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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma questão de imagem

Eu sou uma fã de seriados. Alguns seriados me cativam mais que outros. Sou mais do tipo CSI do que Melrose Place. Sou uma completa fã de Supernatural. E por influência da minha mãe e do meu marido, dois outros viciados em séries, estou nos últimos três dias assistindo O Mentalista como uma doida.
Estou no décimo segundo episódio da primeira temporada. Isso significa que gastei ai umas 10 horas dos meus últimos dias de férias com o seriado já, *risadas*; e está me dando uma perspectiva bem interessante da coisa.
Então vem a pergunta: e o que diabos isso tem a ver com bruxaria?

(se houver por aqui quem não queira saber sobre o episódio 12 da 1ª temporada, eu aviso que este artigo vai conter spoilers. e nesse caso, deixe um comentário e eu te passo uma versão resumida da minha linha de raciocínio)

O pano de fundo do décimo segundo episódio, Red Rum, é esse. A primeira vista é que o assassinato tenha sido feito em um ritual de magia negra, e então eles acabam chegando até a única wiccana da cidade como suspeita. O fato é que, assim como quase todos os assassinatos por "magia negra" que acontecem no mundo real, o assassino não em nada a ver com magia ou bruxaria e faz isso para distrair a polícia e sair ileso (ou se for acusado, por a culpa no capeta e se safar como maluco). Quer dizer, por um lado, eles mostram que bruxaria é algo que não é ruim para os adolescentes (na verdade tinhamos um adolescente espancado que buscava na wicca conforto e segurança), e dois dos policiais da equipe acreditam totalmente no assunto (no caso de um deles, ele tem pavor de bruxaria, e no caso de outra personagem, ela é uma mulher de fé, mesmo diante do ateísmo e ceticismo absurdo do mentalista).

Não parece tão ruim, ahn? Pelo contrário - nós temos, ainda que seja engraçado esse ângulo do medo de um, ou ainda que mentalista seja forma geral um seriado muito cético (o personagem principal é um ex falso vidente), a wicca é vista como algo "não prejudicial".

Preconceitos? A equipe é muito realista - policiais tendem a rotular tudo que fuja do padrão como potencialmente perigoso, e isso vai de grupos ambientalistas a bruxos (e a cada episódio eles se vêem tendo que enfrenhtar esses preconceitos, porque os ambientalistas sempre são suspeitos e nunca são culpados, rs). E aí é que vem a parte que realmente me incomoda.

A bruxa em questão era uma freak. Sabe, aquilo que a gente costuma chamar jocosamente de pink wicca e que opessoal gringo chama de fluffybunny? Roupas estranhas, colares espalhafatosos, olhar de drogada e um tantinho fanática. Com um passado de problemas psiquiátricos leves, e uma vida bem ruim antes de entrar na religião.

Que existe preconceito contra tudo que é diferente, é um fato. E religiosidade diferente da usual já tende a ser encarada com preconceito. Então eu fiquei pensando - o que será que a própria comunidade neopagã não faz que acaba piorando uma imagem distorcida? Não dá para negar que a gente com certeza conhece pessoas como a bruxinha do seriado.

Não estou justificando o preconceito. No meu mundo ideal, isso não existe e todos são aceitos como são. Mas não estamos em Star Trek. E assim como existem atitudes que fazem uma mulher andando sozinha ser encarada como um alvo fácil por um agressor, existem atitudes que tornam as pessoas um alvo fácil para o preconceito.
 

Acho que vale a pena pensar - como a gente se apresenta para o mundo? Será que nossa atitude não reforça preconceitos?

Será que não existem posturas que fazem neopagãos e bruxos em geral parecer com os neopentecostais fanáticos, que assim como os pagãos pink queimam o filme de tantos neopentecostais que são pessoas bacanas?
.
Não acho que vc precise se vestir como uma freira ou padre. Só agir com naturalidade. Ser você mesmo e não um personagem criado para chamar atenção ou desviar as pessoas de quem você é. Personagens são legais, fazem nos sentir seguros - eu sei, eu jogo RPG a catorze anos. Mas personagens tem seu lugar - na mesa de RPG ou outros jogos de interpretação. Quando contamos histórias. No teatro. Mesmo em alguns rituais, dentro de um contexto, se interpreta um papel. .

Mas o personagem é importante porque podemos tirar a máscara e guardar. E sermos nós mesmos.

Uma vez, conversando com a Pietra, ela falou sobre como quando ia dar uma palestra ela tomava o cuidado de usar roupas normais. E isso me colocou para pensar. Com essa atitude, ela ajuda a mostrar que bruxaria é algo normal, não para aparecer na TV em época de dia das bruxas com áudio de filme de terror da década de 50. 

