domingo, 5 de agosto de 2007

Mentiras e ancestrais

Lisa acha que sua família é chata. Principalmente quando ela precisa fazer uma redação sobre sua família e, obviamente, tem que ao mesmo tempo manter seu posto de melhor aluna da escola. O que ela faz? Inventa uma ancestralidade indígena que não existe.

Este é o enredo de mais um episódio de Os Simpson. Pode parecer bizarro, mas mais uma vez eu paro para refletir sobre nossas práticas baseando-me em algo comum.

Ultimamente, tem aparecido um monte de gente que diz que tem ancestralidade bruxa. Já teve até fulano que disse que sua família tem uma linhagem de 300 anos.

Creio que existam família de bruxos. Creio não, existem! E há pessoas maravilhosas que saem dessas família, gente que tem conhecimento e sabedoria para traçar seu caminho e reverenciar seus ancestrais.

Mas quem não tem, porque diz isso? O que acrescenta na minha vida tentar buscar legitimidade em uma família antiqüíssima de bruxas que nunca existiu? Necessidade de ser aprovado pelos outros? Necessidade de se incluir entre os seguidores das chamadas "Bruxaria Tradicional" e "Bruxaria Herediária"?

Faz diferença o que os outros pensam das minhas práticas? Não, não faz... porque o caminho individual, por mais que você o divida com outras pessoas. No final, você está com seus Deuses e seus ancestrais, e é com eles que você vai ter que se virar.

Meus ancestrais ficariam tristes se eu mentisse sobre minha origem, ou se eu aumentasse o que eles realmente foram. Que mal há em ser um vira-lata? Que mal há em ser o primeiro a iniciar um caminho, sem o respaldo dos que vieram antes?

Antes de serem bruxos, católicos, negros, brancos ou qualquer outra coisa, nossos ancestrais são nossa família, nosso sangue, nosso fogo... são aqueles sem os quais não estaríamos aqui. E isso é o mais importante de tudo.


Simpsons vestidos de índio. Do site Blue Comics.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Éntheos


Quando Roberto Calasso fala, em seu livro As núpcias de Cadmo e Harmonia, sobre as relações de amado e amante, ele fala de uma forma de relacionamento entre homens... entre os mais velhos e os jovens nas acadêmias.


Era um tempo no qual não havia bandeiras ou rótulos... havia papéis sociais nos quais, a medida que cresciam, os homens iam assumindo.


O amante quando tomava o amado para si tornava-se vaso do êxtase de Afrodite e assim, tornava-se éntheos. Isso significa estar cheio de deus.


Eu sinto que esse é aquele momento no qual parece que a nossa pele vai rasgar, que a existência dos Deuses se faz totalmente a mostra nas nossas vidas... Seja da presença emocionante de nossos Ancestrais conosco. Seja pelo jorro de Hades, o grito de Ares, o êxtase de Dionísio ou o "as coisas" de Afrodite... É quando estamos junto com Eles... quando a nossa faísca divina torna-se uma chama.


É uma chuva de pérolas mandada por Afrodite para Ela mesma.


Talvez esse seja o resumo d'A Sacerdotisa: estar éntheos.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Silêncio e Lua Cheia

Todo dia entro nesse blog para ver o quanto a Lua está cheia (no momento que escrevo, ela está em 80%). Sou obrigada a fazer isso desde que esqueci onde guardei minha agenda, que tem as Luas certas. Também entro no blog da Pietra, porque sei que ela coloca a Lua e suas influências astrológicas todo mês.

Espero a mudança das luas com uma certa ansiedade. Principalmente em tempos de ansiedade permanente, como os da semana passada: pouco sono, muito pensamento, preocupação em demasia - sabe como é, coisa de virginiana prestes a embarcar no Inferno Astral e influenciada pelo arcano IX.

Mas aí a Lua Nova passou, a Crescente foi inflando com a luz refletida do Sol e eu fui melhorando. Com a ajuda dos calmantes (fitoterápicos), essa Deusa de muitos rostos parou de me mandar insônia e entrou em acordo com Morpheus.

Falando assim, parece loucura. Ou como dizemos: "se a gente começar a falar tudo o que acontece, iam dizer que somos esquizofrênicas"...

