terça-feira, 22 de julho de 2008

Sobre altares, oratórios e santuários...

Estive navegando pelo Flickr pela maior parte da tarde. As palavras chaves variaram entre shrine, altar, pagan, goddess, porque estou olhando altares. Amo olhar altares no Flickr.


Então, eu estou reparando algumas coisas sobre altares:


  • quando tudo o mais falhar, as figuras de resina são suas amigas. Você consegue símbolos de tudo! Um lindo veadinho para um altar de Ártemis, um Anúbis com cinco centímetros de altura, uma fada simpática ou um anjo que pareça um Lare – tudo. Os objetos mais inimagináveis de resina podem ser usados como símbolos de devoção. E eles abarcam acho que a maioria das culturas do mundo.

  • Não conseguiu uma imagem que queria? Imprima ou mande revelar, e coloque no porta retrato mais bonito que puder achar. Vai ficar lindo, eu garanto. Mas se a coisa for de momento, se precisa ser para agora, imprima e cole na parede com fita adesiva. Eficiente, rápido, bonito.

  • Echarpes e xales são as melhores toalhas de altar do mundo. Eventualmente até cachecóis podem servir. Mas também fique de olho em colchas de retalho. Elas podem ser exatamente o que você precisa.

  • Móveis velhos são perfeitos para altares. Você pode customizar, entalhar, pintar. Ou deixar exatamente como eles são, e vai ficar lindo. Aliás, existem mesas e prateleiras que parecem ter sido pensadas pelo fabricante para virar altares e oratórios.

  • Casas muitas vezes tem “cantos” que fazem questionar a sanidade do arquiteto. Espaços totalmente inúteis que ficam em lugares muito visíveis, mas que por algum motivo não são racionalizáveis no conjunto. Possivelmente esse é o lugar onde um altar central da casa ficará perfeito. Mesmo que ele tenha vinte centímetros de largura.

  • As coisas da sua avó com certeza tem um objeto interessante de altar. Aliás, objetos dos baús de guardados da família toda sempre tem coisas interessantes. Inclusive colares e broches quebrados da sua mãe podem ser transformados em objetos rituais lindos. E eficazes...

  • Altares dizem muito sobre você. Alguns são repletos de milhares de objetos. Alguns, são de um estoicismo comovente. Embora existam semelhanças pelas tradições / deidades envolvidas (altares xamânicos costumam ter mais objetos, por exemplo), é tudo muito pessoal. Uma garrafa azul e um castiçal em forma de folha pode ser um altar, assim como 60 pedras, 48 conchas, uma estrela do mar e doze esculturas simbólicas de divindades também podem ser um altar – com o mesmo significado. Se você tem um pezinho no flower power, seu altar vai ter um toque hippie, mesmo se for para Hades. Se você é um fuzileiro naval, é quase certo que seu altar vai ser um bocado cheio de pequenas regras, e não é nada impossível que você tenha uma bandeira do seu país nele...

  • Precisa ser prático – seja lá o que for que você entenda por prático.

  • Altares externos tendem a ser mais simples. Não assusta os vizinhos nem estraga com a chuva.

  • Alguns altares são definitivos. As mudanças neles são raras ou muito graduais, eles são fixos, um ponto de referência. Outros são pequenos mutantes saltitando pela casa, mudando de forma e lugar com a passagem das estações, ou as flutuações de humor.

  • Não são só os neo pagãos que fazem altares. Católicos, budistas, artistas plásticos, fans do Kiss. Todo mundo faz altares.

  • Sua Deusa não vai ficar mortalmente ofendida se você realmente acha que aquela Nossa Senhora é perfeita para representa-La. Se santos fazem parte da sua história, absorva e use.

  • Fotografe. Você vai fazer mudanças cedo ou tarde, e vai querer ter esse registro. Aliás, olhar as mudanças em seus altares é um ótimo meio de enxergar as mudanças e evoluções no seu caminho.

  • Vasculhe lojas que vendem estátuas de gesso para artesanato, brechós e coisas do tipo. Uma imagem genérica de mulher com túnica grega pode virar a divindade que você precisa. Um castiçal com uma mulher em estilo ars noveau pode ser a Brigid que você procura.

  • Pensar em objetos para um altar é como pensar em presentes. Pense no que o objeto de devoção (seja divindade, antepassado, santo, o que for) ali presente gostaria de ganhar– um colar, uma peça de arte, uma faca, um cachimbo, uma pedra? É esse o rumo mais fácil para construir um altar que te deixe satisfeito.

  • Pequenos oratórios podem ocupar lugares variados pela casa. A decoração de uma mesinha de canto pode transformar aquele espaço em um oratório.

  • Hand Made. Objetos feitos por nós, especialmente para aquele uso, são uma constante. Seja uma imagem, um queimador de incenso, uma pintura ou o que for. Madeira, vidro, cerâmica, tinta, e também papel, tesoura, biscuit, canetas gel... de maneira elaborada ou tosca, er seu toque pessoal torna aquilo melhor.

  • Visual é, positivamente importante. Mas o altar é o foco para algo superior e maior do que ele. Então, não adianta encanar porque seu altar não parece feito pela Martha Stewart.

  • Fazer pequenos oratórios de acordo com a passagem das estações do ano pode ser ótimo se você não pode ter um grande e chamativo altar por algum motivo.


Calro que isso são só algumas anotações, baseadas em muitas fotografias e menos texto do que eu gostaria. Muita gente publica seus altares sem uma única palavra sobre eles. Mas acho que podem ser anotações úteis...rs



Eu podeira postar centenas de links aqui... mas é só buscar no Flickr, Deviantart, ou até no Google imagens, e eu garanto que a viagem vai ser interessante...

2 comentários:

Ariadne disse...

Muito Inrteressante este post sobre os altares, e rico de links e imagens...Muito bom, Parabéns...bjoss

Anônimo disse...

Muito legal o seu post... E algumas das observações que você fez são muito parecidas com minhas próprias impressões... por exemplo, quando você fala sobre representar os deuses usando as imagens ou objetos que mais lhe convierem, eu tenho uma crença parecida: no meu altar a deusa foi representada por uma imagem de Nossa Senhora;também há um espelho, para Oxum e alguns anjos da guarda que eu ganhei de amigos, porque apesar de eu estar agora trilhando um caminho pagão eu fui criada na tradição católica, com alguma coisa também da umbanda, mais tardiamente. As coisas em que você acredita não são como trapos velhos que você joga fora quando compra novos: elas fazem parte de você, e de alguma forma te levaram aonde você está agora. Esse foi meu jeito de selar uma paz entre as crenças que eu já tive e as crenças que eu tenho hoje. E de certa forma eu sempre vi Nossa Senhora com um certo respeito pois, para mim, ela representa o caráter sagrado da mãe e do feminino, apesar da religião católica ser patriarcal. É a intercessora, a consoladora, a protetora e misericordiosa mãe... essa imagem da Nossa Senhora como uma poderosa proteção é ou não semelhante às nossas crenças em uma Grande Deusa?

paz!!!