Então, fica a reflexão. Como você se mostra para o mundo? Suas atitudes reforçam preconceitos ou ajudam as pessoas a verem que todos somos pessoas completas, com uma vida normal? Você está sendo você mesmo para o mundo, ou está preso dentro de um personagem que cedo ou tarde pode sufocar você?

E isso vale, sim, principalmente, para um contexto religioso, mas também para várias outras coisas. Precisamos pensar como relações públicas as vezes. E principalmente - temos que viver nossa vida para nós mesmos, e não agindo como as pessoas esperam que a gente aja.











como você quer ser vista? 

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Impressões pós CWED


Depois de um fim-de-semana agitado por conta da Conferencia de Wicca e Espiritualidade da Deusa, eu resolvi fazer aqui um pequeno saldo das coisas. Mesmo porque, a minha próxima atividade acontece apenas em setembro, pois vou tirar o inverno como um recesso das minhas coisas bruxas mais "públicas".

O que eu gosto de eventos como a CWED é que nesses encontros temos uma chance gigantesca de conhecer gente nova, mas que podem conversar com vc de vários jeitos. Eu dei entrevista para TCC, conheci gente que tem grupos de prática de Bruxaria muito diferentes do meu, gente que tem práticas impressionantemente parecidas com a sua. Em um evento assim, ficamos juntos de pessoas que poderiam ser estrangeiros para nós... a strega helena que se encontra com os druidas e com os praticantes de Bruxaria ibérica... e assim, vamos aprendendo dos outros.

Também revi pessoas que gosto muito... gente que eu admiro... gente que vem de longe... e é tão legal ver que muitos dos nossos conhecidos não são apenas rostinhos no Orkut ou no Multiply.

Ri mt... Cantei... Falei... Li história... Aprendi sobre bardos... Abracei... Tirei fotos...

Foi um evento muito gostoso e recomendo a todos, quando o próximo encontro de bruxaria se der: Vá!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Palestra: Elementos: Fogo


No último fim de semana, houve mais uma Tarde Esotérica do Espaço Viver Alternativo. E o tema da tarde foram elementos e seres mágickos.

Na palestra de Bruxaria Italiana, falei um pouco sobre o fogo e seus simbolismos. Dos diversos préstimos e do presente maravilhoso que o fogo é: fisica e espiritualmente.

Tudo começou com a história de como a humanidade, pelo amor de Prometeu ganhou o fogo. E como esse fogo transformou a vida de todas aquelas pessoas. E assim, seguimos em uma reflexão do que faz o fogo ser transformador e como determinados sacrifícios, como o de Prometeu, nos mudam e transmutam.

Em seguida, falamos sobre o fogo de Hefesto, o deus fogo, o deus chama e como o fogo pode ser nosso trabalho, o bater de nossas mãos efetivamente para transformarmos o que precisamos, o que desejamos. Como podemos fazer de matéria bruta, grandes e lindas obras de arte?

Por fim, o fogo de Héstia que aquece nossos lares e corações. E nisso, tudo que eu penso é como, para esquentar nossos lares, precisamos, primeiramente, aquecer as pessoas.

Foi uma tarde muito gostosa... e mês que vem tem mais. A próxima será dia 6 de junho, às 14hs. O tema será "Pensamento Mágicko". Todos mais que convidados!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Fui aprovada! Palestra na 5a. CWED


Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa.

Fui convidada pelo Claudiney Prieto para falar sobre algum tópico "streghe" e relacionado com deuses, espiritualidade ou uma grande deusa criadora (não, ele não usou essas palavras, mas foi uma coisa que eu deduzi dado o nome do evento). Então, eu fiquei pensando que falar sobre Diana ia ser um tanto clichê e um tanto não minha prática efetiva. E me coloquei a pensar... O que seria um tópico interessante para dividir com esse público que não é strega, mas que pode vir de uma família de imigrantes... ou ainda, que pode ter ouvido falar alguma coisa sobre isso?

E foi quando me veio: trabalho de família. Ou seja, um lance que eu conheço faz, pelo menos, 5 anos oficialmente, que eu aprendi o que significa lidar com esse tipo de comunidade e o trabalho mágicko e devocional que está envolvido nisso tudo.

Assim, convido a todos para participarem do evento, 5a. Conferência de Wicca e Espiritualidade da Deusa, dos dias 5 a 7 de junho, em São Paulo.