Essa frase faz com que eu pense na música do Depeche Mode, "Enjoy the Silence", que diz que sentimentos são intensos, mas palavras são triviais. (feelings are intense/words are trivial).

Ultimamente - nada... sempre foi assim! -, eu não falo com a Lua. Eu penso Nela. "Words are very unecessary" (DM de novo...) quando estabelecemos esse tipo de conexão. É como quando temos um relacionamento muito próximo de alguém: você não precisa falar, não precisa ficar constrangido com o silêncio. Ela vai enteder, vai saber, vai ouvir esse silêncio e saber o que ele significa.

Espero dia 29, Lua Cheia em Aquário, para silencar de novo diante Dela e deixar que venha mais uma carta...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Magia Simpática e analogias


Uma das teorias mais aceitas sobre as obras rupestres paleolíticas liga essas pinturas primeiras ao início dos conceitos de magia e religião. Ao invés de serem feitas em locais de fácil acesso e visibilidade, são pinturas que ficam quase sempre escondidas. Acho que o melhor exemplo é a gruta de Lascaux. Lá, temos um corredor estreito, que leva para uma câmara onde touros e bisões correm em torno de nós. A intensidade das pinturas e seu naturalismo são impactantes. Mas porque uma obra de arte tão maravilhosa ficaria em um lugar tão escondido?

As pinturas atuariam como uma forma de “magia simpática”

Simpatia no sentido que fica aqui, vem de semelhança. Assim, por analogia, o pintor ao produzir imagens de animais que precisa caçar no ventre da terra, poderia “invocar” esses animais: pinturas na caverna, novos animais em úteros. Do mesmo modo, ao pintar um caçador ferindo sua caça, podia auxiliar que a caçada real fosse bem sucedida.

Na mesma linha de pensamento, temos a maravilhosa arte dos aborígenes australianos: para eles, o Tempo do Sonho, o tempo em que o mundo foi criado, continua acontecendo, e suas pinturas e esculturas participam na criação do mundo: se pararem de ser feitas, o mundo entrará em colapso.

A magia tradicional tem uma forte referência de magia simpática. Também entra aqui o uso de efígies, imagens para proteger ou causa o mal a uma pessoa: bonecos de barro, tecido, palha ou cabelos, que servem como elemento simpático da pessoa que é representada.

As “simpatias” populares são feitiços simpáticos, Trabalham com analogias, sempre: simpatias de amor usam rosas, mel, nomes escritos, coisas que popularmente são análogas a amor e relacionamentos. Para afastar alguém, rasgam uma foto onde se está junto da pessoa, uma perfeita analogia ou metáfora de afastamento.

Tanto o elemento análogo pode ser um objeto, como uma atitude ou situação. O que importa é que se trace na mente de quem faz o feitiço uma analogia, uma referência clara. A riqueza de elementos nem sempre é necessária, porque uma aliança passada em um fio de cabelo pode representar perfeitamente bem um casamento.

Assim, quando conhecemos esse princípio das analogias, conseguimos enxergar muitos elementos da sabedoria popular com clareza: a tesoura que corta os pesadelos, a vassoura atrás da porta para varrer os indesejados (e posta de ponta cabeça, o que geraria incômodo, como elemento análogo também da pessoa que se quer mandar embora), o espelho que reflete longe as más influências.

E do mesmo modo, quando se precisa de algo, a magia simpática e as analogias vem em nossa prática: os sapatinhos vermelhos que meu filho ganhou ao nascer, o sal que jogo no telhado para afastar a chuva, os símbolos que uso para representar os Deuses, como o machado que para mim é analógico de Diana. Muito mais eficaz que copiar um feitiço que não significa nada para você, é seguir essa trilha, e buscar pela magia simpática e as analogias.

Para uma visita virtual a Gruta de Lascaux, (em francês ou inglês), olhe aqui.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Vassoura


Colocar uma vassoura com o cabo virado
para baixo, atrás da porta, faz visitas
indesejáveis irem embora logo.
A vassoura deve ser guardada na
posição vertical para evitar desgraças.
Crianças que montam em
vassouras serão infelizes.
Varrer a casa à noite expulsa tranqüilidade
e varrer o pé de uma pessoa faz com
que ela nunca se case.

Retirado do Guia dos Curiosos