sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Saturnália - nosso rito
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Preparando o natal
Veio da Itália a tradição dos presépios, e assim foi também em nossa casa. Inclusive, temos guardado um pastor e um camelo do primeiro presépio em terracota que nossos antepassados trouxeram da Itália. O presépio atual, pintado por mim como um presente para meus pais (mesmo eu já sendo pagã há uns bons anos quano o fiz), tem um tom barroco de pintura e é uma cópia de um presépio veneziano.
Tem todas asquelas características de um legítimo presépio popular: espelho que serve de lago, serragem e areia para os tortuosos caminhos que serão seguidos pelos pastores (que chegam à mangedoura na meia noite de 24 de dezembro, quando o menino deus é colocado nela) e os reis magos (que seguem a estrela em papelão pelo fundo estrelado pintado para chegar no dia 6 de janeiro com os presentes) , peças compradas depois (ou herdadas de presépios antigos) que nada tem a ver com a decoração das peças principais. Armar o presépio, independente de religião, é um ato de resistência folclórica. A cada ano, acrescenta-se algo novo, que o amplia, melhora, deixa ainda mais único e mais folk.
E é claro que ele tem sua magia: A oração feita ao montar o presépio para que estejamos juntas no próximo ano repetindo o ato. A ordem cuidadosa com que minha mãe lê a ascendência de seu Cristo. O ato de reunir a todos na meia noite do dia 24 para a cena da chegada do menino deus, colocado em seu lugar pela criança mais nova presente. A movimentação diária das peças, e a chegada trifunfal dos reis magos, com mais presentes, comida e toda a m,ovimentação do Dia de Reis.
Criei o hábito de deixar esmolas nos presépios. Assim como no presépio de casa de vez em quando alguém deixa umas moedas, cada vez que passo perto de um presépio, deixo lá as moedas que eu tiver. Dá boa sorte. Durante o tempo em que está montado, o presépio é um forte ponto focal de energia. Minha mãe deixa de fazer suas orações diante do oratório (ela mantém um altar cristão muito interessante) para faze-las diante do presépio. Já vi muita reza pelos mais variados motivos acontecendo em frente a presépios - inclusive os públicos.
Esta semana, o presépio está sendo tirado das caixas e erigido novamente. Alémd o presépio grande, existem outros. Um pequeno em porcelana, cada figura com pouco mais de 5 cm sobre um móvel, um feito em vidro soprado, dentro de uma bola de natal transparente do tamanho de uma mão.
E o meu, que deixo "montado" no meu larário, cujas peças em ferro fundido são tão pequenas que o presépio todo fica montado dentro de uma caixinha de anel.
A isso se somam árvores de natal, enfeites de luzes, papais Noéis e Befanas, meias, guirlandas. Na árvore de natal, nossa mais recente tradição é que estamos buscando completar o que uma tradição alemã diz sobre os enfeites que não podem faltar nelas: ao menos uma casa, para proteção, um coelho para esperança, uma xícara para hospitalidade, um pássaro para alegria, uma rosa para afeição, uma fruta para generosidade, um peixe para benção, uma pinha para fartura, um coração para amor verdadeiro, uma flor para bons desejos e um Papai Noel para bondade.
Na minha casa, o Natal não é a festa do Cristo (embora o seja para minha mãe). É a festa dos antepassados e das crianças, onde as histórias do passado se mesclam com a alegria do futuro. É hora de comer, beber e se alegrar (e nada mais pagão do que isso), contando histórias dos que já se foram e festejando com os que chegaram agora. É hora de reunir aqueles que importam e presentear não por convenção social, mas para tornar físico o carinho de todo um ano juntos. Na minha casa, tem folhas de hera na mangedoura, e nenhum deus parece reclamar disso.
sábado, 11 de abril de 2009
Combinações que funcionam
Não tem jeito. Existem algumas combinações que são praticamente orgânicas, de tão bem que ficam juntas.
terça-feira, 31 de março de 2009
Galaxia
Coloquei esse texto no meu blog pessoal. É um pouquinho da minha prática e achei que seria interessante dividir por aqui, mesmo não se tratando necessariamente de uma coisa que outras streghe façam.A Galaxia, o festival de celebração ao nascimento de Zeus, caiu na Lua Nova. O primeiro dia do novo ciclo lunar é quando eu faço meus trabalhos com as deusas ligadas às serpentes, Deméter e Rhea. E como celebrar o nascimento de Zeus sem Rhea?
Aproveitei a data. Fiz as oferendas e uma pequena homenagem a Zeus: sua vela, incenso, mel e artemísia queimada. Há algum tempo não fazia uma oferenda pessoal ao Pater. Costumo trabalhar a sua energia em grupo. Mas esse momento teve um sentimento muito bom de acolhimento, como se Ele tivesse olhando e tivesse curtindo.
Eu também dancei para Zeus. Já havia dançado para Ares e para Apollo, já havia dançado com Deméter, mas nunca para Zeus. Foi uma pequena oferenda, e espero que Ele tenha gostado.
Depois de Zeus, celebrei Rhea com as oferendas tradicionais de leite e incenso. Eu também dancei para Ela. Depois, como eu já estava no clima, fiz o mesmo para os Kouretes. Devo muito a eles, por serem divindades tão ligadas a dois dos deuses que eu mais amo nesse mundo. Usei os utensílios deles que são da Sarah mas que, por uma questão logística, estão na minha casa. Velinha de lamparina num caldeirão, incenso, uma faca e um copo de pinga - que, aliás, é o copinho de vidro trabalhado e base vermelha que eu uso para a bebida de Ares.