Minha palestra: FAMIGLIA, O BERÇO DA MAGIA DAS STREGHE.
"Os grupos mais conhecidos são provavelmente os covens wiccanos ou os groves dos praticantes da espiritualidade celta. Mas, certamente, existem muitos outros grupos com diferentes nomes, propostas, organizações. Entre os praticantes da Bruxaria Italiana, seja Stregheria, Stregoneria ou Benedicária, existem muitos grupos. Pela popularização da Bruxaria Italiana pelo autor norte-americano Raven Grimassi, sempre que se pensa em um grupo de Stregoneria a palavra boschetto aparece. Porém nem todos os grupos são boschetti. Alguns são comunidades. Alguns praticantes, ainda, são solitários, ou apenas um, em um grupo. E existem as famiglie (famílias)."
Dia 7 de junho de 2009, domingo, às 10hs.

Para mais informações, acesse:
http://www.conferenciadewicca.com.br/

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Palestra sobre instrumentos de cozinha e seus significados


Neste sábado último, participei de mais uma tarde de palestras no Viver Alternativo.

A palestra foi sobre objetos de cozinha e como eles podem ser resignificados para o nosso fazer mágicko e como isso poderia ser visto e feito de formas diferentes. Porque as pessoas têm crenças diferentes e podem achar que misturar as coisas é disperdiçar energias, mas outras podem achar que estão fortalecendo a egrégora da família.

Ou seja, muitas pessoas, muitos jeitos.

O meu enfoque foi que, no tempo histórico de nossos ancestrais, objetos usados para bênçãos, cozidos mágicos como ungentos, temperos, chás, banhos, etc. eram feitos nos mesmos objetos que eram usados pela família. Assim, a mesma faca que cortava o pão, poderia ser a faca que trazia a cura do mallocchio... ou o mesmo prato que carregava uma oferenda para Ceres, poderia ser o prato de sopa do dia seguinte.

E seguimos nesta discussão, pensando em significados dos lugares e objetos... e como Héstia poderia morar no fogão hoje em dia e Deméter pode ter uma participação na geladeira, pois ali se mantém parte do nosso sustento e nossas frutas e verduras ficam fresquinhas.

Falamos de xícaras e como elas seguram os líquidos, tão emocionais e importantes, como o café para a socialização das pessoas e o copo com água com açúcar.

Um dos tópicos que conversamos e mais gostei foi: panelas e caldeirões, com tampa ou sem tampa? Nesta hora até fechei o micro (onde estavam as fotos da minha cozinha) e abri um fórum para conversarmos. Chegamos a conclusões interessantes:
- tampas podem ser importantes para dar um tempo de cozimento especial.
- tampas podem ser importantes para esconderem o que estamos cozinhando.
- tampas podem ser importantes para não permitir que coisas que não prestam caiam em nossos cozidos.
- tampas podem ser dispensáveis quando queremos que o que estamos cozinhando se espalhe...

Assim, voltamos ao começo da conversa, como tudo é uma questão de significado e entendimento.

Como vc usa as coisas da sua cozinha num âmbito mágicko?

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Evento: 10 Anos de Bruxaria no Brasil

Fui honrosamente convidada a fazer parte deste evento. E com ele, algumas considerações minhas...

Não posso negar que, de cara, eu pensei... 10 anos? Eu mesma pratico mais que isso e tem gente que muito mais ainda, como meu namorado, por exemplo. E foi quando no convite eu entendi. A questão é muito mais emblemática do que literal.


Trata-se de uma celebração ao primeiro encontro de Bruxaria que, em 1998, quis juntar diferentes praticantes para pensar a Bruxaria e sua parte no mundo. E muitas destas pessoas vão estar juntas de novo, agora em 2008 e convidando inclusive gente que não estava, como eu!


Vou estar lá. E vou falar sobre as diferentes visões da Bruxaria Italiana e sem medo de ser feliz, ir de Stregheria à Benedicária, para que as pessoas saibam que as coisas vão além de uma visão... somos mts. Mts práticas, mts pensamentos, mts deuses, mts celebraçãoes.


E, de tudo, independentemente de encontramos visões diferentes da minha, inclusive no assunto do Dia do Orgulho Pagão, que é parte desta celebração e não é a minha praia, o importante é estarmos juntos. E nos juntarmos pelas semelhanças...


É o que é o Tribos de Gaia... é o que 3 streghe diferentes querem com este blog.


É uma chance de juntar e aprender, como na Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba ou na Cirandda da Lua... Vamos lá?


As inscrições são gratuitas e no credenciamento há a doação de um kilo de alimento não-perecível.


Muita gente interessante vai estar por lá: Claudio Crow, Tânia Gori, Helenah Friggah Leão, Heloisa Galvez... e tanta gente!


O evento é dia 18 de outubro de 2008.
O site oficial do evento é www.10anosdebruxaria.k6.com.br

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tarde de Palestras, Ritos Lunares

Mais uma vez, tive a graça de estar junto com outras pessoas para falar sobre práticas. E, em agosto, o foco foi a lua. Linda roda de prata do céu... pastora de estrelas...

