feira, 17 de julho de 2007

As faces de meuis Pais Divinos


Pensando no culto aos Deuses, fiz dois pequenos textos sobre os epípetos dos meus pais divinos...




Então, fica o convite para conhecerem as Faces de Afrodite e as Faces de Apollo =)

Com o tempo, trabalharemos em mais Deuses!




domingo, 15 de julho de 2007

Tribos de Gaia - nova colunista

Não é segredo para ninguém a minha paixão pelo Tribos de Gaia a tudo que esse projeto e grupo de pessoas se propõe.

Mas, agora eu preciso dizer que estou ainda mais feliz... porque eu tenho a minha primeira "filha" nesse projeto.

Sim, a nossa amada Inês Raven é nossa colunista - e embaixo da foto dela está "convidada por Pietra"...

Mais que uma honra, é um imenso prazer poder compartilhar daquele espaço com gente que, além de saber o que está dizendo, tem o mesmo amor pelos Deuses e pelos Ancestrais que nós...

Inês, seja mt bem vida... Sucesso e Luz, sempre!

Para conferir o texto da Inês, Quem é Aradia, clique aqui!

terça-feira, 3 de julho de 2007

Laverna 2


Laverna é a deusa romana dos ladrões, a que ouve as orações dos que roubam. A Porta Lavernalis (Portão de Laverna) na colina Aventina ganhou seu nome por conta da deusa, e ela tinha um altar naquelas imediações. Ela também tinha uma gruta sagrada na Via Saleria, uma famosa estrada romana que cruzava a "panturillha" da bota da Itália, começando em Roma, seguindo o rio Tiber, cruzando os montes Apeninos até o mar Adriático.

Orginalmente, Laverna era uma deusa do Mundo Inferior para os etruscos, ela se tornou a deusa dos ladrões porque os ladrões operam na escuridão. Seu nome pode derivar tanto de latere (observar para tirar vantagem) ou levare (aliviar - o peso das carteiras e do ouro) e levator (ladrão).

Furina, uma deusa posteriormente associada a Laverna, era originalmente uma antiga deusa etrusca dos ladrões, que reinava sobre a Terra e o escuro. Ela tinha um festival anual chamado Furinalia, sua sacerdotisa, e uma gruta ou templo em Janicullum, um vale do rio Tiber, na margem contrária a Via Saleria. Algumas vezes é confundida com as Fúrias (nome romano das gregas Erínias) pela similaridade dos nomes. Da mesma raíz de Furina, que significa ladrão, vem a palavra "furtivo".

Frase de Laverna: SHHH! Você não está me vendo!"



Fonte: http://www.thaliatook.com/AMGG/laverna.html

Laverna 1

Esse é um texto meu sobre Laverna que fiz logo depois de ler Aradia, o Evangelho das Bruxas em 2002.

Uma das histórias contidas dentro de Aradia, the gospel of the witches é a de Laverna (capítulo XV). Deusa dos ladrões e dos trapaceiros, ela foi mais tarde entendida como uma das figuras que se fundem à Diana. Porém seus mitos antigos são mencionados por Horácio, Plautos e Virgílio. Este último, o poeta magista fala da figura que podia ter corpo ou cabeça, ou ambos ou nenhum. Quem sabe não é dai que nasceram as histórias sem pé nem cabeça? Rs**

Laverna é uma figura interessante e eu a escolhi como uma energia a ser conhecida e trabalhada no ano que vem vindo. Ela era conhecida como uma deidade terrena, isto é, comprometida com seus acólitos e com eles ao seu redor.

O mito segundo segue conta que Laverna tomou de um grande sacerdote e um lorde terras, gado e toda sorte de riquezas. Sempre jurava sob uma parte sua, como a cabeça e seu corpo, que pagaria. Porém deixou-os a míngua. Pois então, eles a levaram a uma corte divina. Quando questionada pelos deuses, Laverna disse em sua defesa (fazendo seu corpo desaparecer): "Como posso pagar tal promessa, se nem corpo possuo?". E fez o mesmo com sua cabeça. Os deuses estouraram em risadas, se divertindo muito com o espírito imprevisível e humorístico da deusa - sem mencionar lógico. No entanto, fizeram com que se apresentasse completamente e com que pagasse suas dividas. E assim foi feito.

