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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Saturnália - nosso rito

Quase um mês depois, estou voltando para falar da minha Saturnália.

Desculpem a demora. Mas fim de ano é corrido no trabalho, aí eu saí de férias, aí eu usei essa semana para acertar a vida (no trabalho, nas minhas aulas de dança, etc). Conclusão: só consegui postar agora.

Foi uma celebração muito alegre e muito boa. Todo mundo que estava presente gostou e se divertiu, e era esse o espírito que eu queria levar para a coisa. Bebemos muito vinho e rimos muito!

Como era uma festival com vários deuses, não só com Saturno, eu montei o altar dele em um cantinho, fora do altar principal, para não misturar energias. Eu coloquei uma imagem dele, que imprimi da internet e encaixei num porta-retrato. É uma gravura mostrando o deus em um nicho, com o escrito SATVRNVS em cima, carregando uma foice. É bem legal e bem romana.

Coloquei, também, uma imagem de São Longuinho, por sua relação com aquele lance de Cronos ser o hermitão e ancião. Peguei essa ideia de um blog que agora eu não lembro qual é, mas se achar eu indico. Além disso a Pietra, fez uma cornucópia para mim, que eu enchi de uvas - já que ele é relaciona a colheita da uva. Eu coloquei também vinho, uma máscara, uma foice (eu tenho duas, uma para Saturno e outra para Deméter) e um símbolo fálico esculpido para mim pela Sarah. E os presentes de Saturnália do povo, que eram velas coloridas e incensos. Como os romanos tinham costume de se presentar com velas e bonecas de cera nesse festival, eu tive essa ideia para manter a tradição.

O melhor de tudo foi ver que, no começo, todo mundo estava com aquela cara séria de "Uh, ritual para Cronos". Pessoal tem medo dele, sabe? Mesmo que eu falasse que o lance ia ser outro, já que Saturno não tem aquela seriedade que Cronos tem e que é um deus muito mais cabeça fresca, ninguém botou uma fé. Até que, conforme íamos trabalhando o deus dentro do rito, as pessoas começaram a rir mais alto, falar mais alto, beber e fumar mais e finalmente eles perceberam o que eu estava querendo dizer: que Saturno é um deus que nos liberta de padrões e que gosta de festa, beberagem, comilança e risadas.

Foi uma excelente celebração e com certeza vou fazer de novo neste ano!

Só vou ficar devendo a foto... ninguém fotografou o ritual! Mas tenho fotos da imagem do meu altar com os presentinhos. Assim que meu celular resolver conectar com o bluetooth do computador, eu posto.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Preparando o natal

Natal é tradição importante na minha casa. Criada dentro de um cristianismo folclórico e mágico, aprendi a reconhecer a meia noite do dia 24 de dezembro como uma espécie especial de "hora mágica". Onde a fé das pessoas movimenta as coisas e permite que se realizem bençãos e se purifique coisas.

Veio da Itália a tradição dos presépios, e assim foi também em nossa casa. Inclusive, temos guardado um pastor e um camelo do primeiro presépio em terracota que nossos antepassados trouxeram da Itália. O presépio atual, pintado por mim como um presente para meus pais (mesmo eu já sendo pagã há uns bons anos quano o fiz), tem um tom barroco de pintura e é uma cópia de um presépio veneziano.

Tem todas asquelas características de um legítimo presépio popular: espelho que serve de lago, serragem e areia para os tortuosos caminhos que serão seguidos pelos pastores (que chegam à mangedoura na meia noite de 24 de dezembro, quando o menino deus é colocado nela) e os reis magos (que seguem a estrela em papelão pelo fundo estrelado pintado para chegar no dia 6 de janeiro com os presentes) , peças compradas depois (ou herdadas de presépios antigos) que nada tem a ver com a decoração das peças principais. Armar o presépio, independente de religião, é um ato de resistência folclórica. A cada ano, acrescenta-se algo novo, que o amplia, melhora, deixa ainda mais único e mais folk.

E é claro que ele tem sua magia: A oração feita ao montar o presépio para que estejamos juntas no próximo ano repetindo o ato. A ordem cuidadosa com que minha mãe lê a ascendência de seu Cristo. O ato de reunir a todos na meia noite do dia 24 para a cena da chegada do menino deus, colocado em seu lugar pela criança mais nova presente. A movimentação diária das peças, e a chegada trifunfal dos reis magos, com mais presentes, comida e toda a m,ovimentação do Dia de Reis. 