Selene gloriosa!

O gostoso de tudo isso foi ter a chance de iniciar a minha fala como uma pequena abertura da tarde, e assim, além de me reportar um tanto junto a todas as lunações, pude dar tb um panorama das deidades lunares e seus entendimentos, tanto na Grécia quanto em Roma... e como é bonito perceber que algumas deidades se tornam totalmente diferentes, como Diana o é de Ártemis (que foi meu foco de lua nova) e outras são as mesmas, como Luna e Selene, o corpo lunar.

Minha linha de pensamento foi que, conhecendo bem Ártemis podemos ter uma idéia mt legal de como trabalhar a lua nova... Da alegria de Ártemis, a jovem até suas máscaras que escondem um tanto do mistério, mas que nos deixa atentos durante todo o mês, pois a vemos desenvolvendo-se no céu.

Lua nova é momento de sorrir. De brincar... de fazer os recortes do que queremos num âmbito maior e investir.

Falamos tb um tanto sobre o arcano 18 e como alguns têm sim medo da Lua no tarot... e que isso é parte Dela, do seu ser... nem todos entendem a Lua... e nem sempre suas deidades são as mais simples, mas com certeza, muito profundas... que nos dão parte da profundadidade que este arcano tem... e aí fazemos nossa escolha de enveredar os mistérios andando na noite, ou de dormir e de sonhar como Edymion.

Por fim, na lua nova tiramos nossos arcanos guia para conhecer nosso caminho e nossa postura no mês... e como é bonito ver uma história se desenrolando a medida que a lua se mostra mais... e menos.

domingo, 20 de julho de 2008

Do último dia de curso

Esta semana tivemos a última aula do curso de Bruxaria Italiana do Espaço Viver Alternativo.

Semana passada havíamos combinado que faríamos um ritual para a lua cheia e, nele, energizaríamos objetos que seriam nossos protetores contra o mal olhado.

As conversas começaram a hora que eu me sentei com as meninas. Elas vieram me mostrar o que haviam comprado para esse momento. Tesouras e nazars foram as nossas vedetes e nosso padroeiro, o Protetor de Têmis.

Com as palavras que eu ouvi do Quiroga essa semana, não pude deixar de pensar como a Lua Cheia seria importante para esse momento. Um momento de preservar nossas famílias e de querer e de galgar mais longe. Foi nessa toada que seguimos o nosso dia com pimentas, cravos e uma linda espada.

E em nossa manifestação ritual, cada uma de nós pôde tomar um papel... Aliás, muito obrigada à Carol por me ajudar tanto na limpeza e no trazer das ondas do mar num pilar do templo; obrigada a Aglaia Madora por trazer a força e a constância da terra num outro pilar do templo; e à Eliane, que teve sua primeira experiência numa construção como essas e trouxe a limpeza e a consciência do ar lindamente!

Quando podemos estar juntas entre paredes tão seguras e sob um céu tão aberto, as diferenças aparecem, as similaridades afloram e muitas idéias se colocam.

Sabe, dar um curso tem claro há ver com um trabalho, com um construir de conhecimentos, inclusive de trocas, afinal de contas, não foi um curso gratuito. Mas tem muito mais a ver com dedicação de tempo, de atenção e de energias. E nisso, como eu aprendo. Como eu olho para as pessoas e as admiro em suas vontades de ir além e, principalmente, de exporem o que pensam.

E o dar seus pensamentos e idéias é um presente muito valioso... obrigada, meninas, pela confiança, pelo carinho e pelo compromisso.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Da primeira parte do curso que estou ministrando


Este sábado dei a primeira parte do meu curso sobre Bruxaria Italiana. Foram 4 horas muito interessantes. Levei uma apostila com algumas idéias e conceitos, por exemplo, o que é Bruxaria, Magia e Feitiçaria ou por que existe Stregoneria e alguns dizem Stregheria. A apostila é interessante e, embora seja curtinha, traz algumas idéias sobre os principais pilares da Bruxaria Italiana, como os cultos, os ancestrais, a devoção aos deuses.

Mas, acreditam que eu mal e mal abri a apostila?

Dentro do grupo, havia pessoas que buscavam, cada uma dentro de uma linha... uma mais curiosa... outra querendo somar conhecimentos... mas todas buscando coisas a mais, pensando no que é o intocado, o obscuro.

O que eu acho que foi o mais gostoso desse encontro foi que as pessoas se colocaram e participaram como poucas vezes eu vi.

Em termos de entendimento, me pareceu que as coisas iam sendo ditas e assim, complementadas pelos outros, ajudando cada um a construir novos conhecimentos.