Além disso, outras histórias falam de ameaças feitas a Laverna para que desejos e bênçãos fossem concedidos. Também são mencionadas as ofertas de ervas e cartas de baralho feitas para a proteção de crianças desaparecidas e doentes.

Bom, agora alguns se perguntam por que eu escolhi Laverna como inspiração para 2002. Simples: Laverna é uma figura de ética muito própria, a qual se estendia a seus 'fieis' que a adoravam em silêncio numa gruta, aos arredores de Roma. Ela ganhava o respeito daqueles que a acolhiam e embora fosse satírica, mantinha sua palavra: de acordo com seus padrões. Eu penso que a idéias de Laverna, seu culto e sua história nos mostram uma forma particular de lidar com a vida e, principalmente, com os que nos desafiam. Claro que como neopagãos e cidadãos temos de manter palavra e ética - e esta está muito ligada ao nosso íntimo. Ora, deixemos que nossos opositores ouçam o que desejam e seremos capazes de mostrar que as coisas não exatamente o que parecem ou soam: aos ouvidos deles!

Laverna é um símbolo de malícia. Ou melhor: de jogo de cintura - de saber jogar. Não proponho desonestidade, mesmo porque quando foi cobrada pelos deuses Laverna pagou suas dívidas. Responsabilidade é mister para todos. Mas a forma de expor a sua ética, a sua verdade: com seu toque pessoal. Sinceramente, eu acho ótimo chegar para as pessoas com o que elas não esperam!

Que 2002 seja o ano da autenticidade!

Benedizioni di Pax

Pietra
(dichiaroluna@yahoo.com)

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Sendo sacerdotisa no dia-a-dia


Esta lunação fui presenteada com a Sacerdotisa... ela veio pelo arcano 2 do tarot.

Estou encantada com essa carta e estou pensando em como lidar com essa energia de silêncio, sabedoria e inspiração no nosso cotidiano... Ser e estar com as Musas, com as companheiras de Apollo vendo o mundo com mais luz, música, dança...

Quero me inspirar!

Por enquanto, eu me peguei pesquisando, estudando, numa "caverna" escura do meu quarto, sob meu altar aos ancestrais... E de tudo, o melhor sempre: de poder venerar meus deuses, meu Deus Apollo todas as manhãs, gritando: BOM DIA, MEU PAI!

Ao longo da lunação vou pensar melhor sobre tudo isso, claro... mas agora eu posso dizer: os deuses têm me saído pelos poros!

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Dio, Mano Cornuto e Heavy Metal


Ronnie James Dio é um headbanger, ou seja, literalmente, um cara que balança a cabeça. Na gíria, headbanger significa uma pessoas que gosta de Heavy Metal, um tipo de rock que surgiu na década de 1980 baseado em bandas como Led Zepellin e Black Sabbath, banda da qual Dio foi vocalista depois que Ozzy Ousborne largou para seguir sua carreira solo.

Além de headbanger, e de ser um dos principais vocalistas do metal, Dio foi o responsável por popularizar seu símbolo mais característico: o gesto de dois chifres, formado quando se levanta o dedo indicador e o dedo mindinho. Para muitos (fãs, inclusive), é o símbolo do demônio.

Mas segundo depoimento do vocalista no documentário "Metal: A Headbanger Journey" (literalmente, "Metal: A Jornada de um Headbanger"), ele aprendeu esse símbolo com suas avós italianas. "Elas usavam o tempo todo para afastar o mallocchio (olho gordo), ou para mandá-lo de volta", explica.

Esse símbolo é, na verdade, o Mano Cornuto, ou Mani Cornuti. Ele realmente representa chifres, mas não o do demônio. Os chifres são símbolos ancestrais de virilidade e de conexão com a Natureza, usados ao longo dos anos e para representar Baco, Pã, Fauno, o Deus Cornífero dos wiccanos e outros Deuses relacionados à vida selvagem ao instinto animal.

Ele também serviria para "espetar" o olho mal, fazendo com que perdesse sua força. É mais ou menos a mesma coisa da figa para os brasileiros.

Dio admite que não inventou o símbolo, mas acha que o aperfeiçoou. Como os fãs gostaram, foi adotado e hoje, em qualquer showzinho de banda de garagem, tem sempre um cara fazendo o Mano Cornuto.