Criei o hábito de deixar esmolas nos presépios. Assim como no presépio de casa de vez em quando alguém deixa umas moedas, cada vez que passo perto de um presépio, deixo lá as moedas que eu tiver. Dá boa sorte. Durante o tempo em que está montado, o presépio é um forte ponto focal de energia. Minha mãe deixa de fazer suas orações diante do oratório (ela mantém um altar cristão muito interessante) para faze-las diante do presépio. Já vi muita reza pelos mais variados motivos acontecendo em frente a presépios - inclusive os públicos.

Esta semana, o presépio está sendo tirado das caixas e erigido novamente. Alémd o presépio grande, existem outros. Um pequeno em porcelana, cada figura com pouco mais de 5 cm sobre um móvel, um feito em vidro soprado, dentro de uma bola de natal transparente do tamanho de uma mão.

E o meu, que deixo "montado" no meu larário, cujas peças em ferro fundido são tão pequenas que o presépio todo fica montado dentro de uma caixinha de anel.

A isso se somam árvores de natal, enfeites de luzes, papais Noéis e Befanas, meias, guirlandas. Na árvore de natal, nossa mais recente tradição é que estamos buscando completar o que uma tradição alemã diz sobre os enfeites que não podem faltar nelas: ao menos uma casa, para proteção, um coelho para esperança, uma xícara para hospitalidade, um pássaro para alegria, uma rosa para afeição, uma fruta para generosidade, um peixe para benção, uma pinha para fartura, um coração para amor verdadeiro, uma flor para bons desejos e um Papai Noel para bondade.

Na minha casa, o Natal não é a festa do Cristo (embora o seja para minha mãe). É a festa dos antepassados e das crianças, onde as histórias do passado se mesclam com a alegria do futuro. É hora de comer, beber e se alegrar (e nada mais pagão do que isso), contando histórias dos que já se foram e festejando com os que chegaram agora. É hora de reunir aqueles que importam e presentear não por convenção social, mas para tornar físico o carinho de todo um ano juntos. Na minha casa, tem folhas de hera na mangedoura, e nenhum deus parece reclamar disso.

sábado, 11 de abril de 2009

Combinações que funcionam


Não tem jeito. Existem algumas combinações que são praticamente orgânicas, de tão bem que ficam juntas.

Pão quente e manteiga.
Bolo quente e café.
Sol e praia.
Gato e patchwork.

E uma outra excelente, são combinações divinas... Ariadne e Dionísio... Zeus e Hera... Afrodite e Ares. E essa talvez seja a minha preferida.

Assim, numa homenagem a Ares feita todo mês, dessa vez, eu o coloquei junto a Afrodite. E senti que foi uma celebração muito mais feliz =)

terça-feira, 31 de março de 2009

Galaxia

Coloquei esse texto no meu blog pessoal. É um pouquinho da minha prática e achei que seria interessante dividir por aqui, mesmo não se tratando necessariamente de uma coisa que outras streghe façam.

A Galaxia, o festival de celebração ao nascimento de Zeus, caiu na Lua Nova. O primeiro dia do novo ciclo lunar é quando eu faço meus trabalhos com as deusas ligadas às serpentes, Deméter e Rhea. E como celebrar o nascimento de Zeus sem Rhea?

Aproveitei a data. Fiz as oferendas e uma pequena homenagem a Zeus: sua vela, incenso, mel e artemísia queimada. Há algum tempo não fazia uma oferenda pessoal ao Pater. Costumo trabalhar a sua energia em grupo. Mas esse momento teve um sentimento muito bom de acolhimento, como se Ele tivesse olhando e tivesse curtindo.

Eu também dancei para Zeus. Já havia dançado para Ares e para Apollo, já havia dançado com Deméter, mas nunca para Zeus. Foi uma pequena oferenda, e espero que Ele tenha gostado.

Depois de Zeus, celebrei Rhea com as oferendas tradicionais de leite e incenso. Eu também dancei para Ela. Depois, como eu já estava no clima, fiz o mesmo para os Kouretes. Devo muito a eles, por serem divindades tão ligadas a dois dos deuses que eu mais amo nesse mundo. Usei os utensílios deles que são da Sarah mas que, por uma questão logística, estão na minha casa. Velinha de lamparina num caldeirão, incenso, uma faca e um copo de pinga - que, aliás, é o copinho de vidro trabalhado e base vermelha que eu uso para a bebida de Ares.