Perguntas muito interessantes surgiram... E como sabemos que os Deuses nos favorecem?

E será que realmente Eles ouvem o que dizemos?

E quem busca algo que não tem nome?

Uau... foi uma delícia pensar junto sobre tudo isso...

Semana que vem, vamos fazer uma celebração para a Lua Cheia e energizar um objeto contra o mal olhado.

Ah, é... por fim, lemos uma história da Strega Nona para conhecer o básico das senhoras sábias da Italia. Que gostoso ouvir histórias!

Semana que vem, tem mais!

domingo, 6 de julho de 2008

Palestra sobre Livro das Sombras

Ou porque é importante registrar.

Na Tarde de Instrumentos Mágickos do Espaço Viver Alternativo, conversei por 50 minutos sobre o Livro das Sombras.

Na verdade, nem importa muito o nome que esse suporte tenha. Suporte porque é nesse local que pode ser colocado o que fazemos, os nossos registros. E em termos de suporte, podemos estar falando de livro ata, cadernos dos mais variados, folhas digitadas coletadas juntas, fichários, desenhos. O suporte é apenas um meio... entre nossas experiências e a posteridade... é o nosso mapa que marca nossos passos... uma areia que mostra por onde caminhamos e o que vimos.

O começo da conversa foi sobre língua. Língua materna e o processo que passamos para nos alfabetizar e como isso pode ser maravilhador ou traumático, pois o que se dá em nossas mentes pode começar quando temos 5 anos e terminar plenamente aos 8... mas isso é mt relativo, quer dizer, vai da facilidade e muito, muito mesmo, da prática. Aprender a ler e a escrever é uma questão séria de prática.

E ai vem o lance de ler e de escrever. E que privilégio é esse, uma vez que há 100 anos nem todos liam e escreviam e pouco tinham de acesso às informações que temos. Informática, Antropologia, História, Espiritualidade... quantas coisas que o fim do século 20 nos garantiu e que nós, muitas vezes, temos como dado, apenas como mais uma parte da nossa realidade.

Assim, os livros da sombra, os registros mágickos não são tão comuns em termos das práticas de nossos ancestrais quanto gostaríamos, e por quê? Porque não sabiam como ler e escrever, ou onde. E assim, muitas coisas foram repetidas tantas e tantas vezes para poderem ser decoradas e guardadas, na mente...

E no fim das contas, por que tudo isso é importante? Bem, porque marcam o caminho que fazemos. E sempre que olhamos para esse caminho, para essas marcas podemos fazer reflexões, pensar sobre o que pensávamos e o que fazíamos e porque ainda fazemos e porque não fazemos mais.

É avaliação. É construção de novos conhecimentos. É autoconhecimento... somos nós, ali, colocados em letras, em frases... algumas vezes em desenhos.

Eu penso que não tanto pela linguagem, e sim pela língua. Pelo domínio daquilo que queremos expressar, nem que não seja totalmente racionalizado, mas que fique por ali, nos lembrando do que aconteceu.

E no fim, uma discussão subiu e acho que vale colocar. Quão importante é o como se escreve?

Algumas pessoas colocaram que acham muito importante que haja necessariamente a interação entre papel e caneta, e que o escrever a mão é que deixa impresso no suporte o sentimento do que se passa.

Outros, que a escrita vale sendo diretamente no suporte, ou seja no virtual... Ter um livro com seus registros digitados... e se necessário, imprimi-los.

Eu não sou uma pessoa purista... não acho que uma coisa tem de ser exatamente de um só jeito... algumas sim, pq simplesmente são assim que são, tipo Gravidade ou Digestão, mas nesse caso, bem, o processo mental é o mesmo. Você precisa organizar um pensamento e depois fazer duas coisas... aplicar-se a um desenho feito pela sua mão ou fazer sua mão buscar um desenho que tem o mesmo significado num teclado. É o que os que escrevem em Braille fazem...

Eu não acho que tem de ser um jeito ou do outro... mas acho que é importante haver o compromisso consigo de fazer e de se lembrar do que foi para melhor planejar o que vai ser .

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Palestra: aliança com a deidade

Sábado foi dia de Tarde Esotérica no Espaço Viver Alternativo. A proposta foi que cada palestrante falasse um pouco de sua prática, assim, as conversas ficaram bem livres, bem ao gosto do freguês.


Decidi que falaria sobre aliança com uma deidade, pois é uma experiência muito importante na minha vida. Aliás, uma das mais importantes de alguns anos para cá.