Mais sobre o Dio na Wikipedia.
Mais sobre o Mano Cornuto na Alt Religion (em inglês).
Site oficial do documentário Metal: A Headbanger Journey

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Inverno

Com a imagem de que inverno traz neve, Papai Noel e muito frio, estamos comemorando hoje a noite mais longa do ano. Na verdade, para os paulistas, o inverno não significa neve; ele significa escuridão, pois demora mais para amanhecer e também significa falta de chuva. - o que tem várias implicações em termos de saúde, pois a poluição aumenta muito. E, em parte, matamos parte do glamour do invernos assim.

Portanto, trata-se de um momento de chazinhos, tanto para inalações como para manter nossos corpos mais confortáveis.

Aqui na minha casa, o chá de buchinha com eucalípto sempre foi um santo remédio para os narizes constipados. Já o erva cidreira, um consolo para um estômago gelado.

Por alguns meses, vamos ficar aqui, pedindo por chuva, pois é São Paulo. Por alguns meses tb, corremos o risco de passar por todas as estações do ano em um dia só - se bem que eu acho que isso vale para todas as estações, hehe

Assim, penso que nosso país tenha uma riqueza que poucos outros tenham, pois herdamos uma tradição que não exatamente "bate" com o nosso clima - aqui, inverno não tem neve e não é em dezembro - porém, fazemos nossas mudanças e adaptações e temos festas singulares, nas quais reconhecemos nossos ancestrais e vemos as nossas necessidas, pois Festa Junina também pode ser uma comemoração de colheitas e de guardar para o Inverno.

Sabiam que os ucranianos pulam fogueira em seu festival de verão que acontece agora? Parece familiar de alguma forma? =)

Um excelente solstício para todos!!

domingo, 17 de junho de 2007

Comidas e Deuses


Eu sei que em um posting anterior falamos sobre comidas e como a cozinha é o grande laboratório que temos e que nele, transformamos pedaços em amor, em carinho ou em uma tremenda dor-de-barriga.

Quando fazemos comida estamos partilhando uma parte de nós... Assim, quando fazemos comidas para oferecer aos Deuses, é um rito de doação e de mistura: da sua essência com a Divina. É um momento de nos tornamos um com quem amamos... com os Deuses do Céu, da Terra, da Lua, do Sol... do Universo...

Algumas experiências interessantes que tivemos:

- Maçã do amor e Paella para Afrodite.
- Carne vermelha com molho de mel para Zeus.
- Salmão defumado e milho cozido para Apollo.
- Bolo de mel para a Deusa Serpente.
- Aveia, mel e figos para Pã.
- Pão para Diana.

E, no fim, o banquete a todos serve. Aos Deuses, que são homenageados pelos nossos movimentos e nós mesmos que temos a chance de banquetear com aqueles que vieram antes de nós.

Outras experiências com Deuses e comida?

Nos deixe saber!!

Imagem: www.corbis.com

Autonomia e Heteronomia Espiritual

Olá pessoas!

Atualizei meu texto no Tribos de Gaia.

Escrevi um pouco sobre o amadurecimento de nossa autonomia espiritual e como vamos nos tornando mais seguros em nossas práticas.

Confiram!!

http://www.tribosdegaia.com.br/htm/artigos/pietra19.htm

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Aos Iniciantes


Sou uma iniciante. Não tenho nenhum tipo de iniciação, não sou descendente de bruxas poderosas e não tenho grimórios que pertenceram a minha família. O máximo que possuo é uma mãe que me ensina o que sabe, alguns livros, uma biblioteca de universidade à minha disposição e curiosidade. E foi este último fator que me abriu as portas para a vivência e o estudo da Bruxaria.

Todos temos que começar de algum lugar. Iniciar a jornada, muitas vezes, é difícil. Sentimos medo, pois tudo o que nos é desconhecido causa medo – principalmente quando não há, a princípio, um mestre que possa nos orientar. Mas para que as portas do caminho permaneçam abertas, é preciso dar um primeiro passo. E este primeiro passo não vem com o estudo, mas sim com a prática do que foi aprendido na teoria.

Quanto mais a Bruxaria se populariza por meio da venda de revistas e livros sobre sua vertente mais conhecida, a Wicca, cada vez mais gente entra no caminho e não dá os primeiros passos. Vão rastejando até a próxima pedra onde se apoiar. Tenho contato com muitas pessoas que estudam a Arte há quatro ou cinco anos, mas que nunca acendeu uma vela ou celebrou uma passagem de estação.