Não consegui orar aos Kouretes. Eu conversei com Eles, expliquei porque eu estava ali, diante Deles. Agradeci por tudo que, de certa forma, fizeram por mim. Nesse momento eu olhei para minha imagem de Rhea Cibele, colocada na prateleira um nível acima do chão, e percebi que há um leão de cada lado. Eu procurava leões para representar os Kouretes no meu altar e, de repente, percebi que Eles sempre estiveram ali com Sua Senhora.
Depois eu fui fazer minhas oferendas para Deméter, mas essa é outra história...
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Trabalhando para os deuses
sexta-feira, 4 de julho de 2008
A Chama e o Inverno
Fiz esse texto lá para a lista, mas deu vontade de vê-lo por aqui também. São algumas reflexões sobre a ligação entre o Inverno e a Chama Ancestral de nossos altares.Estamos chegando na metade do Inverno. O Sol vai ficando cada vez mais forte e o frio vai passando – pelo menos aqui no Sudeste do Brasil. Isso significa que, daqui a pouco, a Primavera começará e, para muitas sociedades agrárias, chegaria a hora de arregaçar as mangas, cuidar da plantação e pensar na colheita do Verão.
Por aqui, olhando pela janela para a Avenida Paulista, estou sentindo o solzinho mais forte e pensando, com minhas queridas amigas, o que podemos fazer para celebrar esse período. E o que ocorreu para nós, apesar de algumas diferenças, foi o retorno do fogo, a inspiração, a renovação e o calor. E pensamos em Vesta (ou Héstia). O que imediatamente me remete à chama ancestral dos nossos altares.
Segundo muito do que li sobre a prática da bruxaria dentro das tradições italianas, muitas streghe usam uma chama no centro do altar, para lembrar os ancestrais. É o fogo, o sangue que mantém viva a chama da tradição - e acho que tem gente que pode falar disso melhor do que eu...
Nos meus ritos, sempre há essa chama no centro do altar. Ela é dedica à Vesta e fica aos pés de Júpiter, entre os dois deuses principais do meu culto, Ceres e Marte. Ela representa essa chama, esse elo que me liga aos meus ancestrais, próximos ou distantes, de sangue ou de alma - os que vieram antes de mim e mantiveram a tradição viva, de maneira que eu pudesse, hoje, estar na presença dos deuses graças ao legado deles.
Todo o fogo do altar sai dali, tanto das velas dos deuses quanto do fogo que acende o incenso. No pequeno caldeirão de Vesta é onde queimo as oferendas dos deuses. Além do altar, tenho também um caldeirão para ela no centro da casa e, de vez em quando, uma vela na cozinha. Para esses dois, o fogo sai do fogão, não da caixa de fósforos.
E aí? Qual a sua relação com a chama que alimenta nossos altares e nossa ancestralidade?
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Um casamento neopagão
Eu, Pietra e mais uma amiga, a Cássia, tivemos a oportunidade de participar de um casamento pagão. Na verdade, nós celebramos a cerimônia. Não foi nada muito complicado, mas foi bem bonito. A noiva era pagã, o noivo noivo não. Mas tanto ele quanto o pai da moça foram super atenciosos com a gente e nos ajudaram muito a prepara tudo.
Demarcamos o círculo com pedras brancas, montamos o altar no meio, colocamos tochas para iluminar em volta. As músicas que a noiva escolheu coincidiram muito bem com a cerimônia toda. Na ocasião, pedimos as bênçãos de Zeus e Hera, o casal divino, e também de Héstia, para abençoar a nova família que eles estão formando. A noiva ainda pediu a amigas para representarem os quatro elementos e trazerem as oferendas para o deuses.
O mais legal disso tudo foi que só nós éramos pagãos ali. O resto das pessoas, entre padrinhos, familiares e convidados, não eram. Nós mostramos um pouquinho - bem pouquinho - do que é esse mundo em que vivemos. E eu tive a oportunidade de poder estar com pessoas que não nos conhecem e não conhecem a nossa prática. Todas foram extremamente respeitosas e algumas vieram perguntar o que era, de onde vínhamos, se tínhamos alguma igreja e como tudo isso surgiu.
Além de poder participar de um momento tão especial para essas pessoas, tivemos a oportunidade de estar com nossos deuses de uma maneira diferente do que faríamos normalmente, e de compartilhar isso com pessoas que nos viram com o véu do respeito - coisa que, infelizmente, nem sempre acontece entre os nossos, que por vezes são céticos e jocosos com a prática dos outros.
Foi uma ocasião muito boa, muito especial. Saímos de lá com uma sensação boa de dever cumprido.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Maio

Praticamente meio ano se foi...
Em São Paulo, estamos tomadas por um frio da chegada do Inverno.
É agora que sabemos que Koré desceu ao Hades e que Deméter está um tanto mais triste e mesmo que Hélios esteja conosco, a terra está fria. Sinto que estamos já recolhendo nossas nozes para o inverno que vem vindo. Começando a guardar o vinho e pensar nas carnes que, com sorte e alegria, assaremos pelos amigos. Começam a sair dos armários os casacos, gorros e cachecóis.
E nesse clima frio, quase triste, é que honramos a passagem de Koré a Perséfone. E com a Deusa iniciam-se os movimentos para dentro e fora do Hades... a vida e a morte nas mãos da rainha dos lírios. Como na nossa vida estamos constantemente matando coisas, reconstruindo, refazendo e criando, honramos Perséfone. E olhando para o crescimento da Deusa nos vemos. Em nosso crescimento... E em nos assumirmos... deixamos de ser meninas. Para sermos rainhas!
Louvada seja, A Pura.
Imagem e frase da Thalia Took: "Eu fui jovem um dia. Agora os mortos vem a mim e eu sou Rainha".
domingo, 30 de março de 2008
Ano Novo Astrológico

Sol entra em Áries, recomeça seu caminho dentro do Zodíaco. E aqui temos um momento muito especial para essas streghe aqui.