A linha de pensamento nessa palestra, que acabou por se tornar uma conversa, na verdade, foi ir entendo como construímos uma identidade. Nascemos e somos parte de nossos pais. E a medida com que vamos crescendo, vamos criando uma identidade que primeiro é centrada em nós mesmos, e nesse momento, achamos que o mundo é feito de nós para nós. Assim são as crianças. Elas não conseguem ver mt além de si.

Depois, com as várias influências do meio em que vivem, da família, da escola, da cultura e de si, vão construindo pedaços. E muitas vezes isso é super interessante porque é com os pedaços de si que acabamos tendo em uma família palmeirense, por exemplo, a ovelha alvinegra (exatamente no caso da minha família... não imaginamos de onde minha irmã foi tirar o amor pelo Timão). Mas esse processo todo é muito rico, pois mesmo sendo parte de um grupo, passamos a assegurar uma certa individualidade. E a maturidade dessa individualidade nos faz ir para buscas mais profundas... e ai vem a espiritualidade...

Claro que alguns querem seguir os caminhos de seus pais, famílias ou grupos. Mas outros querem outros caminhos, querem se lançar.

Assim, antes de encontrar a deidade, vem a pergunta chave: Quem é você?

No curso que a Inês e a Sarah fizeram estudando a Teogonia de Hesíodo, fora dito que os Deuses escolhem seus favoritos pela capacidade que tem de representar aquela deidade na terra. E ai, mora um ponto vital: vc não escolhe... é escolhido.

Quando nos conhecemos a fundo - e nunca tão a fundo a ponto de dizer que não existe mais a conhecer - vamos vendo esses reflexos divinos em nós. E assim, nos dedicamos a conhecer mitos e de repente, mitos e histórias de uma deidade estão em sua vida. BAM! Esse é o momento.

Nem sempre simples... sempre uma surpresa. Descobrir quem te favorece acarreta uma série de responsabilidades e de compromissos. Os Deuses não nos servem. Nós os servimos. E quanto mais nos abrimos para eles, mais vamos entrando em contato com um plano muito superior ao nosso... vamos aprendendo mais e vamos trazendo um andar honrado para as nossas vidas.

Por fim, conversamos sobre se é possível alguma coisa "te tomar" de assalto a alma. Não acredito nisso... sabe por quê? Porque o controle é seu... tal qual o compromisso... e mais que isso ainda, se tudo tem hora e tem lugar, como um espírito qualquer toma alguém sem permissão? Ok, e os Deuses com isso? Bem, quando os Deuses nos tomam, em seus momentos apropriados, quando são chamados, Eles fazem manifestar uma parte deles... aquela que está dentro de nós. E não existe outro jeito senão com preparação e vontade e compromisso de fazer com isso aconteça de forma harmoniosa.

Deixar manifestar é uma forma de fazê-los vir a Terra... não a única, mas uma delas... Que cada um lide com isso da melhor maneira possível.

E que de qualquer forma, a idéia é deixar claro que quando nos conhecemos, conhecemos aos Deuses!

domingo, 15 de junho de 2008

Malocchio, lidando magicamente com o mal olhado

Foi a palestra que eu dei hoje na V Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba.

Eu escolhi esse tema pq eu acredito que seja uma das principais crenças e preocupações mágickas dos ítalos. Afinal de contas, é dado que a falta de cuidado com o olho gordo pode ter consequências bem sérias, pois essa secura é a morte...

A palestra foi por um pequeno viés histórico que foi pensando em como a crença no mal olhado se mostra com força na Ìndia e passa a viver entre os indo-europeus, sendo uma grande preocupação mediterrânea.

Então, convidei o grupo a pensar sobre formas de pensar no mal olhado como manifestação física, energética e espiritual, se mostrando como mal estar, confusão e sensação e estar sendo vigiado, respectivamente.

A interação do pessoal que veio com muitas vivências e experiências em termos de como perceber e lidar com o mal. Assim, relatos de formas de benzimento ou explicações super interessantes do pq bocejamos tanto quando estamos com quebranto, vieram a tona.

Aliás, notaram como existem tantas palavras para a mesma coisa? Evil eye, el ojo, jetattura, olho gordo, invidia, quebranto...

Mas o maravilhoso é que existem muitas formas de lidar com ele... da figa aos chifres... do alho à pimenta... da cimaruta a cornicello... Como é importante não se deixar pegar pelos olhos dos outros...

Ah, claro... e como é importante cuidarmos do que pensamos em como lidamos com as nossas emoções, afinal de contas, o quebranto que podemos pensar ter vindo de outro, pode estar vindo de nós mesmos. E mais que isso ainda, que podemos estar jogando nos outros...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

V Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba - indo!

Pode falar o que quiser... pra mim, a convenção é um dos grandes eventos do ano... Claro que existem outros encontros, muitos, inclusive, muito mais regulares que a convenção, mas acho que ela tem coisas tão dela que a fazem única.