Não adianta estudar, ler e ficar atrás de gente que sabe mais sem colocar em prática o que aprendeu. De que adianta a teoria, sem as sensações e a experiência que apenas a prática traz?
Mas antes de sair por aí tentando transformar água em vinho, é preciso ter em mente que a segurança e a estabilidade energética que permitem o sucesso de um trabalho mágico vem com o tempo. Por isso, é errado começar a praticar logo com feitiços ou ritos sazonais complicados.

É mais seguro e certo começar com elementos simples. O relaxamento e a meditação são dois itens essenciais para acalmar os pensamentos e desenvolver a concentração, fatores essenciais não só para o êxito de um rito, mas também para enfrentar um dia-a-dia cansativo.

Acender uma vela e um incenso em honra aos deuses, de forma simples e singela, também é uma boa forma de começar a lidar com energias muitas vezes desconhecidas ao iniciante. Oferecer aos deuses e espíritos da natureza água e frutas também é uma forma de, gradualmente, criar intimidade com as forças mágicas que permeiam toda a natureza.

Despertar esse tipo de força muitas vezes pode ser perigoso, e é por isso que os feitiços devem ser o último passo para o iniciante na prática de magia. Antes disso, é bom comemorar alguns ritos sazonais, mas de forma bem simples. Com flores, oferendas, uma pequena fogueira. Um rito sazonal para a conexão com a Terra só surte efeito quando a pessoa está com a mente clara, aberta a novas experiências e sem preocupações.

Muitos são atraídos para a Bruxaria por causa dos feitiços, mas eles são o menos importante de tudo. Qualquer sistema mágico é um caminho de harmonia interior e auto-conhecimento - acima de qualquer outra coisa. A capacidade de manipular as forças da natureza é algo secundário dentro deste caminho. E imprescindível harmonizar-se com elas e entender seus ciclos, mas moldar a natureza deve ser deixado para um estágio mais avançado do treinamento.

A Natureza é imprevisível. A verdadeira Arte da Bruxa não é controlar a vontade dos Deuses, mas entender o que Eles sentem e querem de nós.


Texto produzido em 2005 para o extinto Projeto Stregare.

Fica registrado aqui para que não se perca nas brumas da Internet.
Imagen do site www.mythinglinks.org

terça-feira, 5 de junho de 2007

Conexão e complementos

Quando Prosérpina escorregou nas mãos dele, senti a confirmação do que já sabia. Dias antes, Hécate veio a mim. A Sacerdotisa e a Lua. Arcanos diferentes, porém da mesma natureza. Por que estamos sendo regidos pela mesma energia? Porque estamos conectados.

A Lua e a Sacerdotisa são complementos uma da outra. Uma é o Mistério; a outra, a Guardiã do Mistério. Uma, é a Bruxa que guarda os caminhos; a outra, A que transita entre os Mundos. A Lua esconde-se atrás do trono da Sacerdotisa, ao mesmo tempo que se revela na marca em sua testa e no crescente sob seus pés. Na mitologia, Hécate ajuda Ceres a encontrar Prosérpina. É a que guia o caminho da Sacerdotisa, como a Lua Cheia guia o caminho no escuro.

A Sacerdotisa guarda a Lua, a protege. Permite que seus segredos permaneçam ocultos e protegidos do mal uso. A Lua, por sua vez, sustenta o poder da Sacertodisa. A Lua é o instinto primitivo. A Sacertodisa, o cérebro humano que controla a natureza e põe ordem no caos. Ambas complementares. Ambas, unidas.

O que diz muito sobre nós dois. Quando deixo o instinto falar mais alto, ele coloca sua recionalidade e segura a tempestada que poderia surgir. Quando ele ameaça cair, eu faço o que posso para sustentar. E ao mesmo tempo que a ordem e o caos estão sempre em conflito, que oa natureza e a razão lutam para ter um equilíbrio, vivemos em harmonia. Em conexão. Como a Sacerdotisa se conecta com a Lua à cada ciclo, estamos, em todos os ciclos de nossas vidas, conectados. E unidos.
As imagens são os arcanos do Tarot Mitológico. Acima, o arcano II, a Sacerdotisa, representado por Prosérpina, que rege o mês do meu namorado, Gustavo. Abaixo, o arcano XVIII, a Lua, representado por Hécate, que rege o meu mês.