Não consegui orar aos Kouretes. Eu conversei com Eles, expliquei porque eu estava ali, diante Deles. Agradeci por tudo que, de certa forma, fizeram por mim. Nesse momento eu olhei para minha imagem de Rhea Cibele, colocada na prateleira um nível acima do chão, e percebi que há um leão de cada lado. Eu procurava leões para representar os Kouretes no meu altar e, de repente, percebi que Eles sempre estiveram ali com Sua Senhora.

Depois eu fui fazer minhas oferendas para Deméter, mas essa é outra história...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Trabalhando para os deuses

De vez em quando eu me reúno com amigos para ritos ou celebrações - incluindo, obviamente, as duas streghe que também escrevem neste blog. E, de todas as vezes que nos encontramos na minha casa, para algum tipo de trabalho, uma questão sempre ficou na minha mente: quando, efetivamente, começa nosso trabalho para os deuses?

Ao pensae em trabalho para a divindade, imediatamente pensa-se no que é mágico e ritual. Mas antes do rito, eu sempre tenho várias coisas para fazer: varrer, lavar, passar pano no chão, fazer uma comida (para a divindade e para nós), organizar o espaço do ritual, começar a preparar o altar - que sempre é terminado com a coletividade -, ir ao mercado, etc.

Além disso, tem a outra parte. Eu preparo a casa, faço meus procedimentos de proteção, firmo meus deuses, tomo um banho para preparar meu corpo, escolho a roupa mais adequada. Essa última parte é mais focada na intenção, mais específica, mas não diminui a importância da primeira.

Afinal, eu não quero ritualizar em um lugar feio e sujo! Nem meus companheiros! Meus deuses também não querem ver desleixo e descaso! Eu também não quero que nada saia errado e por isso preparo a área do altar. Faço a comida, um oferecimento nosso à deidade, e com isso uso tempo, uso mão de obra, uso conhecimento - e uso a minha mãe para dar uma ajuda... rs

Sábado foi assim. Nos reunimos para um rito e eu passei o dia todo cuidando disso. Deixei de ver meu namorado, de fazer a minha unha e me dediquei às compras, à comidinha, à misturar e colher ervas, à arrumar e limpar meus caldeirões, à limpeza do hall da escada e do banheiro. Não me arrependo, porque sei que tudo isso foi essencial para o que tomou lugar à noite.

Eu acho, na verdade, que esse tipo de coisa faz parte da nossa dedicação e do nosso trabalho por eles e para eles. Acho que faz toda a diferença quando você simplesmente limpa e quando você limpa porque usará o espaço em honra a um deus. Essa parte da coisa é algo sobre a qual raramente ouvimos falar, um trabalho de bastidor, algo que ninguém se lembra na hora "h", mas que é essencial para que tudo dê certo e para que o serviço saia bem feito.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A Chama e o Inverno

Fiz esse texto lá para a lista, mas deu vontade de vê-lo por aqui também. São algumas reflexões sobre a ligação entre o Inverno e a Chama Ancestral de nossos altares.

Estamos chegando na metade do Inverno. O Sol vai ficando cada vez mais forte e o frio vai passando – pelo menos aqui no Sudeste do Brasil. Isso significa que, daqui a pouco, a Primavera começará e, para muitas sociedades agrárias, chegaria a hora de arregaçar as mangas, cuidar da plantação e pensar na colheita do Verão.

Por aqui, olhando pela janela para a Avenida Paulista, estou sentindo o solzinho mais forte e pensando, com minhas queridas amigas, o que podemos fazer para celebrar esse período. E o que ocorreu para nós, apesar de algumas diferenças, foi o retorno do fogo, a inspiração, a renovação e o calor. E pensamos em Vesta (ou Héstia). O que imediatamente me remete à chama ancestral dos nossos altares.

Segundo muito do que li sobre a prática da bruxaria dentro das tradições italianas, muitas streghe usam uma chama no centro do altar, para lembrar os ancestrais. É o fogo, o sangue que mantém viva a chama da tradição - e acho que tem gente que pode falar disso melhor do que eu...

Nos meus ritos, sempre há essa chama no centro do altar. Ela é dedica à Vesta e fica aos pés de Júpiter, entre os dois deuses principais do meu culto, Ceres e Marte. Ela representa essa chama, esse elo que me liga aos meus ancestrais, próximos ou distantes, de sangue ou de alma - os que vieram antes de mim e mantiveram a tradição viva, de maneira que eu pudesse, hoje, estar na presença dos deuses graças ao legado deles.