Ok, tem o fato de eu ser palestrante no evento pelo terceiro ano... e isso é uma experiência que não tem preço pq é uma chance de poder contribuir com a Casa de Bruxa, que me deu tantas oportunidades, e uma chance de repartir o que eu conheço com bastante gente.

Outra coisa que me alegra é o poder dar uma aula ou ter um papo com pessoas que eu conheço virtualmente, ou mesmo com pessoas que eu não conheço nada, mas que deram uma parte de seu fim de semana, entre tantas outras atividades para vir me ver e me ouvir... Em adiantado, eu agradeço.

Então, sexta 13, sábado 14 e domingo 15 a V Convenção de Bruxas e Magos estará rolando no coração do ABC paulista...

Claro que quando eu voltar, vou trazer mil notícias, fotos e impressões...

Para quem quiser saber mais e conferir a programação, pode entrar no site da Casa de Bruxa que está organizando a coisa toda.

Vale a pena!!!!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Mais da palestra sobre Animais...

Desta vez feita no PNT - Pagãos no Triannon - em Sampa.

Eu estava sem computador. Mas com o meu novo acessório de animais: o Animals Divine Tarot. Além de várias idéias na cabeça.

Não divergi do que eu havia apresentado semana passada, mas a platéia foi bem diferente e isso nos mostra mais e mais jeitos de pensar. É engraçado pq com o computador, a gente se organiza melhor, tem os slides e garantimos um pensamento e uma explanação mais linear. Por outro lado, como essa foi feita no gogó, tive a chande de passar por mais pensamentos e mais argumentos.

Falamos das corujas... e de como elas estão ligadas às deusas anciãs e a Athena/ Minerva. Aliás, uma questão muito curiosa foi a fala de uma pessoa dizendo que se todo pio de coruja anunciasse realmente a morte, ou melhor, trouxesse a morte, nós todos ou pelo menos o interior já teria ido pro vinagre.

Dos gatos, conseguimos ir mais fundo nas questões divinas dos bichanos e de como eles eram importantes no Egito. E isso faz pensar no que o Chronos acabou colocando mais tarde de que se os romanos tiveram tanto contato com os egípcios que o intercâmbio cultural foi tão significativo, de alguma forma os antigos ítalos aprenderam sobre a importância e o valor do gato.
O lance é que, mais uma vez, tudo se perdeu com a Idade Média.

E o que dizer do bode? O animal cuidador de Zeus, Júpiter acaba por encarnar o mal masculino... e ai a discussão voltou a Pã e talvez no medo que as pessoas tenham de assumir sua sexualidade... mas mais que isso ainda, como é lidar com TUDO, se Pã é tudo? E ai, o tudo vira tudo que não presta.

Foi um encontro muito gostoso o de ontem e espero poder fazer mais vezes.

Mês que vem tenho mais duas atividades que trago minhas impressões aqui no blog =)
Até lá, que nossos familiares nos ajudem a fazer as nossas pontes mais divinas!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Da palestra sobre animais e algumas reflexões sobre o assunto...

Este fim de semana tive uma inspiração. Como eu sempre divulgo meus eventos, palestras, cursos e afins, eu dificilmente escrevo um feedback de como foram as coisas, a não ser pelas fotos. E comecei a achar que estava perdendo alguma coisa. Foi então que resolvi sentar-me aqui e escrever um pouco do que rolou e, quem sabe, ampliar a discussão.

Da palestra "Strix a streghe: animais no mito e na realidade das bruxas" tiramos coisas muito interessantes. Aliás, essa palestra ocorreu primeiramente no espaço Viver Alternativo agora em maio e vai se repetir no PNT tb de maio... Ou seja, vai se um mês de palestras animais!

O intuíto dessa palestra era conversar sobre como alguns animais se demonizaram ao longo do processo histórico e como, esses animais que podem parecer tão horríveis ou temerários no senso comum, são realmente divinos e importantes no trabalho mágicko das streghe, strigoi e outras bruxas e pagãos.

Meu foco ficou em três animais muito conhecidos na Itália e nas suas histórias de bruxas: a coruja (strix), o gato e o bode. Todos se tornaram fonte de medo de mal agouro e figuras do mal encarnado e como tudo isso prejudicou, e muito, às populações.

Quando falamos de corujas falamos de animais que olham o escuro, enxergam a noite e assim dão uma idéia de que sabem do que vc esconde de mais secreto. Talvez a coruja olhe dentro da alma. A mesma coruja que é o animal sagrado de Athena e representa conhecimento e sabedoria. O animal da deusa que é filha de Métis (Pensamento) e Zeus (Raio)... Athena e sua coruja assim trazem a clareza de pensamento... E nessa conversa também falamos da Deusa Anciã e como apenas uma coruja é o animal da Trívia. E que isso pode trazer medo... A Anciã pode até levar quem morre, mas, ponderei, não será a Donzela que pode trazer o feitiço, a maldição ou o encatamento para vir a posterior morte? Esse foi um aspecto que mereceria mais um tempo de conversa...

Dos gatos, conversamos sobre os absurdos de se pensar até hoje que o bicho carrega nela o que não presta. Na verdade, eu e a Sarah temos uma idéia muito parecida de quem não gosta de gatos, não reconhece em si e assim, teme, todos os atributos do gato.

Do bode conversamos sobre sua ligação com o Judaísmo e como isso, na Inquisição se tornou um problema bem sério. Tanto que o bicho que era a carne pura tornou-se o diabo...

Por fim, falamos de outros animais e chegamos nas serpentes e como ela acabou por receber a carga maligna... como representante de feminino, de ventre que anda na terra... ventre sobre ventre, ela carrega a transformação que nem todos os seres humanos compreendem. Eu pessoalmente eu não sou muito de serpentes, mas sei que existe um contexto rico ai.

Eu acredito que existe uma coisa importante no sentido dos pontos-de-vista e de como as coisas não podem ser absolutas... quer dizer, por mais que a serpente Python tenha sido um problema, é evidente a importancia das cobras na literatura médica e assim vemos Higéia, neta de Apollo, que matou a Python, carregando uma serpente... pois dali sai o veneno e o remédio...

Animais podem ser símbolos. Como nós ficamos ao interpretá-los? Será que não precisamos de um olhar mais amplo, um olhar mais de coruja para enxergar além de certas convenções sociais, de nosso tempo ou de outros? Como nosso íntimo se relaciona com esses animais? Aqui fica o convite à reflexão...

e domingo que vem, tem mais!

domingo, 4 de maio de 2008

Ancestralidade

Como eu havia colocado no posting anterior, hoje foi um dia de encontro.

Como em tribo, a Cirandda da Lua coloca muitas pessoas juntas... pessoas de andares muito diferentes entre si, mas que estão juntas em comum-unidade. Com a mesma vontade. Uma de viver o Colo de Gaia, o de dividir seus sentimentos e sua liberdade de estar por entre pessoas - por entre outros.

Houve dança. Houveram beijos e abraços. Houve uma vivência com as runas com a Claudia Hauy.

E houve uma conversa. Uma sobre ancestralidade.

Quando eu pensei sobre essa conversa essa semana, fiquei imaginando como iria definir Ancestralidade para todas essas pessoas novas. Foi quando me veio: "Ancestralidade é o reconhecimento dos elementos passados que nos compõem. Raízes que seguram nosso lugar em uma comunidade ou identidade social".

E assim, a conversa foi indo e fui dizendo e ouvindo sobre como o que nós somos é tão intrínseco ao nosso ser, que mesmo que não saibamos, esses elementos estão ali. Nos compõem e em alguns momentos, se acendem, como uma luz. Algo que não podemos escapar.

Com isso, nossos espíritos se iluminam... e a fagulha de divindade que temos dentro de nós.

Com a nossa Ancestralidade nos firmamos em chãos... naqueles que nascemos. Mas nossos braços procuram longe por outras pessoas e as comunidades se formam. E as cabeças, em meio aos braços, nos ajudam a pensar no que somos e nos que fomos.

O evento de hj foi um encontro com gente... outra gente... minha gente... nossos pares de pessoas que buscam e vivem =)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Evento: no colo de Gaia


Este fim de semana teremos um gostoso encontro com o pessoal da Cirandda da Lua.

Com a coordenação da Soraya Mariani, vamos nos encontrar, mulheres e buscadoras para falar sobre Mães... e sob a égide da mãe terra, de Gaia, do corpo sobre o qual nos apoiamos e surgimos... Sobre a qual andamos com graça e honradez.

Neste encontro, vou falar um pouco sobre Ancestralidade... do típo físico, sanguíneo e daquele que nos ajuda a pequisar nossas raízes históricas e antropológicas. Mas existe a outra ancestralidade: a do espírito, a que nos leva aos nossos Deuses e ao que o nos enche o espírito de esclarecimento e de união.

Penso que conhecer as raízes é um passo importante ao que busca... porque nossos pés se aprofundam nas terras nas quais viemos, mas nosso braços e mentes vão ao sabor do vento do espírito... e mais: o sangue tudo perspassa =)

O encontro vai ser dia 4 de maio, domingo. No Parque da Aclimação, SP.
Para saber mais: www.ciranddadalua.com.br/nocolodegaia