Todo o fogo do altar sai dali, tanto das velas dos deuses quanto do fogo que acende o incenso. No pequeno caldeirão de Vesta é onde queimo as oferendas dos deuses. Além do altar, tenho também um caldeirão para ela no centro da casa e, de vez em quando, uma vela na cozinha. Para esses dois, o fogo sai do fogão, não da caixa de fósforos.

E aí? Qual a sua relação com a chama que alimenta nossos altares e nossa ancestralidade?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um casamento neopagão

Mais um post inspirado em nossas conversas orkutianas. Dessa vez, sobre os ritos de passagem: casamentos, batizados e afins.

Eu, Pietra e mais uma amiga, a Cássia, tivemos a oportunidade de participar de um casamento pagão. Na verdade, nós celebramos a cerimônia. Não foi nada muito complicado, mas foi bem bonito. A noiva era pagã, o noivo noivo não. Mas tanto ele quanto o pai da moça foram super atenciosos com a gente e nos ajudaram muito a prepara tudo.

Demarcamos o círculo com pedras brancas, montamos o altar no meio, colocamos tochas para iluminar em volta. As músicas que a noiva escolheu coincidiram muito bem com a cerimônia toda. Na ocasião, pedimos as bênçãos de Zeus e Hera, o casal divino, e também de Héstia, para abençoar a nova família que eles estão formando. A noiva ainda pediu a amigas para representarem os quatro elementos e trazerem as oferendas para o deuses.

O mais legal disso tudo foi que só nós éramos pagãos ali. O resto das pessoas, entre padrinhos, familiares e convidados, não eram. Nós mostramos um pouquinho - bem pouquinho - do que é esse mundo em que vivemos. E eu tive a oportunidade de poder estar com pessoas que não nos conhecem e não conhecem a nossa prática. Todas foram extremamente respeitosas e algumas vieram perguntar o que era, de onde vínhamos, se tínhamos alguma igreja e como tudo isso surgiu.

Além de poder participar de um momento tão especial para essas pessoas, tivemos a oportunidade de estar com nossos deuses de uma maneira diferente do que faríamos normalmente, e de compartilhar isso com pessoas que nos viram com o véu do respeito - coisa que, infelizmente, nem sempre acontece entre os nossos, que por vezes são céticos e jocosos com a prática dos outros.

Foi uma ocasião muito boa, muito especial. Saímos de lá com uma sensação boa de dever cumprido.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Maio


Praticamente meio ano se foi...

Em São Paulo, estamos tomadas por um frio da chegada do Inverno.

É agora que sabemos que Koré desceu ao Hades e que Deméter está um tanto mais triste e mesmo que Hélios esteja conosco, a terra está fria. Sinto que estamos já recolhendo nossas nozes para o inverno que vem vindo. Começando a guardar o vinho e pensar nas carnes que, com sorte e alegria, assaremos pelos amigos. Começam a sair dos armários os casacos, gorros e cachecóis.

E nesse clima frio, quase triste, é que honramos a passagem de Koré a Perséfone. E com a Deusa iniciam-se os movimentos para dentro e fora do Hades... a vida e a morte nas mãos da rainha dos lírios. Como na nossa vida estamos constantemente matando coisas, reconstruindo, refazendo e criando, honramos Perséfone. E olhando para o crescimento da Deusa nos vemos. Em nosso crescimento... E em nos assumirmos... deixamos de ser meninas. Para sermos rainhas!
Louvada seja, A Pura.

Imagem e frase da Thalia Took: "Eu fui jovem um dia. Agora os mortos vem a mim e eu sou Rainha".

domingo, 30 de março de 2008

Ano Novo Astrológico


Sol entra em Áries, recomeça seu caminho dentro do Zodíaco. E aqui temos um momento muito especial para essas streghe aqui.
Com uma festa regada à minha alegria e devoção, saudamos o planeta que entra em 2008 com um carro e muito movimento.
Muita gente veio comentar comigo que se sentia apreensiva, pois Marte pode trazer agressividade ou brigas. Pode ser, mas antes de tudo, é preciso pensar que Marte, o tal deus da guerra, também está relacionado a Silvanus, o deus da agricultura, da terra fértil. E o que mais é a vida, senão uma batalha? Nascer, viver...
Então, que 2008, seja um ano de:
- Vitória
- Conquista
- Carinho
- Companheirismo
- Batalha
- Reparação
Vamos, pessoas, com armas afiadas e um passo de amor pela vida!